domingo, 15 de maio de 2011

Era uma casa muito engraçada...


Recobrar forças para conseguir avançar é uma rota dolorosa, porque nos agarramos à felicidade passada, não entendendo que se já falamos no passado é porque há que tentar encontrar outros aliciantes na vida.
A minha casa nova (ainda que não saiba se a conseguirei manter tal e como a imaginei num futuro próximo) é o meu empurrão para deixar a tristeza. Primeiro foi a escolha, a compra, as obras que quis fazer. Depois os móveis, brincar aos legos, ver como tudo encaixava numa síntese perfeita da imagem na minha cabeça. Os momentos partilhados com aqueles a quem mais quero, a fazer planos e a ser feliz. E ainda que cada recanto me traga memórias... e ainda que cada memória me provoque um nó... sou feliz neste espacinho só meu: o meu jardim secreto.
Tenho paredes turquesa e paredes vermelhas. Tenho paredes que ainda esperam que eu lhes dê uma de mão. Tenho uma semana de carpintaria pela frente, que me trará remates e ordem.
Contudo, e como prémio pessoal para aguentar melhor este Verão que aí vem, ofereci-me um terraço, é grande, vê-se um castelo e agora já tem mesa e cadeiras para poder receber quem eu quiser.

There is a castle on a cloud


I know a place where no one's lost,
I know a place where no one cries,
Crying, at all, is not allowed,
Not in my castle on a cloud.

Where is it, Cosette?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Começar de novo (outra vez)



Quando do amor se passa ao ódio, quando o carinho e a ternura se transformam em despeito e rancor, quando do bom se faz mau. Quando alguém quer tanto que passa os dias a duvidar acerca do seu próprio destino para facilitar outra vida, leva pontapés definitivos a cada passo do caminho. Enerva-se, desespera, chora de raiva e de tristeza e depois percebe que talvez o que hoje parece mau, amanhã seja o melhor (ou disso tenta convencer-se).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Guilt

Haverá um momento em que a felicidade dos outros deixe de doer como se de um murro no estômago se tratasse? E não é porque não nos alegremos por eles, se os amamos, se são importantes, claro que nos alegra o coração vê-los bem. Contudo, a dor que provoca a nossa própria tristeza parece tão mais insuportável por comparação.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Window 2.9

Siempre los cariñitos...

Aprender a deixar-nos amar é difícil. Permitir que nos ajudem, mais ainda. Descobrir em nós a necessidade de pedir ajuda, um suplício.
A independência, a liberdade, a segurança, a auto-confiança, não são mais do que máscaras, muitas vezes, escondem tristeza, melancolia, solidão, um deserto interior. Podem, obviamente, não esconder nada, e não passar de características pessoais. Mas isso, só o sabe quem sente e nunca quem está de fora.
Abandonou-me a força mas não a vontade de lutar. E estar a descobrir um mundo de braços abertos é o mais positivo que me podia acontecer neste momento.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sergio

Diz o apelido que escolheu que é dele a alma. E é assim que o descreveria, todo alma, com uma voz impressionantemente rouca mas com uma amplitude de registo surpreendente, um carisma único, uma presença marcante e humilde ao mesmo tempo.
Foram muitas as que subiram ao palco com a emoção, sem controlar os movimentos e recebeu-as todas como se fosse normal. Com o mesmo sorriso, com a mesma simplicidade com que nos cantou durante 1h30m.
A mim, encantou-me há 20 anos num Festival da Eurovisão, quando piscou o olho para a câmara e falava em dançar agarradinhos. Fez-me sonhar durante anos: foi a minha primeira paixão espanhola. Vi-o há quase uma semana e superou todas as expectativas.
Obrigada Sergio, por uma maravilhosa noite na melhor das companhias: a tua!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Realidade ou ficção?

Encolhia-se-lhe o estômago com uma necessidade compulsiva e inexplicável de voltar a escrever. Mas escrever em extensão, como fizera anos antes. Pensava que já não ia conseguir, que já não sairia nada, pensava também que o seu público já se fora e que agora este seria também (como o canto) um prazer solitário e umbiguista.
Numa folha em branco delineou a história que levava dentro, a apertar-lhe o coração. Ficcionalizou tudo. Deu caras e corpos às personagens. Mudou-lhes os nomes mil vezes. Inventou espaços, actividades e diálogos inteligentes. Contou um relato em tudo diferente do seu, que, contudo, catarticamente falando, não era mais do que um palimpsesto de tudo o que a estava a avassalar desde havia meses.

domingo, 1 de maio de 2011

Algarve



Não é são as praias, nem a promessa de sol. Não são as saídas à noite, nem nada do que se possa pensar. São as pessoas que me esperam que me fazem mergulhar numa viagem de quase 4 horas que se repetirá amanhã e que sei que me vai compensar como nunca.
Adoro-vos aos dois!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Correr a Maratona

No próximo dia 7 de Maio, terá lugar na Plaza de San Francisco, em Badajoz, com início às 11h30 (espanholas) a edição de 2011 da Maratona de Leitura de Poesia, organizada pelo Departamento de Português da EOI Badajoz.

Venham partilhar este evento connosco: cultura, literatura e música, num sábado de manhã, que mais podemos querer?

terça-feira, 26 de abril de 2011

A nova peça do António

O meu amigo António escreve como ninguém. Escreve numa língua que não é a dele, peças de teatro - coisa fácil cof cof -, e o amor pelas artes cénicas é tal que enfrenta todo e qualquer obstáculo para continuar a perseguir o sonho. Os que muito lutam são recompensados, ou pelo menos assim quero acreditar, porque o meu amigo merece todos os êxitos que virão e eu não duvido que virão.
Vai ter uma nova peça em cena, no Estrela Hall, casa dos Lisbon Players, chama-se Birthday. De 28 de Abril a 14 de Maio. Deixo-vos o cartaz e espero encontrar-vos por lá, porque como ele me disse (por ser meu amigo) que me ter na plateia faz toda a diferença e é parte da emoção para ele: Como poderia eu não ir?

domingo, 24 de abril de 2011

1800

Na minha cabeça há momentos em que a minha voz se confunde com a dela. É bom tê-la presente sempre, como uma estrela-guia, que canta aquilo que eu não consigo exprimir.

Não há nada como os nossos beijos

Fecho os olhos e ainda te sinto, como da primeira vez: a medo, sem saber muito bem como, com o desejo tão reprimido que não acredita no que tem na frente. Os teus lábios na minha mão, a beijarem-na, suavemente, e os olhos a espreitar-me para se assegurarem de que não se ultrapassavam limites. Os teus dedos a passear na pele dos meus braços, sem saberes o porquê de me escolheres o pulso ou o efeito que tal toque tem em mim. Fechei os olhos de prazer e senti um sorriso na tua respiração acelerada, viste a luz verde e prosseguiste. Aos tímidos beijinhos seguiram-se uns mais sensuais, mais explícitos, e uma vez mais não te rejeitei. Vieram depois os abraços, cada vez mais apertados, cada vez como mais necessidade, e em dois minutos as mãos passaram para debaixo do tecido à procura da pele que se esconde com a roupa. Beijámos pescoço, ombros, colo, cara, testa, olhos, evitando (por muito pouco) os lábios. Conhecíamos perfeitamente as fronteiras que estávamos a empurrar. Foi quando me suspiraste ao ouvido que me assustei, pois já não sabia se aquele suspiro que ouvira era teu ou um dos tantos que eu estava a calar.
Beijámos lábios por primeira vez. E essa primeira vez durou horas, horas de abraços, horas de pele, horas de desejo escondido e apenas materializado naquele beijo. As nossas bocas encaixavam como se fossem as duas únicas peças de um puzzle perfeito. Da inocente necessidade passámos à volúpia, à sofreguidão, ao precisar de conhecer mais da outra boca, já que o outro corpo ainda era proibido. Talvez, se os primeiros beijos não tivessem sido tão perfeitos não tivéssemos jamais continuado.
Contudo, enquanto os dias passavam por nós e o sentimento crescia, se solidificava e ganhava confiança, eram os beijos que não conseguíamos evitar. Aquela entrega sem travões ao carinho eterno de um momento. Qualquer lugar era bom, qualquer situação apropriada, qualquer segundo propício.
Sinto a falta dos teus beijos molhados na minha pele, mas principalmente sinto-lhes a falta nos meus lábios. A tua língua ladina mostrou-me novos mundos, deu-me segurança, fez-me sentir mulher e feminina. Entrego-me agora às memórias do que vivi contigo e se foi a partilha, a cumplicidade, o apoio, o carinho, que me fizeram apaixonar, os teus beijos foram o cimento que uniu os tijolos da nossa relação. Por serem tão intensos, tão sólidos, tão desejados, tão perfeitos. Por me fazerem sentir que o desejo é algo tão forte que há vezes em que por mais cabeça que sejamos, não podemos parar o que o corpo nos pede.
E na hora do adeus, é dos beijos que sinto mais falta. A minha boca é incompleta quando não está a beijar a tua.

Dúvidas existenciais

Jamais entenderei como se passa do amor ao ódio. Como o rancor se instala no coração, antes aberto, fechando-o àquela pessoa que há nada de tempo diziamos ser o nosso motor e a nossa paz.
Se for mais fácil parar de sofrer dessa forma, avisem-me porque tentarei adoptá-la no futuro. Enquanto não mo provarem, prefiro passar mal agarrando-me ao bom, do que procurar o mau para seguir em frente.
O teu coração é tão bonito e eu sei disso porque já o vi, não permitas que sentimentos feios e escuros tomem conta dele e to magoem ainda mais.

Longe de ti

As noites em branco, o negro do dia... *

As insónias que me assolam fazem com que os dias sejam muito longos e mais difíceis de aguentar do que antes. É, ao mesmo tempo, óbvio que se a fé na manhã seguinte não existe, não vale a pena dormir para que o sono não nos atormente com passados felizes. Todos os dias peço para não sonhar, para que Morfeu não me traga a tua imagem de que fujo a cada momento desperta. Mas o deus do Olimpo não só não me respeita a vontade como me tortura. Sonhar contigo durante as poucas horas que durmo, e a felicidade que isso me traz, é o suficiente para no dia seguinte te sentir ainda mais violentamente a ausência.

* Longe de ti, Império dos Sentados

sábado, 23 de abril de 2011

O paralelo da amizade

Uma vez mais, depois de alguns anos, tivemos uma conversa como as de antes. Corações na mesa, ao lado dos copos de Coca-cola e das pipocas que insistiram que comêssemos, pousados com as mãos a tremer e o receio dos ouvidos alheios. Os nervos à flor da pele, o medo de passar limites, porque a antiga confiança tremera a determinada altura. É curioso que continuemos a viver vidas paralelas e que o acontece a um acabe por de alguma maneira acontecer ao outro, como sempre aconteceu no passado.
Ontem encontrámo-nos em histórias parecidas ainda que desempenhando papéis diferentes, desta vez. Foi tão bom voltar a confiar, foi tão bom ver que ainda nos aceitamos como somos e gostamos um do outro, sem julgamentos apressados, nem sentenças penosas.

Memória corporal

Porque será que o corpo nos trai quando a cabeça está a fazer o esforço hercúleo de se encaminhar para a saída?

Com lupa

Procuras, rebuscas em palavras passadas razões, defeitos, erros maiores ou menores. Se há coisa que não permito é que falem mal de ti e não te busco problemas no carácter. Muito provavelmente porque, ainda que tudo se tenha perdido, não admito pensar que não foi real enquanto durou.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A tua presença

Não consegui ouvir música durante três semanas, porque havia uma única canção que me martelava e martelava a mente. Tinha-a conhecido há uns dias e, para mim, tinha tua voz ainda que me descrevesse a mim.
Agora ouço tudo o que encontro que seja anterior ou posterior a ti, evitando o que partilhámos. E, ainda assim, encontro em cada letra e em cada acorde das canções que nada têm a ver contigo, algo escondido que me lembra de ti.

E entrou em cena o sentimento de culpa

Às 8h de há um mês a vida começou a acabar. Acreditei, sonhei, pensei que as decisões têm volta quando se ama, e pela primeira vez durante uma vida tive fé no sentimento maior. Tentei respeitar os pedidos que me fizeram ainda que os não entendesse, mas a incoerência entre as palavras e os actos alimentavam-me a esperança.
Parece que interferi quando quis respeitar, que fiz mal quando queria manter-me na sombra, a criar ilusões com apenas uma ténue espectativa. Resignei-me a ser a segunda opção enquanto todos os meus me criticavam por ficar, por esperar, por não querer abandonar tanta felicidade que tinha sentido, por não cortar radicalmente.
Nunca desejei roubar a luz a quem me iluminou a vida, somente ansiei poder continuar a sonhar, em silêncio. Vi portas abertas em rachas na madeira por tanto ambicionar fazer-te feliz. Não sabia que não me estavas a acolher de novo pois tive fé pela primeira vez depois de tantos anos de deserto ateu.
Quero que sejas feliz e tinhas-me repetido tantas vezes que eras feliz comigo que não podia não lutar, não esperar, não podia desistir. E não lutei, só esperei.
Sei agora que não me abrias os braços quando te aproximavas e que errei na leitura das tuas acções, prometo que não fiz por querer fazer mal. Sabes perfeitamente que não sou assim. Manter-me-ei afastada, a tentar lidar com este sofrimento e esta sensação de vazio que me atormenta desde que te foste, pois sei que se me culpas é porque, muito provavelmente, já não me queres.