Ainda há 5 minutos aqui brincavam crianças sob o olhar atentos dos avós. Há 15, uma pessoa descansava. Há 30, um casal dava o primeiro de muitos beijos.
Agora, vazio, mantinha a esperança de um dia alguém ficar.
Pois é, muitas centenas de posts mais tarde e sem nunca ter esperado chegar aqui, o Figuras de Estilo faz quatro aninhos. Entrem e sintam-se em casa, bebam, comam,
Em crianças temos sonhos, moldados pelos pais, os desenhos animados e aquele não-sei-quê que nos distingue. Crescem connosco, amadurecem ou ficam arquivados numa etapa anterior. Em adultos adaptamos aqueles que restaram ao que a realidade nos deu, ou àquilo que ficou quando deixámos de lutar. Mas os verdadeiros - os originais - continuarão guardados num recanto da memória, à espera (talvez para sempre) de poder voltar a espreitar e que desta vez lhes façamos caso.
Não sei o que mudou. Continuamos iguais, o mesmo sorriso fácil, a mesma personalidade forte, as mesmas convicções e manias, os mesmo sentimentos. Mas parece que, pouco a pouco (ou será que foi de repente?) começámos a ver mais além. E onde estamos nós além disto?
Ela: Então? Vens comigo para férias? Eu arranjo-te um espacinho na mala. Ele: Ok, eu encolho-me. Não podes é levar roupa. Silêncio. Sorrisos. Ela: Eu respondia-te a isso. Ele: Eu sei. Ela: Melhor não. Ele: Pois, melhor não.
As paredes, que nunca tinha visto despidas, pareciam pedir-lhe para não se ir. Não entendia a nostalgia se aquela fora uma decisão demoradamente pensada. O rodar da chave na fechadura pela última vez seria o corte definitivo com o passado agridoce.
Queria avançar de etapa sem amarras, o que não impedia a pena de a abraçar por momentos.
Istambul é, por agora, apenas Taksim e todas as histórias, pessoas e momentos. Não cheguei a passear pelos palácios, não passei a ponte para o lado asiático, não vi mesquitas nem igrejas, não entrei num bazar, mas deambulei entre os discursos filosóficos do E, as histórias hilárias do T, as fotografias do Y, a boa disposição da R, a confiança da J, a preocupação da M e do N e as obsessões saudáveis do espalhafatoso do M. Perdi-me, encontrei-me, derreti-me. Não é todos os dias que alguém se nos declara e nos canta You're just too good to be true...
Não esconder o que sentimos é importante, mas mais do que isso, é necessário. Há exactamente um mês que tenho algo para dizer e ainda não tinha encontrado o momento.
Obrigado, Fia, por teres sido a minha companhia em mais ou menos 5 minutos de completa liberdade.
Anos e anos de séries de televisão levaram-me a concluir que todas elas precisam de um mau à séria e/ou de uma boa cabra (adjectivo de qualidade performativa e não de qualidade humana). Quem não relembra com uma ponta de saudade a Alexis Carrington Colby, a Miss Parker, a Ling ou a Elaine Benes?
Numa época em que a Christina e a Addison amoleceram, a Kerry Weaver já não corresponde, a Karen desapareceu e a Samantha nunca se sabe como vai voltar, pensei que teria mesmo que me virar para os programas fúteis de mudança de estética para encontrar uma "senhora cabra".
Felizmente não foi necessário, a Constance Zimmer voltou para salvar o panorama televisivo. Depois da Penny (Good Morning, Miami), da Irmã Lilly (Joan of Arcadia) e da Dana Gordon (Entourage), ressurge em todo o seu esplendor como Claire Simms. Obrigada pelo sarcasmo e o sentido de humor inspiradores.