quarta-feira, 31 de março de 2010

Damaged Goods III

A insegurança derruba-nos os muros, puxa-nos o tapete quando mais precisamos de sentir terreno estável debaixo dos pés. Mas se me questiono todos os dias, será que é mesmo isto o que quero?

terça-feira, 30 de março de 2010

Quem me leva os meus fantasmas? *

Há pessoas do passado que nos alegra que voltem, que nos enchem a vida de sol (mesmo em dias nublados) só por dizerem olá.
Ele decidiu voltar depois de muita distância, depois de termos perdido a cumplicidade e a confiança, depois de se ter aberto um abismo entre nós sobre o qual parecia impossível construir pontes. Depois regressou aquele que me faz sorrir e está demasiado longe mas cujo abraço tanta falta me faz. Mais tarde espreitaste tu, sorrateiro como sempre, de maneira subtil, e o coração instalou-se-me de novo na garganta para não me deixar respirar.
Deles precisava, com urgância, de ti quero distância ou tenho medo do que possa acontecer.
* Abrunhosa

segunda-feira, 29 de março de 2010

He slept a summer by my side

He filled my days with endless wonder

(…) But he was gone when autumn came *

Sei que precisava da tua presença. Sentir-te ajuda-me a meter num cofre (que enterrarei) um passado doloroso já que de qualquer comparação sais ganhador. Mas se és impossível, se não podes ficar mais do que uma estação, valerá a pena mergulhar?

* "I dreamed a dream", Les Miz

sábado, 27 de março de 2010

Hipérboles e antíteses

Tudo é diferente agora. A pressão é incomparavelmente maior. Cada segundo relembra o tempo que se perde e todos os assuntos vão dar à mesma temática. Apetece gritar, apetece pedir silêncio, apetece sair de casa para não se sentir inútil mas estar longe de todos continua a ser a única opção. Sabe-se lá o que apetece: que o tempo passe rápido e a tortura acabe; que o tempo desacelere a marcha para permitir os últimos momentos de felicidade antes do desconhecido.

Quando uma das vozes mais doces sugere a partida como solução, ainda que sabendo que a intenção é o sorriso, é como se nos espetasse um espinho na carne e nos mostrasse que não somos necessários.

Fase Minimal

Será a falta de capacidade de concentração ou a peneira da autocrítica o que me resume a frases soltas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Damaged Goods II

Não se consegue enganar toda a gente o tempo todo. Talvez as saídas por que um dia lutámos não tenham sido as mais acertadas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Iced Me

Não é sim nem é não, ainda que saiba que o meio-termo não existe. Continuas a paralisar-me sempre que estás próximo; o teu cheiro, o teu sorriso e o teu toque são um veneno gelado que não me deixa responder.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Damaged Goods

A impotência de nos sentirmos humilhados e atacados onde mais magoa, a vergonha de não nos defendermos por não querer entrar em polémicas, e a cabeça a fugir sempre para a mesma frase por mais que a queiramos esquecer. É o que nos faz acreditar que não valemos a pena.

sábado, 20 de março de 2010

Mi silencio a tu mentira

Me asemeja más a ti* ?

Jamais saberei se disseste a verdade naquele dia – a pressão, os nervos, o meio, o momento, tudo foi errado. Há algo que me diz que foste sincero, que sou absurda na espera, que cada situação especial não passou de imaginação. No entanto, continuo a sentir-te vivo nas veias mesmo quando juro que só me apetece que desapareças.

* Idiota, Vega

Variações em desilusão menor

A dificuldade em usar possessivos acomodou-se há muito e apenas os pronuncio quando algo (ou alguém) me toca o coração.

Eram “os meus” desde o início, afastando outros três colectivos – que ainda que compostos por partes especiais não me faziam sentir tão em casa –, claramente, de forma injusta. Porque são doces, divertidos, têm uma união como grupo muito difícil de atingir e me mimam com a presença, a atenção e o bom humor.

Magoou descobrir que “os meus” a preferem. Chamem-lhe ciúmes, não me importo nem o nego, o monstro dos olhos verdes sempre gostou de me tentar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Parabéns Pedro!

Fizeste ontem um ano.

Já?

A maldita da distância, o cansaço, a crónica falta de tempo, são tudo desculpas que me dou a mim mesma quando penso que não estive presente neste teu primeiro ano de vida. Tinha planos para te ver crescer, para brincar contigo, para estar sempre que precisasses e todos esses bem-intencionados planos ficaram em nada. Soube pela tua mãe que já gatinhas, já comes bolachas, já te pões de pé e até já dizes adeus. E eu não te vi fazer nada disso.


Achas que me poderás desculpar, pequenino? Ainda me permites fazer parte da tua vida, mesmo sabendo (pelo que pudeste ver ao longo deste ano) que vou ser uma tia negligente que muitas vezes vai desaparecer porque não tem forças para fazer a viagem?

Ai se ela cai

Dava por si a pensar, com algum medo, se a necessidade que tinha de reler cada palavra não significaria muito mais do que lhe apetecia admitir. O crónico défice de confiança de que sofria tinha-a em estado de alerta a cada encontro - não se podia deixar arrastar pelas areias movediças que ele pressupunha.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mexerico

A minha vida sentimental é tão mais interessante na cabeça dos outros.

Palavras de outros I

Idiota

Por donarte cada esquina de mi cuerpo,

Por llevarte a conocer sus recovecos,

Te hice un mapa señalando donde herir…

Vega

“Idiota” - Metamorfosis

domingo, 14 de março de 2010



Não é Natal.
Não sou americana. Tu também não.
Não havia azevinho pendurado por cima das nossas cabeças.
Nem sequer estava ao teu lado.

Então, responde-me só a isto: para quê?

Engolir sapos

Instalada a paz podre, o mexerico e a queixinha, não é necessário muito mais do que o rastilho de uma crítica para que a guerra rebente. Ataca-se toda a gente, diz-se o que não se deve, tenta-se humilhar quem está ao lado, perpetua-se o clima do terror e do sarcasmo. Mascarando de brincadeira aquilo que se diz, vai-se insultando impunemente o vizinho.

E há os que têm de se calar porque as consequências das opiniões que lhes passam pela cabeça poderiam ser demasiado altas.

Still wet behind the ears

Tanto tempo, momentos e sensações e continuo uma adolescente amedrontada cada vez que te vejo.

sábado, 13 de março de 2010

Algo chiquitito

Havemos de continuar a fingir inocência para que isto não acabe. Ambos sabemos que no dia em que uma palavra mais clara te ou me abandone não haverá volta atrás.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Como que voltar para casa

Surpresas fantásticas são trazidas pela tecnologia. Quem diria que os tempos do Liceu se manteriam mais vivos através dela do que com o cara-a-cara tradicional.

Algo pequeñito


quarta-feira, 10 de março de 2010

Cuddling

Se depois os teus braços me apertam e o teu queixo encaixa no meu ombro, o mundo pára durante um segundo infinito e volta a fazer sentido.

Sommersby

Voltaste!
E é tão bom "ter-te" de novo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Pistas

Há um refrão com um pôr-do-sol domingueiro na baía de São Francisco que me apetece cantar baixinho para que apenas tu possas ouvir.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Já não era sem tempo



Não vi a cerimónia até ao fim, a vida de adulto e as responsabilidades profissionais já não permitem os excessos de ficar acordada (contente ou zangada, indignada ou com um sorriso) para saber tudo no próprio dia. Acabei de ver que Jeff Bridges ganhou (à 5ª nomeação) o prémio.
Não vi o filme mas depois dos Baker Boys, de Tucker, do Rei Pescador, de Star Man e de tantas e tantas outras enormes interpretações, alguém ainda duvidava que já era hora?
O dia do Colin chegará noutro ano :)




domingo, 7 de março de 2010

Slam

É a cabeça que me diz para não ir quando tu chamas, porque o outro tonto quer tanto sentir-te perto que nem se lembra do que dói quando desapareces.

I can resist everything but temptation *

O passado assombra, aparece, sorri, alegra, apraz. E caímos nos mesmos erros outra e outra vez à procura de recuperar aquela primeira sensação perfeita, aquele primeiro suspiro ao ouvido e aquele primeiro arrepio inigualável.

* Wilde, as (almost) always

sábado, 6 de março de 2010

Gilmore-fast


Continuará a surpreender-me a rapidez com que conseguiste conquistar a minha confiança.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lição Assimilada

Trabajo hecho, no mete prisa.

Inevitável?

Finalmente - depois de tantos anos - conseguimos estar de acordo: evitarmos o encontro é mesmo a melhor solução.

Em série



A felicidade canta-se em horário nobre, quando “falhados” perfeitos decidem sair do anonimato. Analisam-se mentiras de forma científica conseguindo fazer ultrapassar embirrações de outrora. A vida surpreende-nos com o inesperado de famílias desconhecidas e problemas de adolescentes grandes.


Longe das novidades, os clássicos. Continuam a descobrir-se crimes variados, há médicos que nunca perderão o mau feitio e ilhas misteriosas que nos hipnotizam.


E ainda dizem que (o “subproduto” que é) a ficção televisiva não merece a atenção que tantos lhe dão.



terça-feira, 2 de março de 2010

Ad Cum Plicare

Não passeio de mãos dadas e detesto demonstrações públicas de carinho. Não sou de palavras suaves, não suporto que me toquem, os elogios deixam-me desconfortável, ... mas o aconchego das tuas palavras e os teus votos de confiança são suficientes para me amolecer.

Vassalagem

Onde (já) irá o tempo em que foste o senhor feudal do reduto que sou eu?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Feito um Posseiro

Devagarinho, subtilmente, ele começou a ocupar o teu lugar na minha cabeça. Não te preocupes, o caminho até ao coração está-lhe interdito. Mas se ele não fosse tão mais impossível que tu, quem sabe o que o futuro nos guardaria?

E o sol espreita...

Nos momentos de dúvida, em que tudo se questiona, em que o cepticismo se instala, em que as cores se esbatem com a chuva e em que a cabeça cansada não consegue ir mais além. Em que se "confirma" uma realidade bem mais absurda do que aquela que surgia na imaginação mais audaz; em que nem escolhas, nem decisões, nem lutas parecem fazer sentido. Há meninos de 15 anos que nos escrevem emails assim:
Obrigado :)
Quem não veio as provas tanto orais como escritas, foi porque não quis, porque informação não faltou: nas aulas, no blogue, um e-mail... Obrigado também pela lista dos verbos, estás em tudo. Duvidei em responder o e-mail mas pensei que gostarias do meu agradecimento, além disso que é o mínimo depois do teu trabalho.
Assim, é normal que goste imenso de estudar a tua língua :)
Cumprimentos, XXX.
PD: as provas não foram tão dramaticas... Foram para mim, que sou novo e inexperto, tentarei fazê-las melhor em junho e passar ao 2ºNI ;) [sic]

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Momento épico

Durante 12 anos de estudo da língua inglesa muitos foram aqueles que me ensinaram. No entanto, se à maioria me refiro pelo nome ou pela identificação do ano em que convivi com eles, se a duas por quem tenho um carinho particular acrescento um diminutivo, aquela pessoa a quem referencio como "a minha professora de inglês" é só uma, e todos os que me conhecem sabem quem é.
Espero que a SPA não me venha pedir contas mas há dois dias, no inicio de um exame, tive a oportunidade de utilizar uma das melhores frases que lhe ouvi em tantos anos de convivência (e ao tempo que eu esperava para o poder dizer). Estando dois alunos descaradamente a bichanar, pus a minha melhor cara de intranquilidade e lancei do alto do meu 1,58m:
- Ai que despistada que eu sou, esqueço-me sempre de avisar isto: o teste é individual.
Embaraço, caras vermelhas, olhares na mesa.
Professora, a sua afinadíssima ironia continua a funcionar!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Compras para o espírito

O objectivo era










mas à falta da cor e do modelo desejado tive que me virar para as manias de sempre:

"Valores mais altos se alevantam"

Por fim há a certeza de que num universo reduzido não existe lugar para mim.
E, de súbito, tudo mudou.
A alegria esvaiu-se (valeu enquanto durou), o sonho estatelou-se ao comprido - ou será que foi quem sonhava que se esborrachou no chão? -, a vida assumiu uma monótona gama de cinzentos.

Por um canudo

Amanhã...

Águas de Fevereiro

Há um nó na garganta. Há um murro no estômago. Há vontade de lágrimas quando se deixa de ouvir a voz que nos acalma. Há sentir-se só no mundo quando se estende a mão e ninguém a toma na sua. Há o desespero. Há a estrada... ... ...
Há racionalizar. Há pensar em superação. Há querer muito, mesmo que se saiba que o futuro que ontem estava perto afinal ficou mais longe. Há a impossibilidade de um sorriso. Há o pensar em mil cenários. Há o ver que nenhum é perfeito.
Há uma cabeça a dar voltas e um abismo a abrir-se debaixo dos pés. Há a vertigem de cair.
Há ter a perfeita noção de que ainda que hoje nada seja o que ontem foi, há trabalho pela frente para ajudar a não pensar no pior.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Não quero mudar

Estava tão sossegada no meu cantinho, protegida pelas muralhas do meu castelo imaginário, até que chegaste tu. Sinto-me frágil, meço cada acto, penso e repenso cada conversa. Não me apetece voltar a abrir portas para que uma saída extemporânea me deixe um buraco na parede. Os buracos sentimentais são tão difíceis de tapar com tijolos e cimento.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Nem contigo, nem sem ti

Não podia acreditar quando as minhas suspeitas se confirmaram: enquanto estás eu não posso estar, quando vens eu tenho que ficar em casa. É curioso que depois disso, se sou vista com alguém tenhas guarda-costas de serviço para interromper.

Ciúmes por interposta pessoa

Sabes que é muito perigoso deixar que outros guardem aquilo que achamos ser nosso por direito?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Amanhã ao alcance

Quando o tempo de balanços recomeça, continuas a ser a primeira imagem presente na lista que há dentro da minha cabeça. Já não és o último pensamento ao deitar. Não sei se chegaste a ser o primeiro da manhã. Sei que nunca foste todo o meu mundo. Mas ainda assim, continuo a recordar-te no momento de pesar passado, presente e futuro.

Hoje o futuro parece mais próximo e tu já não tens lugar - nem mesmo como actor secundário - no meu guião.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Risk is just a board game

Ao apercebermo-nos que a armadura que nos envolve e os muros que nos protegem são tão fáceis de penetrar, sentimo-nos um bocadinho ridículos por anos de minuciosa organização estratégica.
Numa outra vida, num passado remoto, houve datas importantes que deixaram de ter significado. Houve canções que perderam o sentido. Houve palavras que nunca mais foram sequer iniciadas. Houve um mundo a desabar debaixo de um par de pés que não voltaram a encontrar chão seguro.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Auto-protecção

Não é fácil entender quando a razão nega respostas e é no (pouco trabalhado) campo dos sentimentos que se encontra a solução. Se aquilo de que se foge decide esmurrar-nos no estômago ou abraçar-nos com ternura, o resultado parece ser o mesmo.
O que fazer quando a cabeça pede causas para uma queda clara e, por mais que se vasculhe, estas não se encontram senão abrindo a caixa de pandora que nos vive no peito?

One of a kind


No canteiro em que vivemos, todos queremos marcar pela diferença, não percebendo que há muito pouco que nos distinga no meio da multidão. Depois há aqueles que por serem especiais sobressaem sem qualquer esforço - talvez por serem demasiado importantes para tantos acabem por se fazer notar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Rosinha


Chegar a casa e ler nos jornais que a prateleira da minha estante que lhe é dedicada não aumentará fez-me um bocadinho órfã. Habituei-me a vê-la na TV quando era pequena, ouvi e li-lhe a poesia ao longo de toda a vida, assistir ao crescimento da romancista foi uma experiência inesquecível. Recomendei-a mil vezes, a amigos, alunos, conhecidos; emprestei os livros como quem revela tesouros.

Relembro a última conversa no meio da Feira do Livro, enquanto me autografava o último dobrão de ouro:
Ela: Então? Outra vez por cá?
Eu: Pois é, já sabe que os fiéis somos assim, todos os anos a vimos visitar.
Ela: É muito bom saber que há quem goste do que escrevo.
Eu: Sabe que sim, tenho todos os seus livros.
Ela: Todos? E assinados?
Eu: Não, isso só os últimos.
Ela: Traga o resto da próxima vez.
Eu: Olhe que trago mesmo.
Ela: Fico à espera. Até para o ano.
Afastei-me com um sorriso, com a noção de que há rituais (como o da Feira do Livro) que nos dão alegrias inexplicáveis.
Em Junho, o Parque vai estar muito mais vazio. As letras portuguesas já estão mais pobres.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The only thing that matters is the everlasting present*

Hoje chegou o meu novo vizinho da frente, de ar simpático e pachorrento. As vizinhas do lado já não se sentem tão sozinhas. Há sol, há uma praia quase vazia a cinco minutos da escola, há vontade de abraçar o mundo.
*Somerset Maugham

Mais perto de Marrocos do que de Lisboa

Há dias em que o coração encolhe até não poder mais pela falta daqueles sorrisos rasgados e deliciosos que me acolhem cada vez que nos vemos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

I'm a fighter!



Everytime my phone rings and I see your name I start shivering. It's been too many years of torture having to put up with someone as mean and as vicious as you are.
Stop messing with my head! If you are as smart as you say you are, you should have got by now that the pain you inflict will never show.
You can win some battles, but the war is mine.

domingo, 24 de janeiro de 2010



O dia está frio. Pelo menos em casa.
Quando se passa a tarde a trabalhar - ultimando miminhos que ainda que não sendo essenciais marcam a diferença - sente-se ainda mais falta daqueles dias de piscina, descanso, calor, em que um livro, uns bons banhos e um céu azul pintado com guarda-sóis amarelos são o único horizonte.

Dose excessiva

Agora que aceito que não estás e já nem quero que venhas. Agora que sei que não és quem eu um dia sonhei que fosses. Agora que a gaveta no meu peito se fechou a cadeado e um sorriso me dança na cara pela sensação de liberdade. Agora que os meus olhos aprenderam a ver outras paisagens e a minha pele já admite outros toques. Agora que não sei de ti tranquilamente e perdi a necessidade de contacto.
Saio com um amigo e alguém tem de te trazer de volta, ainda que apenas em nome.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Colorín Colorado

Era uma vez uma menina que, como as meninas especiais que fazem parte do nosso imaginário de conto, era doce, gentil e sensível. O que acontecia era que a nossa menina se sentia protegida quando escondia tudo o que era detrás de uma armadura de seriedade e (às vezes mau humor). Os que a não conheciam afastavam-se, demasiado preguiçosos para tentar ver o que havia para além da capa protectora. Os que a conheciam tinham apenas uma certeza, todo o esforço que algum dia tinham depositado para conseguir saber quem é de verdade era recompensado a cada dia, com uma amizade sem medida e um carinho infindo.
"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa..." *
... que fez de mim uma pessoa única no mundo.
* obviamente Exupéry

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que me doeu foi ouvir que a pergunta tinha a tua voz.

Belated endings

I'm sure there must have been a moment when we agreed to stop talking to each other and I must have amnesia for that is the only reason I can conjure up to explain why I don't remember it.
You were there...
I arrived...
Void...
Your sheets...
Void...
In the morning the teasing made the awkwardness move away. I promised I wouldn't come back, you laughed at me.
Life drifted, it took us in its stride. My car...
The road... always the same road.
Your smile in my head.
Silence.
(Though I know my smell in your pillow left you awake for a few nights.)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

I really hate this time of the year.

Encómios

Quando o elogio vem daqueles que nos querem bem, aconchega-nos e acarinha-nos, como se nos abraçasse e nos ajudasse a ganhar a segurança necessária para continuar; mas se nos chega vindo de alguém que pensamos que não nos aprecia, insufla-nos o ego e faz-nos sentir no topo do mundo.
Porque confiaremos mais na opinião dos que não nos amam?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

The "Enemy's" Words

Had life a soundtrack, mine would obviously be taken out of musical theatre. You may call it an obsession, I believe it is what they call passion. For every significant moment, each second I'm out of words, some author/composer/lyricist has been able to explain it much better than I could ever have done.
Searching around in my DVD collection I came across a performance that made me recall him. It might not be the truth (anymore), but it made so much sense just a little while ago...
Bernadette is one of the perfect performers - the hands, the arms, the eyelashes, everything comes together with voice to make a timeless interpretation.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

S.S.



Quanto melhor te vou conhecendo e mais vou sabendo sobre ti mais me assusta a empresa a que me propus. Não é a quantidade de trabalho, não é a folha (ou ecrã) em branco, não são as infinitas páginas para ler, nem mesmo o acertar com vocábulos dentro de moldes determinados e rígidos. Não é a tua dedicação à palavra. Não é o teu contestado sentido de melodia. É a importância que tens - e eu não sabia - dentro de uma arte que amo; é o peso do teu legado que me faz duvidar a cada passo. Temo não te fazer justiça: nem a tudo o que és, nem ao tanto que te admiro.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fora de Tempo

You make me feel fantastic although I know I shouldn't feel that way. "It's just a feeling, no harm can come from that." - I repeat and repeat in my head every time the (damned) butterflies swirl in my stomach.
It's not the obstacles that frighten me - they're yours not mine -, it's knowing you could have been the one, if the timing wasn't so off.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Dunno


Am I really up to it?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

instantes

Foi no momento em que precisei de falar contigo e vi que o teu número já não estava na lista dos mais marcados do meu telefone, que percebi que tinhas perdido a importância.

Reset

Há, exactamente, dois anos comuniquei-te uma decisão que não consegui cumprir: continuei a cair na tua teia, a ceder aos teus avanços. "Ano Novo, Vida Nova", diz-se por aí. Acredito que este é o ano em que te vou apagar da minha vida.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

I wish / I will

A época de olhar para trás para poder enfrentar o que aí vem com força redobrada é também o momento privilegiado para pedir desejos e tomar decisões. Como na maioria dos anos à meia-noite, a ouvir badaladas, a comer passas e a saltar para o chão com a preocupação de cair com o pé correcto acabo por me esquecer daquilo que tinha pensado pedir ao ano novo. Assim, seguindo o exemplo da minha amiga Ati, vou deixar tudo escritinho.


1. Manter o local de trabalho, se possível mesmo depois dos concursos.
2. Atingir a estabilidade para que tenho trabalhado.
3. Conseguir cumprir os prazos estipulados, para não ter preocupações desnecessárias.
4. Que aqueles que amo tenham o melhor ano de sempre.
5. Ver com mais frequência os que estão longe.
6. Que as minhas enxaquecas tirem um ano (ou anos) sabático (s).
7. Que a estrada que todos os dias percorro fique terminada quanto antes.
8. Viajar para onde me apetecer.
9. Muitos concertos, muito teatro, muito cinema, muitos livros. (Espero que este conte como apenas um.)
10. Que te decidas e seja em meu favor.
11.Voltar a acreditar... em tudo.
12. Esquecê-lo de uma vez por todas.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

You don't bring me flowers ... anymore

Lembras-te da época em que vinhas ver-me apenas porque te apetecia? Em que me telefonavas sem teres que inventar desculpas? Em que não precisávamos mais do que a presença do outro para se nos eriçar a pele e o coração começar a galopar?
Ver como outros se oferecem flores sem razão aparente, como entralaçam mãos ao passear na rua, como se esperam avidamente ao fim de anos em comum, fez-me pensar em ti e em mim.
Onde ficaram os momentos que vivemos? É que já não os consigo encontrar: nem nas gavetas, nem na pele, nem no coração.

Cozy Moments


Depois de guardados os barretes de pai natal, de cantadas todas as canções, comidos os doces e a arrumação possível terminada, ficará na memória o momento das massagens, dos silêncios e do querer estar mais um pouquinho sem se saber muito bem porquê.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A todos um blá blá blááááá

E um 2010 bem fixe!

Harmonia familiar

O medo de estar entre (mais ou menos) desconhecidos dissipou-se com os sorrisos, as gargalhadas, a simpatia, a doçura, as piadas e os pratos de bacalhau. Se os amigos são a família que escolhemos, aqueles que nos tratam bem e nos adoptam passam também a ser (um bocadinho) parte de nós.

Chumba a minha mãe!

Pedia ela num sussurro para poder ter armas com que argumentar da próxima vez que lhe reclamassem uma melhor nota nesta ou naquela disciplina.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Catástrofes em potência

No espaço de uma semana sobrevivi a um sismo de 6.0, a um dilúvio e a um jantar de Natal na escola. Ou o Algarve vai acabar comigo em três tempos ou tornou-me imune a desastres naturais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

My Little Gentleman

Dá passinhos de bebé por um caminho de adultos, tropeçando aqui, recuando ali, avançando pouco para o que a idade lhe exige. Não se sabe se é medo de se magoar, se é falta de interesse na rota que encetou, talvez seja um crónico e infantil dispersar da capacidade de concentração que não lhe permite manter a meta clara e atingi-la decididamente.
A maioridade não o amadureceu, as mudanças de vida pareciam tê-lo feito - em atitudes, em reacções - mas é nos momentos mais íntimos que se revela verde no que às relações pessoais diz respeito. Gosta ainda que lhe prestem uma atenção desmedida, mesmo que para isso tenha que ser o bobo de serviço; não entende que rirem-se de nós não é incluir-nos. Precisa de agradar sempre, fazendo vénias indevidas, ambicionando ubiquidades, optando por pressão para não ter que assumir escolhas.
Vejo-o agora distante (ainda que os quilómetros não tenham mudado) e esforço-me para recordar se o que nos uniu foi real, se o que senti teve nexo, se o que vivi foi vida. Dou por mim a aplicar o pretérito a uma etapa que, até ontem, sentia tão presente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Being shy and being blunt don't make being social any easier.

Beijos que marcam

Não é a boca que te sente a falta, é a curva do pescoço que ainda guarda no núcleo de cada célula a memória da tua respiração no segundo anterior a te despistares. É a pele que se eriça com o teu cheiro se te aproximas negando ao cérebro a decisão que sabe inevitável.

O medo em dó maior

O medo de ficar perdida se me perder no teu corpo - mesmo que seja só (mais) uma vez - põe ponto ao querer.

sábado, 14 de novembro de 2009

Half timing, half luck

Houve um tempo em que eras o mundo dentro de mim. O meu caminho, a minha vontade, a minha voz eras tu e era bom vivermos assim juntinhos os dois. De repente, quis apagar-te de mim para poder seguir sozinha, querer melhor, dizer o que até então não tinha sido dito. Custou-me aceitar que não podia arrancar-te daqui, mas percebi que destruir-te seria arrasar comigo também e deixei-te ficar. Tu cá dentro e eu esforçando-me por sair de mim. Não sei ao certo quando foi que saíste por vontade própria. O espaço que era teu pertence-me novamente e não sei em quem te abrigas agora. Segui os meus próprios passos, encontrei novo ânimo, falei mais alto. Não me fazes falta. Mas hoje dei por mim a pensar que me faz falta a ideia de ti.

domingo, 8 de novembro de 2009

Don't kiss and ...


Sebastian Valmont: I'm sorry about that.
in Cruel Intentions (1999)

Se houver próxima vez não pares, não jogues, não peças desculpa, não fujas. Ter-te por perto é o suficientemente complicado sem que me toques.
E, desculpar o quê? Os anos, a proposta ou o momento? Nem sequer consegui perceber a frase quando a proferiste. Não foi entrega suficiente para ti? Esperavas mais?
Se me permites, uma última pergunta: sou eu?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ferramenta de trabalho

Enquanto sussurrarmos palavras de amor, fofocarmos, rezarmos ou conversarmos em português, a língua não estará ameaçada.
José Luiz Fiorin (professor e linguista brasileiro)

domingo, 1 de novembro de 2009

Quando te quero esquecer

na TV toca a nossa canção.

O(s) Santinho(s)

Nem sonhes que te baterei à porta numa qualquer manhã pré-determinada e esperarei que me ofereças as sobras que tens por casa. Mas se quiseres tocar à minha campainha um dia destes não precisas de trazer o saco de pano, convido-te a entrar assim que te vir desde a janela.

sábado, 31 de outubro de 2009

Decepção

Se o telefone não toca pensas no que se passou e conduziu ao afastamento. Já não precisas de explicações nem desculpas, precisas (isso sim) de saber onde te situar: acreditaste em vão uma vez mais, e quê? Não foi a primeira, - conhecendo-te como te conheço - não será a última. Porque será que necessitas de continuar a acreditar?

Chamem-me saudosista

Depois de ler esta notícia num dos meus "poisos" habituais, foi impossível não querer ouvir de novo as gargalhadas dela numa revisitação da melhor equipa radiofónica de sempre.
Caríssimo Pedro, como cliente antiga posso pedir este favorzinho, posso?

Curiosamente na mesma semana em que ela começou a cantar o "No teu poema" no meu telemóvel.

Sem tempo para olhar para trás

A mudança foi boa, ainda que tenha sido preciso adaptação. A fasquia posta lá em cima dá medo quando se vê desde o chão. Mas alçado o voo é respirar com calma, bater as asas com força e esquecer que houve algum caminho que se fez a planar.

Silêncios incómodos

De que se pode falar quando não se tem nada em comum com alguém?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Still...

Espero não te voltar a encontrar brevemente. Ver-te faz-me sentir um bocadinho Eponine.

Lea Salonga

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sábado à noite

Houve nervos e desorganização, querer estar em tudo e quase não conseguir. Houve bilhetes a mais e bilhetes a menos, "programas" artesanais roubados, chegar meia-hora antes e perceber que ainda assim tinha que controlar o caos. Houve surpresas vindas de uma passado recente (foi tão bom ver-te Guadalupe) e outras do passado mais longínquo. Houve amigos antigos e amigos novos. Mais do que tudo houve Deolinda em Cáceres, com casa cheia, com um público completamente rendido à simplicidade, à simpatia e ao carisma da banda.
Ficaram todos para o fim para a sessão de autógrafos, as fotografias e os dois dedos de conversa da ordem; tiveram que nos expulsar do teatro ou talvez lá tivessemos ficado o resto da noite. É bom sair de um evento meio trabalho, meio prazer com a descarga de adrenalina de saber que tudo correu sobre rodas, mas melhor do que isso, é sentirmo-nos em casa no estrangeiro, e no passado sábado à noite o Gran Teatro de Cáceres foi território luso.

Se levares pontapés no rabo não te rales, é porque vais à frente!

Quando a mesquinhez das pessoas que mal conhecemos nos reduz ao silêncio - a resposta seria dar-lhes demasiada importância -, primeiro vem a tristeza, o auto-exame, o querer vasculhar no próprio passado para encontrar uma qualquer pontinha de culpa que nos explique porquês. Depois, vem a raiva, a sensação de impotência, a necessidade de espernear e gritar ao mundo (aqueles que para nós interessam) que não há um fundo de verdade naquilo que foi dito. Como adultos que somos, mais tarde percebemos que o melhor é mantermos a calma e o silêncio porque se alguém sente que é preciso tentar pisar-nos é porque se sente ameaçado/a.
Curiosamente uma das frases que mais vezes ouvi ao meu pai, enquanto crescia, aplica-se a mim agora da mesma forma que um dia se aplicou a ele.

sábado, 17 de outubro de 2009

99

Entrar na ponte e ver Lisboa a anoitecer. Pôr-do-sol em sfumato. Procurar, tão rápido quanto a velocidade o permite, pelos Jerónimos ou pelo Palácio da Ajuda. As luzes que se acendem devagarinho a apagarem os contornos da cidade. O avião onde me apetecia estar a fugir. É bom chegar. Quase tão bom como partir. O aeroporto aqui ao lado e eu só quero entrar no primeiro avião que me leve. E partir novamente assim que chegasse. Faz-me falta a agitação dos aeroportos. E há tanto mundo por conhecer ainda. Para onde vamos agora?

18

Senti-me assim outra vez. Não passávamos um dia inteiro juntos há tanto tempo que não sabia sequer que tinha saudades. Ainda que faltassem os outros, os quatro que ali estiveram eram os mesmos das férias da nossa infância e adolescência, como se não tivéssemos crescido. E o regresso àquela simplicidade tornou o dia mais leve.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

13

És tu. Serás sempre. E a sorte que eu tenho em te ter como amiga?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

On my own

Lea Salonga (Eponine) e Michael Ball (Marius)
Les Misérables, celebração dos 10 anos
A little fall of rain can hardly hurt me now...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ilustração

Ainda está calor e a bicicleta continua encostada à parede. Ironia, pensar que o Sul é plano e não tem as colinas de Lisboa e depois descobrir que trabalho na rua mais íngreme da aldeia. Os dias começam luminosos, terminam tarde. A lista de coisa para fazer vai aumentando, o ânimo permanece intacto. E aquele esboço mental de vida em jeito de banda desenhada de há tantos anos vai mudando a cada vinheta. Há sempre tempo para aperfeiçoar.

domingo, 13 de setembro de 2009

Calcanhar de Aquiles

As curtas linhas que me escreves estão cheias de significados. Dúbias, imprecisas, dizem metade daquilo que poderia ser lido. Tento não pensar no que escondes debaixo das palavras, prefiro fechar os olhos ao que sei para não cair num labirinto de impossibilidades.

People who need people

Dizia ela no final dos anos 60 que são as que mais sorte têm. E eu, crédula, acreditei. Mas não é assim. Sorte têm aqueles que se dão por escolha e não por necessidade.
Precisar é o principal inimigo do orgulho.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Preocupações do momento

Se estes cabelos que varro todos os dias e deito para o lixo são realmente todos meus, como é que ainda não estou careca?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sugestão

Querida, tudo por ti e pelo sono do sobrinho mais lindo do mundo. Vê lá se te lembras...

Dame Julie Andrews, "Stay awake" in Mary Poppins
Se a psicologia invertida da "perfect nanny" não funcionar não sei o que te dizer, porque esta canção até a mim me faz passar para o mundo dos sonhos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Someday these shoes are gonna walk all over you

Depois do disco rodar no carro durante mais de um ano pensei que a menina dos sapatos vermelhos já não me iria surpreender.
Letras em dia - check
Músicas no ouvido - check
Viagem até Nisa - check
Um frio de rachar - check (damn!)
Pó q.b. - check
Right mood - more than checked ´
E não é que conseguiu!
A amplitude vocálica, a presença em palco, o extremo cuidado musical, as escolhas fora do repertório, o risco dos sons desconhecidos. O aconchego de saber que ainda há quem tenha a capacidade de nos arrancar sorrisos quando é o que menos nos apetece fazer.


* foto roubada aqui

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ladies and Gentlemen, Ms. Barbra Streisand once again


Sempre presente, a cada momento, à espera de que eu precise.

sábado, 1 de agosto de 2009

All superego

Já se instalou a noite quando estranhas pulsões lhe assaltam a mente. Sente-se impelida a aceder, a aceitar de modo complacente o que o corpo lhe exige. No momento do salto recua, e volta para o porto seguro que apenas o recalcamento consegue oferecer.