domingo, 24 de abril de 2011

Dúvidas existenciais

Jamais entenderei como se passa do amor ao ódio. Como o rancor se instala no coração, antes aberto, fechando-o àquela pessoa que há nada de tempo diziamos ser o nosso motor e a nossa paz.
Se for mais fácil parar de sofrer dessa forma, avisem-me porque tentarei adoptá-la no futuro. Enquanto não mo provarem, prefiro passar mal agarrando-me ao bom, do que procurar o mau para seguir em frente.
O teu coração é tão bonito e eu sei disso porque já o vi, não permitas que sentimentos feios e escuros tomem conta dele e to magoem ainda mais.

Longe de ti

As noites em branco, o negro do dia... *

As insónias que me assolam fazem com que os dias sejam muito longos e mais difíceis de aguentar do que antes. É, ao mesmo tempo, óbvio que se a fé na manhã seguinte não existe, não vale a pena dormir para que o sono não nos atormente com passados felizes. Todos os dias peço para não sonhar, para que Morfeu não me traga a tua imagem de que fujo a cada momento desperta. Mas o deus do Olimpo não só não me respeita a vontade como me tortura. Sonhar contigo durante as poucas horas que durmo, e a felicidade que isso me traz, é o suficiente para no dia seguinte te sentir ainda mais violentamente a ausência.

* Longe de ti, Império dos Sentados

sábado, 23 de abril de 2011

O paralelo da amizade

Uma vez mais, depois de alguns anos, tivemos uma conversa como as de antes. Corações na mesa, ao lado dos copos de Coca-cola e das pipocas que insistiram que comêssemos, pousados com as mãos a tremer e o receio dos ouvidos alheios. Os nervos à flor da pele, o medo de passar limites, porque a antiga confiança tremera a determinada altura. É curioso que continuemos a viver vidas paralelas e que o acontece a um acabe por de alguma maneira acontecer ao outro, como sempre aconteceu no passado.
Ontem encontrámo-nos em histórias parecidas ainda que desempenhando papéis diferentes, desta vez. Foi tão bom voltar a confiar, foi tão bom ver que ainda nos aceitamos como somos e gostamos um do outro, sem julgamentos apressados, nem sentenças penosas.

Memória corporal

Porque será que o corpo nos trai quando a cabeça está a fazer o esforço hercúleo de se encaminhar para a saída?

Com lupa

Procuras, rebuscas em palavras passadas razões, defeitos, erros maiores ou menores. Se há coisa que não permito é que falem mal de ti e não te busco problemas no carácter. Muito provavelmente porque, ainda que tudo se tenha perdido, não admito pensar que não foi real enquanto durou.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A tua presença

Não consegui ouvir música durante três semanas, porque havia uma única canção que me martelava e martelava a mente. Tinha-a conhecido há uns dias e, para mim, tinha tua voz ainda que me descrevesse a mim.
Agora ouço tudo o que encontro que seja anterior ou posterior a ti, evitando o que partilhámos. E, ainda assim, encontro em cada letra e em cada acorde das canções que nada têm a ver contigo, algo escondido que me lembra de ti.

E entrou em cena o sentimento de culpa

Às 8h de há um mês a vida começou a acabar. Acreditei, sonhei, pensei que as decisões têm volta quando se ama, e pela primeira vez durante uma vida tive fé no sentimento maior. Tentei respeitar os pedidos que me fizeram ainda que os não entendesse, mas a incoerência entre as palavras e os actos alimentavam-me a esperança.
Parece que interferi quando quis respeitar, que fiz mal quando queria manter-me na sombra, a criar ilusões com apenas uma ténue espectativa. Resignei-me a ser a segunda opção enquanto todos os meus me criticavam por ficar, por esperar, por não querer abandonar tanta felicidade que tinha sentido, por não cortar radicalmente.
Nunca desejei roubar a luz a quem me iluminou a vida, somente ansiei poder continuar a sonhar, em silêncio. Vi portas abertas em rachas na madeira por tanto ambicionar fazer-te feliz. Não sabia que não me estavas a acolher de novo pois tive fé pela primeira vez depois de tantos anos de deserto ateu.
Quero que sejas feliz e tinhas-me repetido tantas vezes que eras feliz comigo que não podia não lutar, não esperar, não podia desistir. E não lutei, só esperei.
Sei agora que não me abrias os braços quando te aproximavas e que errei na leitura das tuas acções, prometo que não fiz por querer fazer mal. Sabes perfeitamente que não sou assim. Manter-me-ei afastada, a tentar lidar com este sofrimento e esta sensação de vazio que me atormenta desde que te foste, pois sei que se me culpas é porque, muito provavelmente, já não me queres.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para os que já não conseguem sonhar


[...] But there are dreams that cannot be,
And there are storms we cannot weather!

I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living,
So different now from what it seemed...
Now life has killed the dream I dreamed...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mudaste-me a vida!

Se é que ainda não o sabes, quero que tenhas essa certeza. Cresci, entreguei-me, amei, tenho sofrido, muito, mas o mais importante é saber que vivi. Vejo, agora, o mundo com outros olhos, os objectivos alteraram-se, penso em coisas que jamais me tinham passado pela mente e espero ansiosamente pelo futuro. Quero saber o que me guarda, quero assegurar-me de que é melhor do que este presente em que vivo, quero lutar, quero ser feliz.
Obrigada por me teres mostrado que é melhor viver um momento de suprema felicidade do que uma vida inteira de sobrevivência, ainda que haja dor, ainda que o sofrimento nos assole até um extremo inaudito, pelo menos sentimos. Despertaste-me os sentidos e com eles abri os olhos para o mundo. Uma vez mais obrigada, a verdade é que não podia continuar naquele estado de latência em que me conheceste: sou melhor depois de ti, ainda que partida em pedaços.

Taking care of me

Há que parar com as lágrimas e enfrentar o futuro com um sorriso. Talvez tudo tenha sido positivo e as novas oportunidades, mesmo ao virar da esquina, tragam alguma felicidade.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mafalda Veiga

No Casino de Lisboa houve uma noite especial, fez ontem exactamente um mês.
Especial porque vi a Mafalda ao vivo pela primeira vez, especial porque cantou todas as canções que eu tinha pedido, especial porque quando se faz planos durante muito tempo e a realidade os supera é fantástico, especial porque o dia antes da noite foi o mais especial possível. Especial porque antes de tudo desabar, houve este dia e esta noite, e nesse momento eu ainda acreditava que tudo era maravilhoso e eterno.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

And still...

Depois de dois dias sem conseguir publicar nada... e de quase um mês sem ser capaz de ouvir a minha diva favorita, era inevitável a Barbra voltar à minha vida.


sábado, 16 de abril de 2011

O mundo ao contrário

Porque é muito difícil fazer com que os dias que eram especiais voltem a ser iguais a todos os outros.
Sé que todo va a seguir como si nada.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Minha pequenina (Mery - a minha sobrinha de adopção)

Ainda sonho que me procurarás um dia e farás todas as perguntas que precisas de fazer. Gostava de poder dizer-te o tanto que gosto de ti e que para mim nada mudou entre nós ainda que não nos possamos ver. Queria continuar a ser o teu apoio, a tua confidente, a pessoa que te adora incondicionalmente e que não duvidas de nada disso. Sei que não me posso aproximar, pois tal atitude impensada e impulsiva despoletaria uma guerra onde as duas perderiamos ainda mais do já perdemos até agora.

Mas preciso que saibas que estou e estarei aqui sempre, como te disse tantas vezes que estaria e tu acreditaste. E que saibas também que em minha casa não haverá tulipas até que tu as pintes.

domingo, 10 de abril de 2011

Hiraeth


Sinto a tua falta nas pequenas coisas. Na voz de manhã cedo ainda endorminhada. No copo de água que bebes nada mais acordar. Nos caracóis ora perfeitos, ora selvagens. No sorriso franco e doce. No ter alguém com quem partilhar esperanças e medos, expectativas e fragilidades. Nos planos que quase não fizemos. Nas viagens que não se cumpriram e nas memórias das reais. No teu cheiro que às vezes ainda encontro. No carinho. Nas sensações de olhos fechados para que fossem intensificadas. No coração puro e generoso. Nas palavras únicas e repetidas em que acreditei com toda a fé que ainda me restava. Em tudo o que não te disse e queria contar agora, que já não posso. Nas refeições. Nas carícias. Na cumplicidade, nas lágrimas e nos picos de felicidade. Nos passeios. Nas fotografias. Nas flores. Na música que rejeito porque toda ela grita o teu nome. Nas perguntas de todos quando não estás. No teu toque ainda pousado na minha pele. Na vontade de ser melhor por e para ti.

Em tudo isto e em muito mais.

Sinto a tua falta em cada recanto do meu corpo e do meu mundo e dói tanto saber que não irás voltar.

sábado, 9 de abril de 2011

Trabalho

No Nivel Intermédio de exigência de português há que aprender a manejar o modo conjuntivo.


Talvez por ser arma de trabalho, talvez porque o momento assim o exige, sofro na pele todas e cada uma das incertas utilizações do modo verbal, apenas sonhando com o dia em que ele deixe de ser imperativo na vida e passe a indicativo seguro e sem dúvidas.

???

Que importância tem o que te dizem? Uma opinião (real ou não) é a verdade? Se pedisses outras talvez percebesses que há outras verdades. Porque é que deixas que o mundo se meta quando eu estou a tentar não incomodar? Não arremetas contra quem te quer sem pressões nem "diz-que-disses".

o passar dos dias

Houve um dia 9, um dia, em que fui muito mais feliz do que hoje. Em que se criou uma nuvem que nos elevou do chão e nos teve a pairar durante horas. Houve um outro dia 9 em que acordei contigo ao lado, e nenhuma tristeza no mundo me vai conseguir tirar essa recordação. Houve ainda outro dia 9 em que festejámos os outros dois dias 9, pensando (ou sonhando) que se repetiriam por muito tempo.

Este dia 9 acordou cinzento, triste, macambúzio, talvez porque já não estás na minha vida, talvez porque a dor o tenha assoberbado e não permita que o sol o ilumine para não me fazer sofrer ainda mais.

Polémicas à parte

Se gostos não se discutem e todos temos direito a guilty pleasures este é um dos meus, assumido e sem dramas. Apaixonei-me pela voz na adolescência e ainda hoje me faz vibrar uma qualquer cordazinha interior que não sei onde está.

Sei que vem a Lisboa, sei que gostaria de o ir ver, também sei que se não posso ir contigo, de mãos dadas, como da última vez, provavelmente prefiro não ir.

Com qual deles ficarias?



Há tantos anos que não ouvia este senhor porque meti na cabeça que era apenas música de elevador - os preconceitos de cada um - e hoje voltaste a fazer-me ouvi-lo e trouxe um sorriso à minha solidão.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Far away

Nove meses depois assisti à celebração que tanto querias fazer e que tanto rejeitei. Não queria festejar, não tenho razões para tal, o processo foi duro e pouco bonito - continuo a achar que a vitória final não justificou o sofrimento da corrida. E apesar de saberes que para mim era um dia especial, apesar de me teres dito que estarias, foste-te embora antes que eu chegasse, muito provavelmente para não me veres. E eras a única pessoa que eu queria naquela sala, mesmo que fosse ao longe.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Declaração de intenções

A paciência é uma virtude, principalmente quando de amor se trata. Não consigo dizer para sempre mas não duvido do por agora. Espaço e tempo são necessidades imperiosas para as tomadas de decisão.

Against all odds

Tanta liberdade, tanto não pedir, tanto não dar o suficiente, fizeram com que te fosses sem volta. E queria tanto falar-te, dizer-te que estou aqui ainda (mesmo que não pareça porque estou triste e magoada), que te quero ao meu lado, que estou pronta para dizer em voz alta tudo aquilo que não disse por vergonha, pudor e medo de que te decidisses (só) por minha causa. Se um dia mo permitires, fa-lo-ei. Não suporto ver-te triste e a sofrer. Quero dar-te a segurança necessária para que entendas que os sonhos se podem realizar e que podemos ter um futuro feliz.

Não quero isto!

As palavras (mais ou menos) duras que nos dizemos, os silêncios incómodos, os olhares no chão, os temas proibidos, a dor tão profunda que adormece os sentidos e faz proferir frases impensadas que são como punhais. Tudo não passa de uma ressaca, de uma necessidade extrema de te sentir perto. De um querer gritar-te mil e uma vezes mais o que sinto por ti, ainda que saiba que já não te interessa e que avançaste na vida, sem mim.

domingo, 3 de abril de 2011

David sem Golias



De que serve ser Quixote, se o fidalgo de la Mancha não era mais do que um insano, louco, apaixonado e delirante velho que não entendia que as ameaças reais são as que não vemos? Lutei contra moinhos, intensa como sou, suponho que o voltarei a fazer nas mais diversas áreas da minha vida já que não desisto facilmente. Porém, quando nos esfregam as quimeras na cara, não temos mais hipótese do que vê-las como as miragens que são, assumir a derrota, levantar a cabeça e pensar que se a luta não valeu a pena, valeu aquilo que nos impeliu a lutar.

C.

Partiu-se, quebrou-se, rompeu-se, agora é tentar recompor-lhe os pedacinhos com a melhor cola do mercado e esperar que não volte a cair em mãos descuidadas.

sábado, 2 de abril de 2011

Happy?

Segundo a segundo, a tristeza foi-se instalando na casa da alegria. O sono fugiu, o cansaço chegou, os sorrisos mudaram-se para parte incerta. A comida recusava-se a entrar e havia momentos de silêncio ocasionados por um alheamento quase total da realidade. Cada notícia que chegava não fazia mais do que arrastar lágrimas, dúvidas e vontade de desaparecer.

Os habitantes da casa tinham graves problemas de comunicação: o C. queria ficar, esperar por um futuro quimérico (em luta contra moinhos, em defesa daquilo que não quer ser protegido) com uma esperança de alegria que se desvanecia suavemente; a C. assentia que sim, afirmava que era o acertado a fazer, que deixarmo-nos levar por sentimentos como o orgulho não leva a muito e não ajuda ninguém; por seu lado, o I. - morador mais antigo e precavido do lugar - acautelava, repetia que nada mudaria, que era um desespero continuado a que mais valia dar ponto final. Não se gritavam, mas ouviam-se pouco, e assim, deixando arrastar os dias, sonhando com impossibilidades, agarrando-se a migalhas, foram deixando que a casa começasse a ter rachas, não lhe retocaram a pintura, não a cuidaram o suficiente. E ela foi caindo, caindo, caindo, até desabar completamente numa tarde de Primavera, já sem ilusões, resignada e a sobreviver por não saber fazer outra coisa.

Palavras que caíram em desgraça

Amante é aquele que ama, não aquele que trai.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Resignação

Esperar não é uma escolha, é um destino traçado nas estrelas enquanto te amar como hoje.

The last kiss

Os últimos beijos, quando são os últimos, têm toda a carga e a intensidade de os corpos e as cabeças saberem que não se irão repetir.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Seré Madrid?



Siempre los cariñitos, me han parecido una mariconez...



Porque os bons momentos são para recordar ainda que magoem a alma e descobri nesta canção uma voz tão especial que continua a conseguir descrever-me dentro da minha cabeça.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os teus medos

O que quero é a paz do quotidiano, do dia-a-dia impensado e desfrutado como se o amanhã não fosse uma questão. Não preciso - nem quero - mais do que aquilo que me dás, porque me sinto completa com o teu amor, este sentimento avassalador que me tomou de surpresa e não pára de me encher de alegria.
Tudo o que te parece um desejo óbvio, uma ambição aceitável, para mim simplesmente não é (a subtileza da não existência), porque a ser desejo e ambição, não seria contigo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Late awakening

Tomaste de assalto o meu corpo inadvertidamente. Tentei impedir este roubo impiedoso com as armas que tinha. Mas tu consegues ver que também posso ser doce por baixo desta crosta insensível. Consegues ouvir o que não ouso revelar. Consegues descobrir porque me escondo por trás deste muro. Consegues sentir o meu medo a espreitar em cada sorriso. Consegues antecipar as minhas quedas para me protegeres de mim mesma e do mundo. Consegues calar as minhas dúvidas nos teus lábios. E porque também consegues derrubar todo este orgulho ou ingenuidade sem provocar danos, não estranhes que o meu corpo queira viver no teu peito de agora em diante.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Todo

Não te quero pela metade, quero tudo.

A completude é-me oferecida pelo teu olhar transparente, pela tua mão a procurar-me, pela boca urgente de desejos, pelo modo como me embalas, pela tua pele sobre a minha, pela voz com que me dizes as mais belas palavras de amor.

A insegurança arrasta o medo para fora da caverna onde, com cada beijo, o encerrámos. Se sei o que me enche a alma e não duvido do que por mim sentes, porque permitirei à falta de confiança que me murmure aos ouvidos frases absurdas que me assustam?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Till there was you

domingo, 6 de fevereiro de 2011

I miss you more than ever...

Coisas de flores


Gosto de rosas brancas e de orquídeas, de hortenses e de miosótis, mas ofereceste-me uma flor e se já antes ela me fascinava pelo grito de revolta que representa com toda a sua cor e a sua força, agora é ainda mais significativa. Contudo, se te pudesse descrever através de um membro da flora seria com esta: pensamiento, pensée, pansy ou - em português, língua em que o nome é muito mais adequado - amor-perfeito.

domingo, 30 de janeiro de 2011

The F Word

É impossível pensar nele e ao mesmo tempo ronda-me os sonhos, escapa-se em frases, vejo-o nos teus olhos. Não dizemos tudo embora o partilhemos. Não fazemos planos e, no entanto, os desejos que proferimos vão-lhes ao encontro recorrentemente. Às vezes penso que a vida é injusta por não podermos viver sem pressão, na maioria acho-a perfeita porque te encontrei.

Vamos fazer desta palavra que não dizemos um verbo iniciado com a mesma letra: fica comigo para sempre, e não se fala mais nisso.

sábado, 29 de janeiro de 2011

La(s) frase(s) tonta(s) de la semana *

Mientras escribo sobre la arena...



Se soubesses que não consigo parar de ouvir a canção que me repetiste cem vezes num dos dias em que te sentiste só ainda que estivesses comigo... Se soubesses que me dói ouvi-la (pelo que diz do que passaste) mas que ainda assim o faço porque me ajuda a sentir-te aqui... Se soubesses que foi essa canção que me mostrou o quão perto estás e há quanto tempo... Se soubesses que jamais poderia estar melhor se te fosses... Se soubesses que nada seria igual sem ti... Se soubesses que sonho com que me acordes todas as manhãs da minha vida... Se soubesses que preciso que me dês a mão quando cair e que me apoies e que me guies... Se soubesses como sei o que é viver de sonhos... Se soubesses da falta que fazes... Se soubesses o que me vai no coração, o como está cheio da tua imagem... Se soubesses a importância do teu amor... Se soubesses que sou feliz só por pensar em ti... Se soubesses que embora penses que os meus olhos te dizem coisas que não sinto, estou contigo em todos os momentos... Se soubesses que a tua cidade (uma autêntica desconhecida) passou a ser bonita apenas porque nasceste nela... Se soubesses... tudo o que não te sei dizer, mas espero conseguir mostrar.
Talvez te assustasses, talvez te alegrasses, talvez me sentisses mais perto ainda, talvez me conseguisses amar mais.
E uso o tempo e o modo da impossibilidade porque não sei se acreditarias em tudo isto e na intensidade com que me dou, porque dessa só eu é que sei.
* da canção homónima dos já saudosos La quinta estación

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

On cloud nr. 9

Tens as tuas prisões e eu as minhas, mas algures no meio, onde a tua vida se encontra comigo, há uma rua maravilhosa onde sei que podemos ser felizes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pretending

E agora vamos fingir que hoje é ontem. Vamos fingir que não estou aqui e sim contigo. Vamos fingir que já não vivemos longe uma da outra (primeira razão para a criação deste blogue) e que continuamos a conseguir estar presentes como sempre (o nosso sempre). Vamos fingir que a minha cabeça ontem não estava a mil à hora e te dei os parabéns como deve ser. Vamos fingir que me disseste com todas as letras a tua prenda ideal e que eu vou conseguir cumprir os teus desejos. Vamos fingir que a vida não é isto, a distância, o caminho, a estrada, o querer estar sem poder, ...
E porque continua - e continuará sempre - a ser verdade:

Where you lead, I will follow, anywhere that you tell me to,...

Parabéns de novo, Jess, é um luxo ter-te de amiga!!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

En mis pensamientos

Mi corazón está contigo, ahora y siempre, porque eres importante, porque te llevo conmigo a todas partes, porque tu amistad me hizo crecer y madurar, porque solo tu y yo entendemos tu y yo y lo que eso significa.

Dezasseis

“– Um dia destes dou-te um beijo!”

Foi, com uma frase simples, tão directa e incisiva como tu, que me fizeste acordar do torpor a que o hábito e (principalmente) a racionalização me tinham relegado. Não sei se foi um aviso ou um desejo dito em voz alta que, por tanto se sentir enjaulado no caminho entre o cérebro e a garganta, exigiu liberdade. Sei que saiu assim, urgente, pensada e impensada ao mesmo tempo, e depois vi-te um sorriso mais leve, uma expressão (ainda) mais doce, de quem se livrou de um fardo demasiado pesado para o continuar a carregar na alma.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Razões

É por não ter muito mais para te oferecer que te escrevo. Posts curtos, longas cartas, bilhetinhos engraçados e sms sugestivos são a artilharia “pesada” com que te quero continuar a conquistar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Anáfora II

E ela repete-se, e juntas brincamos a encontrar a música interna dos meus pensamentos.

Anáfora

Sempre achei admirável uma boa metáfora. Apaixonei-me pela vertigem de sensações que oferecem as sinestesias assim que as conheci. Uma imagem forte toca-me um guizo cá dentro que me faz vibrar. Consegui, contudo, a tropeçar uma e outra vez pelo caminho tortuoso e difícil da escrita, descobrir a minha figura.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O telefone tocou e não eras tu

Tenho de me habituar a esta sensação de vazio que me aperta o peito quando tu não estás.

Preciso que pegues em mim, me ponhas no teu colo, me envolvas nos teus braços e, enquanto me alisas o cabelo, me digas que está tudo bem. Talvez não consiga dormir porque a cabeça não pára, talvez seja por ter o coração apertadinho, talvez precise de ti ao alcance da minha mão para estar segura de que a tempestade vai passar sem danificar nada.

O contacto com a tua pele acalma-me os terrores, faz com que surjam arco-íris, faz-me ser uma melhor versão de mim mesma. E como basta ter alma para desejar, vou fechar os olhos e sonhar que estás aqui; pode ser que assim o sono volte.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aquella noche fue la vez que más cerca estuvimos de enredarnos en un beso,
de mezclarnos bien por dentro.

Aquella noche fue la vez.

Vou substituir o breu da noite pela luz de uma longa e gloriosa manhã e acreditar que a Mai escreveu estes três versos só para nós.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Parte (in)completa

Nos momentos de reflexão penso no mal que te posso ter feito, no tempo que levei a entender-te, em como ignorei sinais mais e menos claros, em como tive medo e me escondi deixando sempre uma mão de fora para que a tomasses entre as tuas. E dói. Arde como o álcool que se deita nas feridas porque a última coisa que desejo é magoar-te, ainda que a culpada tenha sido a minha falta de perspicácia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Autocarros

Por alguns esperamos tempos infindos e é apenas quando nos cansamos e viramos costas para empreender o caminho de uma qualquer outra forma que aparecem ao virar da esquina, devagar, como que a piscar o olho para que voltemos para trás. Outros tentam indagar a medo se estaremos ali somente e se não nos importamos de embarcar neles para um passeio desconhecido. Depois há aqueles que dobram a esquina decididos sem que saibamos que estiveram muito tempo escondidos a tentar ganhar coragem para avançar. E por fim há os que vêm do nada, de uma origem insuspeitada porque aquela nem era a rota que tinham traçada, e nos surpreendem tanto ao chegar como ao partir.
Felizes somos quando, por já sabermos que caminho é nosso, esperamos sentados tranquilamente por aquele transporte especial que nos levará ao único sítio onde queremos ir.

Sou mais feliz...

... quando o teu céu é o meu céu, quando o sol que te ilumina também me dá calor, quando a chuva que me empapa te salpica a pele, quando estás aqui e não em qualquer outro lugar.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Post azul turquesa

Lamento a má educação aos restantes leitores do Figuras mas este post é para ti.
Se um ano anterior te tinha apresentado, 2010 trouxe-te para mim e descobrir o mundo entre os teus braços tem sido a melhor viagem da minha vida.
A beleza que é tão tua, o cheiro da tua pele, o toque das tuas mãos, a suavidade dos teus lábios, os teus olhos nos meus, o sorriso maroto, a compreensão, a cumplicidade única, consigo sentir tudo isso - e sentir-te a ti - sempre que fecho os olhos e respiro fundo. E continuo a arrepiar-me até à alma quando te imagino.
Sempre que estás o mundo pára e esquece-se de nós, e nesse momento único (porque todos o são ao teu lado) vivo por e para as sensações, por e para os sentimentos, fujo de mim mesma e entrego-me inteiramente a ti. Não me importo de me perder, a compostura e o recato deixaram de fazer sentido, e se a timidez me assola de novo por um segundo sabes afastá-la com o teu carinho.
Para este 2011 resumi os doze a um desejo: tu na minha vida, para sempre.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

After the rain

Gosto de ouvir chover deitada no sofá ou na cama. Dá-me a segurança de que preciso para continuar a acreditar e acreditando, ser feliz.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

22 de Dezembro

É a tua cara que está impressa (e não um número) na cautela de lotaria que o meu coração comprou.
Talvez a certeza do prémio retire aventura e risco ao jogo, mas sinto-me mais bafejada pela sorte com a calmaria mansa da tua mão a acariciar-me a pele do que com a perspectiva de inúmeros zeros à direita numa qualquer conta bancária.

Sinto-te em mim

Comecei a escrever-te há muito tempo, mascarando a segunda pessoa com outras caras por medo a que me achasses ridícula, a que te ofendesses, a que já não quisesses fazer parte da minha vida.
Agora o sol nasce todos os dias quando te levantas e adormece quando te deitas. A luz que irradias aquece-me a alma e apazigua-me os sobressaltos, arrancando-me sorrisos quando menos os espero. O teu toque desperta em mim mil vulcões subcutâneos e basta um suspiro teu para me entregar. A maneira como me olhas afasta as nuvens de dúvidas e incredulidade, e ainda que chova lá fora, no meu coração há um céu (ora azul ora estrelado) a colorir-me o caminho.

domingo, 28 de novembro de 2010

Depending on the kindness of strangers

Ficar fechada na varanda quando se está de pijama com uns 10 graus na rua e os vizinhos todos da aldeia a ver a maluca da professora a ser salva pelos bombeiros tem a sua piada. Ou não.
(Deve ter. Só isso explica que ainda me esteja a desfazer em gargalhadas apesar dos valentes euros que me vão custar os vidros duplos da cozinha.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Someone

Talvez ela tivesse razão na vez em que foi mais cruel.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E agora está na moda dizer que sou bruta

No meu mundo interior nada justifica uma mentira. Assim que, se vires que me esquivo, que respondo por meias palavras, que mudo de tema recorrentemente, não forces, não insistas... Quando não sabemos mentir lançamos a verdade como um murro certeiro sem nos conseguirmos controlar.

Percebi a tua importância no momento em que comecei a escrever sobre ele na 3ª pessoa.

I'm no Juliet

Não quero suspiros, nem promessas feitas ao luar. Não sonho com mãos dadas (de dedos entrelaçados), nem com passeios demorados em praias desertas, nem mesmo com juras verdadeiras ou não. Não desenhes corações a canivete em bancos de jardim ou troncos de árvore, não imagines cercas brancas, nem baloiços num quintal. Não exijo lugares-comuns nem paralelismos de carácter. Tu és tu, eu sou eu. Gosto das nossas diferenças.
Sei que não és fácil e já me disseram demasiadas vezes que não sei abraçar o que me é dado porque peço perfeições impossíveis. Não é verdade. Apenas quero sentir outra vez aquele choque eléctrico de alta voltagem que me perpassou o corpo na primeira vez que os nossos olhares se cruzaram; e senti-lo toda a vida porque continuas aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu não sei falar

Queria poder dizer-te muitas coisas que não sei expressar por palavras: que o mundo é diferente deste que passaste a fazer parte dele, que sou mais eu contigo e menos aquela que finjo ser, que se me afasto instintivamente é porque tenho medo de me envolver demasiado. Mas como as palavras jamais foram generosas comigo, resta-me esperar que entendas na minha atitude aquilo que nunca ouvirás (sair) da minha boca.

Classroom

É apenas quando entro por aquelas portas que as dúvidas desaparecem e me consigo entregar completamente. Não negarei nunca os momentos de pânico, os sustos, algum desalento que pode surgir. Mas são os sorrisos abertos com que sou recebida que me oferecem o "alimento" que preciso para não desistir.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem querer


O toque inusitado daquele dia em que o pôr-do-sol nos apanhou de surpresa continua a percorrer-me a pele como um arrepio. Cheira a terra molhada, a relva cortada, a cansaço e a complexidade: cheira a ti. E, sempre que fecho os olhos, ouço-te murmurar-me ao ouvido as palavras que deixaste por dizer e que apenas intuo quando te tenho por perto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E pluribus unum


Foi o tempo que dedicaste à tua rosa...

Fazes-me sentir especial. Não que me iluda pensando que me tratas de maneira diferente em relação a todos os outros: não acredito em quimeras. Sei perfeitamente que um dos teus dons é conseguires que aqueles que te circundam se sintam particulares na tua presença, pela doçura, pelo carinho e pela atenção que lhes dedicas. Sei que não me saliento de nenhuma maneira na tua vida porque sei quem são os que têm (e devem ter) esse lugar de destaque.

Porém, com o tempo que me dedicaste, com a segurança que me proporcionaste ao longo de todo este tempo, fizeste de mim uma entre muitos. Porque conquistei o meu lugar no teu pódio à custa do meu empenho, do esforço que fiz para que me sentisses única e isso tornou-me (aos meus próprios olhos) um ser especial, ainda que muito mais frágil e desprotegido.

domingo, 17 de outubro de 2010

Once upon a time

É difícil gostar depois de ti. Não posso dizer que me esgotaste, apenas sossegaste o meu coração no seu canto quando ele estava prestes a saltar para fora. Não me consumiste por dentro, só te aconchegaste no meu peito (como se ele sempre tivesse sido teu) porque te convidei para entrar. Enquanto tentavas tornar-te mais forte aqui dentro, eu tentava tomar as rédeas de um coração que não me obedecia. Era a troca perfeita, tu estavas protegido e eu apaixonada. Quando os papéis lentamente se inverteram, percebi que o espaço no teu peito era demasiado pequeno para mim. Deixaste-me inteira, não levaste nada de mim. Mas é difícil gostar outra vez depois de ti.

sábado, 9 de outubro de 2010

8

y después de un infinito de momentos, de alegrías, de lágrimas y de canciones, aquí estamos :)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Maybe it's the lure of the sea*

És doce, és suave, és delicioso. Sei resistir-te e sabes que me esforço por não ceder. Sorris, piscas-me o olho, tocas-me levemente. Sabes envolver-me e sei que finges que não dás por isso. És delicado, és subtil, és atencioso. Sei ler-te por linhas e entrelinhas e sabes que quase me convences. Seguras a minha mão, fazes-me rir, dizes as coisas certas. Sabes atrair-me e sei que me conquistas cada vez um pouco mais. Se fores, além de tudo isto, perseverante, um dia destes faço-nos a vontade.
*The Beautiful South, obviously

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Reality killed the spark

Num tempo e espaço que todos conhecemos havia um menino. Todos os dias, no caminho para a escola, mochila às costas e uma cabeça cheia de sonhos, passava pela montra de uma loja que o fascinava. Começou por se parar na frente do vidro durante alguns segundos, na semana seguinte já saía de casa cinco minutos antes só para poder estar mais tempo agarrado àquela imagem que o prendia. Um mês mais tarde tinha dito à mãe que preferia voltar para casa sozinho e que não valia a pena irem buscá-lo à porta do centro educativo, assim podia repetir o caminho e ficar parado um pouco mais, a vê-la.
Talvez as houvesse mais brilhantes, coloridas, resplandecentes, mas era aquela, aquela em concreto que o atraía. Não sabia se por estar no fundo da loja, encostada humildemente a uma parede enquanto as outras se exibiam orgulhosas para os clientes, se calhar exactamente por não se fazer notar ele a sentisse especial.
Um dia de Inverno, o dono da loja convidou-o a entrar. Estava a chover a cântaros lá fora e não fazia muito sentido que ele continuasse a espreitar através do vidro enquanto a chuva o ensopava. Não lhe perguntou nada. Ele, como se não pudesse evitar o movimento, sacudiu a chuva do casaco e aproximou-se da dona dos seus sonhos. Era perfeita para ele em tamanho, cor e personalidade. Foi incapaz de lhe tocar não fosse a magia quebrar-se. E assim, começou a entrar todos os dias, cada vez mais próximo, cada vez mais nervoso por a ter ali, quase à mão.
Surpreendido por ver aquele menino pequeno parado no meio da sua loja, mas sem querer intrometer-se naquela quase religião a que assistia passivamente todos os dias, o Sr. Domingos sorria ao vê-lo entrar diariamente.
Numa tarde, meses depois do primeiro dia, perguntou-lhe se não o queria ajudar a limpar o pó às bicicletas que vendia. O pequeno André ficou emocionado com a proposta, pegou no pano e quando ia a perguntar por onde começar o dono da loja indicou-lhe a bicicleta dos seus sonhos. Respirou fundo e passou-lhe o pano por cima como se tivesse medo de a partir, suavemente e com todo o cuidado. Deixou-lhe a campainha a brilhar e o selim sem dedadas, até os pneus tiveram uma atenção especial. A partir desse dia entrava sempre para a cuidar, já lhe tinha perdido o medo, já era quase sua.
Os pais começaram a surpreender-se com as ausências prolongadas do menino, até a professora se queixou dos atrasos na hora de entrada, ele que fora sempre tão pontual. Preocupados, decidiram seguir-lhe o rasto, já que ele se esquivava cada vez que tentavam perguntar-lhe alguma coisa. E foi então que o viram entrar na loja de bicicletas.
Tanto a Primavera como o aniversário do André estavam a aproximar-se e falando com o Sr.Domingos perceberam qual era a prenda ideal para o filho. Tiveram quase que discutir com o dono da loja, que como já tinha ganho carinho àquele menino subtil que começou por silenciosamente se apaixonar por uma bicicleta, mas que agora entrava diariamente a cantar e lhe fazia companhia durante as tardes solitárias de trabalho, quis ser ele a dar o presente à criança.
Chegou o dia especial. Como de costume o menino entrou na loja com um sorriso, cumprimentou o Sr.Domingos e dirigiu-se para o fundo da loja, para o lugar dela. Mas ela não estava. Virou a cara meio supreendido, meio assustado. Não conseguiu proferir palavra, apenas olhou com olhar de pergunta desesperada.
Sr.Domingos: Não te assustes, só te quis fazer uma surpresa. Como sei que hoje é um dia especial, os teus pais e eu... - e os pais apareceram - ... decidimos dar-te um presente também ele muito especial.
O pai trazia-a pela mão, com um enorme laço azul a decorá-la.
Ao contrário do que todos pensaram o André não correu desenfreadamente para a bicicleta atirando a mochila para o chão. Permaneceu no mesmo sítio, a olhar para os três como se não entendesse nada do que se estava a passar. A mãe disse-lhe com voz doce:
Mãe: Filhote, é tua, não tenhas medo.
Pai: Sim. Agora só tens de a tratar tão bem em casa como o tens feito até aqui.
E por fim o menino falou.
André: Mas eu não a quero, eu nem sequer sei andar de bicicleta. - E saiu pela porta que até aí albergara o seu maior sonho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não digas nada

No instante da empolgação maior, em que os cérebros já não controlam os corpos e estes, como zombies, apenas reagem ao desejo sem controlar movimentos involuntários, disseste a pior frase do mundo. Porque aquele pronome e verbo recíproco são matreiros, enganam-nos, principalmente se proferidos quando não são palavras o que as bocas procuram.

domingo, 5 de setembro de 2010

Abracadabra

Quando o génio da lâmpada lhe perguntou pelos três desejos a que ela tinha direito, contou o que lhe passava pela cabeça e os obstáculos que esta impunha aos caminhos (tortuosos) dos sentimentos. O homem imaginário ouviu com atenção, esperando poder encontrar naquele novelo de confusões um fio desenleado que o ajudasse a descortinar-lhe as três vontades supremas.
- O que eu quero saber é: se fizer o que o instinto me pede, conseguirei pôr o coração numa prateleira e esquecer-me de que existe para não sofrer depois? E se assim não for, arrepender-me-ei a vida inteira por ter dito "não"?
Depois de muito pensar, o génio disse:
- Tens a certeza de que não preferes uma gruta cheia de tesouros?

Miranda's wisdom


Because it is not a time to chat. In fact, it's one of the few instances in my overly articulated, exceedingly verbal life where it is perfectly appropriate - if not preferable - to shut up. And now suddenly I have to worry about being stumped for conversation? No, thank you!



Será que alguém em Marte consegue prestar atenção às lições de quem sabe o que diz?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Summer confessions

Não escrevo porque não quero que desconfies que só me apetece escrever sobre ti.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

The big picture

É, provavelmente, a canção que mais vezes citei ao longo deste 2010, relegando para um (honroso) segundo plano o Don't rain on my parade (símbolo de revolta, luta e da força que tantas vezes pedi para mim mesma). Mas esta é suave, é doce, vai-se-nos enredando na pele até se nos meter pelas veias e nos percorrer todo o corpo com um arrepio bom e apaziguador. Citei-a para alguém que precisou, ofereceram-ma de volta quando a viram como um imperativo.

No entanto, ela faz parte da minha vida há muito tempo, estava algures guardada na minha memória, talvez à espera de ser necessária. Ouvi-a pela primeira vez (e muitas vezes) como a banda sonora do fecho do Jerry Lewis Show que eu não perdia enquanto almoçava sozinha aos 11 ou 12 anos. E aquele homem com que os meus pais me ensinaram a rir, fazia-me emocionar cada vez que a cantava. O que eu não sabia é que havia um autor por trás daquela canção e uma explicação, em jeito de vénia, para um dos grandes humoristas americanos (digam os próprios o que quiserem, há poucos filmes como A Cinderela dos Pés Grandes) terminar um programa semanal de televisão a cantar uma canção melancólica sobre sorrisos e não sobre as gargalhadas que lhe alimentaram a carreira.

E com a interpretação da menina que fez sorrir a tantos enquanto se lhe via a tristeza nos olhos e na voz magoada, ofereço-vos um sorriso, provavelmente porque foi esse o tesouro que procurei durante esta ausência prolongada.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Bits and pieces

1. Sempre pensei que quando a vida muda demasiado depressa podemos perder os travões e não ter onde nos agarrar. Sem querer, meti o turbo e de repente deixei de ser eu, passei a ser Eu. Sou, pela primeira vez, a pessoa mais importante da minha vida. E não há mal nenhum em deixar tudo para trás e enfrentar o desconhecido.
2. Sentir que pertencemos a um lugar acalma a ansiedade. Às vezes, por breves segundos, tenho a sensação que uma explosão me vai romper o peito e impedir qualquer movimento. Depois espreito à minha volta e os olhares e sorrisos que vejo são os mesmos que todos os dias me acolhem como se estivesse em casa. Falta pouco para voltar e para me reconhecer na minha escola.
3. Saber que fizemos o melhor que pudemos e que somos entendidos e apreciados para enfrentar a vida com coragem. Guardar todos os detalhes e momentos mais fantásticos deste ano e esquecer que um dia quase nos afogámos em trabalho e frustrações. Lembrar que há sempre a praia, o bowling e os amigos para nos sentirmos (ainda) melhor ao final do dia. E ter a certeza que tudo continua a mudar e que o melhor ainda está para vir.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dúvidas do cansaço

Querias tanto tanto e não fazes nada por conseguir o teu desejo. Mentiste ou és apenas pouco lutador?

Erros meus #2

Sei que não devia mimar-te e acreditar que não esperarás nada mais.

Nr.1 hit

Da próxima vez escolho para banda sonora uma qualquer canção desconhecida e recôndita, só para não ter de me lembrar dele sempre que toca como acontece contigo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Life's shit!!!

And suddenly they throw you off the world with a single blow. Everything turns black with the humiliation, the pain is so strong you can't even conjure up enough strength to cry, all your fears are real at last and your mind simply can't stop.
And you look all peaceful on the outside, resignation has taken over but the knot on your throat tightens and tightens until there's no breathing space. "You're a grown up, handle it!" says the voice inside your head. "It was all your fault, you're just not good enough." it screams.
And you sit somewhere waiting for life to pass because living it's just not an option anymore, since you are no good at what you've devoted all your effords and time to.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Desordem mental


É imperioso meter-te (a ti e à ainda inexistente história entre nós os dois) num dossiê bonito e guardar-te numa qualquer prateleira da minha biblioteca sentimental. Tão escondido quanto possível para não ceder à tentação mas o suficientemente à vista para não me esquecer do perigo que pressupões.

Queria poder responder aos teus gritos desesperados, queria conseguir ultrapassar tudo e deixar-me levar pela corrente para desaguar no teu mar, queria não te frustrar com os meus silêncios auto-impostos. Mas alguém tem de ser cabeça...

Se eu pudesse, ... se os meus muros não fossem tão altos, ... se os meus princípios não me atropelassem, ... se o anjo que vive sobre o meu ombro direito não tivesse tanta mais força do que o pobre do diabinho sonso que não conhece mais do que a resignação, ... se não existissem tantos se's, ... Dizia-te que deitasses as dúvidas para trás das costas e me procurasses, sem metáforas nem linguagem críptica, em carne, osso, e vontade, para nos despenharmos de mãos dadas num abismo qualquer.

Lucky Me

Luxo não é ter um jaguar à porta, nem um ordenado com mais de 4 dígitos, não ter uma casa na praia, nem uma piscina no quintal, não é conhecer o VIP A ou B.

Luxo de verdade, para mim, é poder acordar no meio de uma cidade onde ainda se pode viver, onde há pressão de água nas torneiras, onde está fresquinho à noite, com pássaros a cantar lá fora e uma explosão de cor assim que abro a janela.




domingo, 11 de julho de 2010

Confissões I

Achas mesmo que me deves proteger daquilo que tanto quero ouvir?
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard *
Seria mais fácil sem te ver. Seria melhor o afastamento total. Nenhum contacto, fugir a encontros, não saber nada.
Tinha tantas teorias sobre nós os dois e todas caem por terra quando as saudades voltam.
* Coldplay

sábado, 10 de julho de 2010

Luz verde

Talvez a devesse ligar esquecendo o passado, continuar em frente sem pensar mais. Talvez seja medricas por preferir um parque de estacionamento sossegado e solitário onde nada acontece. Talvez um qualquer passageiro desconhecido seja melhor do que a tranquilidade do vazio.

Ainda assim, e apesar das dúvidas, prefiro a bandeirada zero e aquilo que não implica, à inconstância da disponibilidade e procura.

"I walked with you once upon a dream"

Ao primeiro olhar conseguiste fazer-me baixar as defesas e esquecer a bagagem que carrego desde há anos. Soube nesse momento que também tinha tido um qualquer efeito em ti mas foram os comentários dos dias e das semanas que se seguiram que me tiraram as dúvidas. Depois desapareceste, e sem saber porquê sentia-te a falta.
Começaste a insinuar-te devagar, entrando em minha casa durante a noite, pé ante pé, e deitando-te na minha cama. Sonhei-te mais vezes do que aquelas que algum dia admitirei - não sei que resultado teria tanta informação.
Não sei se é mau ou bom que não sejamos reais um para o outro. Se por um lado me apetecia que estivesses ao meu lado cada dia, por outro não sei se seria bom para mim cair tão fundo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Silly Season officially open


Com esforços em mente para que a deste 2010 seja mais descanso e menos silliness.

domingo, 4 de julho de 2010


As saudades do mundo que desconhecemos obrigam-nos, por vezes, a saltar para o abismo sem pensar no que virá depois.

No Strings

Assusta-me pensar quando vejo o teu nome a piscar no telemóvel, provavelmente porque tememos sempre mais as consequências dos actos impensados. Gosto do que me fazes sentir, de que me telefones por nada, dos teus mimos antes de adormecer, contudo não sei se me agrada o rumo que tanta proximidade implica.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

For the special days

É verdade que há dias e meses particularmente aborrecidos. Julho sempre me chateou, pelo calor excessivo, porque a escola já tinha acabado e os amigos estavam dispersos, uns já na praia, outros em casas de avós ou de férias por outras paragens, mas acho que principalmente porque nada me ligava a ele. Agora deixou de ser assim. Porque há dias e meses que se tornam importantes simplesmente por alguém passar a fazer parte da nossa vida.




quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Agora só falta você" *

E se fosses tu aqui, ao meu lado, ao alcance de um braço estendido e de uma mão aberta?

* Rita Lee

Momento kit-kat

A menina responsável deu um pontapé no futuro e decidiu afastar-se da rota por uns dias. Pode ser que venha a pagar caro por tal audácia, porém pode ser também que a necessidade de fugir da rotina precisasse de imperar para lhe manter a sanidade mental.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Porque eu mereço

Depois de quase 100 testes corrigidos em menos de duas semanas, com orais, viagens e tensão à mistura, não quero pensar em mais nada até voltar a aterrar de novo na realidade, na próxima segunda-feira. Quero mar, sol, sal, areia, água, e tentar preparar o salto para superar o novo obstáculo que está à porta.
Ainda bem que há quem nos puxe da concha e nos faça ver que a vida pode ser muito mais bonita do que aquilo a que estamos habituados.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Why settle for?


Just a piece of sky...

domingo, 6 de junho de 2010

Catarse I

Perdida em pensamentos e recordações não te senti chegar. Estava noutro sítio, num que não partilhava contigo apesar de ser debaixo do teu tecto. Fingiste não me abraçar mas foi rasando o meu corpo que as tuas mãos chegaram à pilha de Cds que eu investigava. Decidido tiraste um, aquele que eu estava à procura. Colaste a tua face à minha, encaixaste o teu queixo no meu ombro por primeira vez e murmuraste-me ao ouvido:

- Faixa 1 - Disse-te não ser essa a canção que procurava, que nem gostava particularmente dela, e como que lendo-me os pensamentos sorriste. - Queres a 7, eu sei disso, o que estava a querer dizer é que depois de hoje a 1 vai ser especial.
Tentei olhar para ti, mas já sem receios abraçaste-me a cintura, roçaste o meu pescoço e semeaste um beijo suave no lugar em que o teu queixo tinha estado. Fechei os olhos incrédula, estavas a conseguir aquilo de que há meses eu fugia. Afastaste-te um segundo e senti que o mundo ia terminar ali. Puseste a tocar a faixa 1. Rodaste-me entre as tuas mãos e não sei se a tentar ler-me a alma, olhaste no fundo dos meus olhos, aproximaste-te muito mais que antes e pegaste os teus lábios à minha voz. Inseguro, a tremer, abafaste o "não", que eu não te ia repetir, com o desejo que tinhas de me beijar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dos presentes que recebemos

Não há quem não goste de receber prendas. Podes ser dos que rasgam o papel com fúria para desvendar o que esconde, dos que as abrem com naturalidade e com um sorriso no rosto, dos que despegam cada bocadinho de fita-cola com cuidado para não deixar esgotar a magia ou até mesmo daqueles cuja timidez lhes exige uma revelação solitária. Sejas de que tipo fores, admite que de todas ofertas as que não esperas são aquelas que mais marca deixam. Foi um livro, acessórios para o Verão, uma mala para o computador, um relógio, e eu a sentir que o coração daqueles que ensino é tão maior do que eu e o seu carinho muito mais do que mereço.

Am I the one holding on?

Adoro a doçura que vejo quando te entregas ao toque da minha mão pousada na tua cara. Fechas os olhos, inclinas a cabeça devagar, encolhes o ombro e prendes, por momentos, a sensação da minha pele sobre a tua. Não é a carícia que te faço, é o como a recebes.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Baile mandado

Começou a valsa dos exames. Lenta, a três tempos, iniciou-se ontem com uma grande maioria de desconhecidos e dois ou três sorrisos familiares. E são os aparelhos de som que falham, e são as sintonias dos facilitadores de audição que fogem, e são os nervos a fazê-los suspirar, transpirar, tremer, falar demasiado alto nos corredores. E é passar por tudo com a tranquilidade de saber que nada está em jogo para mim. Por enquanto.
Mais tarde virão os suspiros que conheço, o desespero e os sorrisos nas caras que encheram a minha vida no último ano, os que não me foram apresentados e se porão nas minhas mãos, e aquela que tem de se pôr nas mãos de outros contra a minha vontade. Queria poder afirmar, sem sombra de dúvida, que cumpri este ano, que não estou minimamente nervosa porque sei que todos estão preparados para o que aí vem. Cá bem dentro até suspeito que assim seja. Mas na próxima segunda, quando voltar para casa com 4 envelopes cheios de papéis e esperanças, sei que o estômago vai estar apertadinho e o coração a galopar como um potro doido, na expectativa do futuro próximo de tantos deixados à minha mercê. E ainda que um exame final não tenha valor para mim - eu sei quanto vale todo e cada um dos que tive na frente durante 8 meses -, é essa a prova que vai ficar para a história individual deles como tarefa superada ou não superada.
Já agora, espero que o som funcione, que não esteja demasiado calor, que as sintonias não brinquem como ontem, que haja tecnologia suficiente para servir a todos, e que os meus meninos apenas tenham de se preocupar em controlar os nervos e mostrar o que sabem, porque valer, eu sei perfeitamente que valem muito.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quimeras

Quero aproveitar o que ofereces até ao tutano. Quero ter-te impresso na epiderme para que o sol não te leve depois de um qualquer Verão. Se te consigo ler bem, ao ofereceres o possível, anseias (tanto quanto eu) que a presença nos proporcione o momento de esquecer limites e restrições e nos entregarmos à necessidade um do outro.
Não me olhes nos olhos quando nos virmos, eles não têm muito para te dizer. Sente-me antes o cheiro e, esquecendo-te das algemas que o mundo nos pôs, encontra no meu abraço a nascente que te matará a sede.