terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Catástrofes em potência

No espaço de uma semana sobrevivi a um sismo de 6.0, a um dilúvio e a um jantar de Natal na escola. Ou o Algarve vai acabar comigo em três tempos ou tornou-me imune a desastres naturais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

My Little Gentleman

Dá passinhos de bebé por um caminho de adultos, tropeçando aqui, recuando ali, avançando pouco para o que a idade lhe exige. Não se sabe se é medo de se magoar, se é falta de interesse na rota que encetou, talvez seja um crónico e infantil dispersar da capacidade de concentração que não lhe permite manter a meta clara e atingi-la decididamente.
A maioridade não o amadureceu, as mudanças de vida pareciam tê-lo feito - em atitudes, em reacções - mas é nos momentos mais íntimos que se revela verde no que às relações pessoais diz respeito. Gosta ainda que lhe prestem uma atenção desmedida, mesmo que para isso tenha que ser o bobo de serviço; não entende que rirem-se de nós não é incluir-nos. Precisa de agradar sempre, fazendo vénias indevidas, ambicionando ubiquidades, optando por pressão para não ter que assumir escolhas.
Vejo-o agora distante (ainda que os quilómetros não tenham mudado) e esforço-me para recordar se o que nos uniu foi real, se o que senti teve nexo, se o que vivi foi vida. Dou por mim a aplicar o pretérito a uma etapa que, até ontem, sentia tão presente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Being shy and being blunt don't make being social any easier.

Beijos que marcam

Não é a boca que te sente a falta, é a curva do pescoço que ainda guarda no núcleo de cada célula a memória da tua respiração no segundo anterior a te despistares. É a pele que se eriça com o teu cheiro se te aproximas negando ao cérebro a decisão que sabe inevitável.

O medo em dó maior

O medo de ficar perdida se me perder no teu corpo - mesmo que seja só (mais) uma vez - põe ponto ao querer.

sábado, 14 de novembro de 2009

Half timing, half luck

Houve um tempo em que eras o mundo dentro de mim. O meu caminho, a minha vontade, a minha voz eras tu e era bom vivermos assim juntinhos os dois. De repente, quis apagar-te de mim para poder seguir sozinha, querer melhor, dizer o que até então não tinha sido dito. Custou-me aceitar que não podia arrancar-te daqui, mas percebi que destruir-te seria arrasar comigo também e deixei-te ficar. Tu cá dentro e eu esforçando-me por sair de mim. Não sei ao certo quando foi que saíste por vontade própria. O espaço que era teu pertence-me novamente e não sei em quem te abrigas agora. Segui os meus próprios passos, encontrei novo ânimo, falei mais alto. Não me fazes falta. Mas hoje dei por mim a pensar que me faz falta a ideia de ti.

domingo, 8 de novembro de 2009

Don't kiss and ...


Sebastian Valmont: I'm sorry about that.
in Cruel Intentions (1999)

Se houver próxima vez não pares, não jogues, não peças desculpa, não fujas. Ter-te por perto é o suficientemente complicado sem que me toques.
E, desculpar o quê? Os anos, a proposta ou o momento? Nem sequer consegui perceber a frase quando a proferiste. Não foi entrega suficiente para ti? Esperavas mais?
Se me permites, uma última pergunta: sou eu?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ferramenta de trabalho

Enquanto sussurrarmos palavras de amor, fofocarmos, rezarmos ou conversarmos em português, a língua não estará ameaçada.
José Luiz Fiorin (professor e linguista brasileiro)

domingo, 1 de novembro de 2009

Quando te quero esquecer

na TV toca a nossa canção.

O(s) Santinho(s)

Nem sonhes que te baterei à porta numa qualquer manhã pré-determinada e esperarei que me ofereças as sobras que tens por casa. Mas se quiseres tocar à minha campainha um dia destes não precisas de trazer o saco de pano, convido-te a entrar assim que te vir desde a janela.

sábado, 31 de outubro de 2009

Decepção

Se o telefone não toca pensas no que se passou e conduziu ao afastamento. Já não precisas de explicações nem desculpas, precisas (isso sim) de saber onde te situar: acreditaste em vão uma vez mais, e quê? Não foi a primeira, - conhecendo-te como te conheço - não será a última. Porque será que necessitas de continuar a acreditar?

Chamem-me saudosista

Depois de ler esta notícia num dos meus "poisos" habituais, foi impossível não querer ouvir de novo as gargalhadas dela numa revisitação da melhor equipa radiofónica de sempre.
Caríssimo Pedro, como cliente antiga posso pedir este favorzinho, posso?

Curiosamente na mesma semana em que ela começou a cantar o "No teu poema" no meu telemóvel.

Sem tempo para olhar para trás

A mudança foi boa, ainda que tenha sido preciso adaptação. A fasquia posta lá em cima dá medo quando se vê desde o chão. Mas alçado o voo é respirar com calma, bater as asas com força e esquecer que houve algum caminho que se fez a planar.

Silêncios incómodos

De que se pode falar quando não se tem nada em comum com alguém?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Still...

Espero não te voltar a encontrar brevemente. Ver-te faz-me sentir um bocadinho Eponine.

Lea Salonga

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sábado à noite

Houve nervos e desorganização, querer estar em tudo e quase não conseguir. Houve bilhetes a mais e bilhetes a menos, "programas" artesanais roubados, chegar meia-hora antes e perceber que ainda assim tinha que controlar o caos. Houve surpresas vindas de uma passado recente (foi tão bom ver-te Guadalupe) e outras do passado mais longínquo. Houve amigos antigos e amigos novos. Mais do que tudo houve Deolinda em Cáceres, com casa cheia, com um público completamente rendido à simplicidade, à simpatia e ao carisma da banda.
Ficaram todos para o fim para a sessão de autógrafos, as fotografias e os dois dedos de conversa da ordem; tiveram que nos expulsar do teatro ou talvez lá tivessemos ficado o resto da noite. É bom sair de um evento meio trabalho, meio prazer com a descarga de adrenalina de saber que tudo correu sobre rodas, mas melhor do que isso, é sentirmo-nos em casa no estrangeiro, e no passado sábado à noite o Gran Teatro de Cáceres foi território luso.

Se levares pontapés no rabo não te rales, é porque vais à frente!

Quando a mesquinhez das pessoas que mal conhecemos nos reduz ao silêncio - a resposta seria dar-lhes demasiada importância -, primeiro vem a tristeza, o auto-exame, o querer vasculhar no próprio passado para encontrar uma qualquer pontinha de culpa que nos explique porquês. Depois, vem a raiva, a sensação de impotência, a necessidade de espernear e gritar ao mundo (aqueles que para nós interessam) que não há um fundo de verdade naquilo que foi dito. Como adultos que somos, mais tarde percebemos que o melhor é mantermos a calma e o silêncio porque se alguém sente que é preciso tentar pisar-nos é porque se sente ameaçado/a.
Curiosamente uma das frases que mais vezes ouvi ao meu pai, enquanto crescia, aplica-se a mim agora da mesma forma que um dia se aplicou a ele.

sábado, 17 de outubro de 2009

99

Entrar na ponte e ver Lisboa a anoitecer. Pôr-do-sol em sfumato. Procurar, tão rápido quanto a velocidade o permite, pelos Jerónimos ou pelo Palácio da Ajuda. As luzes que se acendem devagarinho a apagarem os contornos da cidade. O avião onde me apetecia estar a fugir. É bom chegar. Quase tão bom como partir. O aeroporto aqui ao lado e eu só quero entrar no primeiro avião que me leve. E partir novamente assim que chegasse. Faz-me falta a agitação dos aeroportos. E há tanto mundo por conhecer ainda. Para onde vamos agora?

18

Senti-me assim outra vez. Não passávamos um dia inteiro juntos há tanto tempo que não sabia sequer que tinha saudades. Ainda que faltassem os outros, os quatro que ali estiveram eram os mesmos das férias da nossa infância e adolescência, como se não tivéssemos crescido. E o regresso àquela simplicidade tornou o dia mais leve.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

13

És tu. Serás sempre. E a sorte que eu tenho em te ter como amiga?