sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

After the rain

Gosto de ouvir chover deitada no sofá ou na cama. Dá-me a segurança de que preciso para continuar a acreditar e acreditando, ser feliz.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

22 de Dezembro

É a tua cara que está impressa (e não um número) na cautela de lotaria que o meu coração comprou.
Talvez a certeza do prémio retire aventura e risco ao jogo, mas sinto-me mais bafejada pela sorte com a calmaria mansa da tua mão a acariciar-me a pele do que com a perspectiva de inúmeros zeros à direita numa qualquer conta bancária.

Sinto-te em mim

Comecei a escrever-te há muito tempo, mascarando a segunda pessoa com outras caras por medo a que me achasses ridícula, a que te ofendesses, a que já não quisesses fazer parte da minha vida.
Agora o sol nasce todos os dias quando te levantas e adormece quando te deitas. A luz que irradias aquece-me a alma e apazigua-me os sobressaltos, arrancando-me sorrisos quando menos os espero. O teu toque desperta em mim mil vulcões subcutâneos e basta um suspiro teu para me entregar. A maneira como me olhas afasta as nuvens de dúvidas e incredulidade, e ainda que chova lá fora, no meu coração há um céu (ora azul ora estrelado) a colorir-me o caminho.

domingo, 28 de novembro de 2010

Depending on the kindness of strangers

Ficar fechada na varanda quando se está de pijama com uns 10 graus na rua e os vizinhos todos da aldeia a ver a maluca da professora a ser salva pelos bombeiros tem a sua piada. Ou não.
(Deve ter. Só isso explica que ainda me esteja a desfazer em gargalhadas apesar dos valentes euros que me vão custar os vidros duplos da cozinha.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Someone

Talvez ela tivesse razão na vez em que foi mais cruel.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E agora está na moda dizer que sou bruta

No meu mundo interior nada justifica uma mentira. Assim que, se vires que me esquivo, que respondo por meias palavras, que mudo de tema recorrentemente, não forces, não insistas... Quando não sabemos mentir lançamos a verdade como um murro certeiro sem nos conseguirmos controlar.

Percebi a tua importância no momento em que comecei a escrever sobre ele na 3ª pessoa.

I'm no Juliet

Não quero suspiros, nem promessas feitas ao luar. Não sonho com mãos dadas (de dedos entrelaçados), nem com passeios demorados em praias desertas, nem mesmo com juras verdadeiras ou não. Não desenhes corações a canivete em bancos de jardim ou troncos de árvore, não imagines cercas brancas, nem baloiços num quintal. Não exijo lugares-comuns nem paralelismos de carácter. Tu és tu, eu sou eu. Gosto das nossas diferenças.
Sei que não és fácil e já me disseram demasiadas vezes que não sei abraçar o que me é dado porque peço perfeições impossíveis. Não é verdade. Apenas quero sentir outra vez aquele choque eléctrico de alta voltagem que me perpassou o corpo na primeira vez que os nossos olhares se cruzaram; e senti-lo toda a vida porque continuas aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu não sei falar

Queria poder dizer-te muitas coisas que não sei expressar por palavras: que o mundo é diferente deste que passaste a fazer parte dele, que sou mais eu contigo e menos aquela que finjo ser, que se me afasto instintivamente é porque tenho medo de me envolver demasiado. Mas como as palavras jamais foram generosas comigo, resta-me esperar que entendas na minha atitude aquilo que nunca ouvirás (sair) da minha boca.

Classroom

É apenas quando entro por aquelas portas que as dúvidas desaparecem e me consigo entregar completamente. Não negarei nunca os momentos de pânico, os sustos, algum desalento que pode surgir. Mas são os sorrisos abertos com que sou recebida que me oferecem o "alimento" que preciso para não desistir.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem querer


O toque inusitado daquele dia em que o pôr-do-sol nos apanhou de surpresa continua a percorrer-me a pele como um arrepio. Cheira a terra molhada, a relva cortada, a cansaço e a complexidade: cheira a ti. E, sempre que fecho os olhos, ouço-te murmurar-me ao ouvido as palavras que deixaste por dizer e que apenas intuo quando te tenho por perto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E pluribus unum


Foi o tempo que dedicaste à tua rosa...

Fazes-me sentir especial. Não que me iluda pensando que me tratas de maneira diferente em relação a todos os outros: não acredito em quimeras. Sei perfeitamente que um dos teus dons é conseguires que aqueles que te circundam se sintam particulares na tua presença, pela doçura, pelo carinho e pela atenção que lhes dedicas. Sei que não me saliento de nenhuma maneira na tua vida porque sei quem são os que têm (e devem ter) esse lugar de destaque.

Porém, com o tempo que me dedicaste, com a segurança que me proporcionaste ao longo de todo este tempo, fizeste de mim uma entre muitos. Porque conquistei o meu lugar no teu pódio à custa do meu empenho, do esforço que fiz para que me sentisses única e isso tornou-me (aos meus próprios olhos) um ser especial, ainda que muito mais frágil e desprotegido.

domingo, 17 de outubro de 2010

Once upon a time

É difícil gostar depois de ti. Não posso dizer que me esgotaste, apenas sossegaste o meu coração no seu canto quando ele estava prestes a saltar para fora. Não me consumiste por dentro, só te aconchegaste no meu peito (como se ele sempre tivesse sido teu) porque te convidei para entrar. Enquanto tentavas tornar-te mais forte aqui dentro, eu tentava tomar as rédeas de um coração que não me obedecia. Era a troca perfeita, tu estavas protegido e eu apaixonada. Quando os papéis lentamente se inverteram, percebi que o espaço no teu peito era demasiado pequeno para mim. Deixaste-me inteira, não levaste nada de mim. Mas é difícil gostar outra vez depois de ti.

sábado, 9 de outubro de 2010

8

y después de un infinito de momentos, de alegrías, de lágrimas y de canciones, aquí estamos :)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Maybe it's the lure of the sea*

És doce, és suave, és delicioso. Sei resistir-te e sabes que me esforço por não ceder. Sorris, piscas-me o olho, tocas-me levemente. Sabes envolver-me e sei que finges que não dás por isso. És delicado, és subtil, és atencioso. Sei ler-te por linhas e entrelinhas e sabes que quase me convences. Seguras a minha mão, fazes-me rir, dizes as coisas certas. Sabes atrair-me e sei que me conquistas cada vez um pouco mais. Se fores, além de tudo isto, perseverante, um dia destes faço-nos a vontade.
*The Beautiful South, obviously

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Reality killed the spark

Num tempo e espaço que todos conhecemos havia um menino. Todos os dias, no caminho para a escola, mochila às costas e uma cabeça cheia de sonhos, passava pela montra de uma loja que o fascinava. Começou por se parar na frente do vidro durante alguns segundos, na semana seguinte já saía de casa cinco minutos antes só para poder estar mais tempo agarrado àquela imagem que o prendia. Um mês mais tarde tinha dito à mãe que preferia voltar para casa sozinho e que não valia a pena irem buscá-lo à porta do centro educativo, assim podia repetir o caminho e ficar parado um pouco mais, a vê-la.
Talvez as houvesse mais brilhantes, coloridas, resplandecentes, mas era aquela, aquela em concreto que o atraía. Não sabia se por estar no fundo da loja, encostada humildemente a uma parede enquanto as outras se exibiam orgulhosas para os clientes, se calhar exactamente por não se fazer notar ele a sentisse especial.
Um dia de Inverno, o dono da loja convidou-o a entrar. Estava a chover a cântaros lá fora e não fazia muito sentido que ele continuasse a espreitar através do vidro enquanto a chuva o ensopava. Não lhe perguntou nada. Ele, como se não pudesse evitar o movimento, sacudiu a chuva do casaco e aproximou-se da dona dos seus sonhos. Era perfeita para ele em tamanho, cor e personalidade. Foi incapaz de lhe tocar não fosse a magia quebrar-se. E assim, começou a entrar todos os dias, cada vez mais próximo, cada vez mais nervoso por a ter ali, quase à mão.
Surpreendido por ver aquele menino pequeno parado no meio da sua loja, mas sem querer intrometer-se naquela quase religião a que assistia passivamente todos os dias, o Sr. Domingos sorria ao vê-lo entrar diariamente.
Numa tarde, meses depois do primeiro dia, perguntou-lhe se não o queria ajudar a limpar o pó às bicicletas que vendia. O pequeno André ficou emocionado com a proposta, pegou no pano e quando ia a perguntar por onde começar o dono da loja indicou-lhe a bicicleta dos seus sonhos. Respirou fundo e passou-lhe o pano por cima como se tivesse medo de a partir, suavemente e com todo o cuidado. Deixou-lhe a campainha a brilhar e o selim sem dedadas, até os pneus tiveram uma atenção especial. A partir desse dia entrava sempre para a cuidar, já lhe tinha perdido o medo, já era quase sua.
Os pais começaram a surpreender-se com as ausências prolongadas do menino, até a professora se queixou dos atrasos na hora de entrada, ele que fora sempre tão pontual. Preocupados, decidiram seguir-lhe o rasto, já que ele se esquivava cada vez que tentavam perguntar-lhe alguma coisa. E foi então que o viram entrar na loja de bicicletas.
Tanto a Primavera como o aniversário do André estavam a aproximar-se e falando com o Sr.Domingos perceberam qual era a prenda ideal para o filho. Tiveram quase que discutir com o dono da loja, que como já tinha ganho carinho àquele menino subtil que começou por silenciosamente se apaixonar por uma bicicleta, mas que agora entrava diariamente a cantar e lhe fazia companhia durante as tardes solitárias de trabalho, quis ser ele a dar o presente à criança.
Chegou o dia especial. Como de costume o menino entrou na loja com um sorriso, cumprimentou o Sr.Domingos e dirigiu-se para o fundo da loja, para o lugar dela. Mas ela não estava. Virou a cara meio supreendido, meio assustado. Não conseguiu proferir palavra, apenas olhou com olhar de pergunta desesperada.
Sr.Domingos: Não te assustes, só te quis fazer uma surpresa. Como sei que hoje é um dia especial, os teus pais e eu... - e os pais apareceram - ... decidimos dar-te um presente também ele muito especial.
O pai trazia-a pela mão, com um enorme laço azul a decorá-la.
Ao contrário do que todos pensaram o André não correu desenfreadamente para a bicicleta atirando a mochila para o chão. Permaneceu no mesmo sítio, a olhar para os três como se não entendesse nada do que se estava a passar. A mãe disse-lhe com voz doce:
Mãe: Filhote, é tua, não tenhas medo.
Pai: Sim. Agora só tens de a tratar tão bem em casa como o tens feito até aqui.
E por fim o menino falou.
André: Mas eu não a quero, eu nem sequer sei andar de bicicleta. - E saiu pela porta que até aí albergara o seu maior sonho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não digas nada

No instante da empolgação maior, em que os cérebros já não controlam os corpos e estes, como zombies, apenas reagem ao desejo sem controlar movimentos involuntários, disseste a pior frase do mundo. Porque aquele pronome e verbo recíproco são matreiros, enganam-nos, principalmente se proferidos quando não são palavras o que as bocas procuram.

domingo, 5 de setembro de 2010

Abracadabra

Quando o génio da lâmpada lhe perguntou pelos três desejos a que ela tinha direito, contou o que lhe passava pela cabeça e os obstáculos que esta impunha aos caminhos (tortuosos) dos sentimentos. O homem imaginário ouviu com atenção, esperando poder encontrar naquele novelo de confusões um fio desenleado que o ajudasse a descortinar-lhe as três vontades supremas.
- O que eu quero saber é: se fizer o que o instinto me pede, conseguirei pôr o coração numa prateleira e esquecer-me de que existe para não sofrer depois? E se assim não for, arrepender-me-ei a vida inteira por ter dito "não"?
Depois de muito pensar, o génio disse:
- Tens a certeza de que não preferes uma gruta cheia de tesouros?

Miranda's wisdom


Because it is not a time to chat. In fact, it's one of the few instances in my overly articulated, exceedingly verbal life where it is perfectly appropriate - if not preferable - to shut up. And now suddenly I have to worry about being stumped for conversation? No, thank you!



Será que alguém em Marte consegue prestar atenção às lições de quem sabe o que diz?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Summer confessions

Não escrevo porque não quero que desconfies que só me apetece escrever sobre ti.