Pediste-me para escrever, para não abandonar o cantinho e o prazer da escrita. Estou a tentar cumprir à letra o teu pedido (como costumo fazer sempre que posso) ainda que a falta de hábito se esteja a notar a olhos vistos e a fluidez tenha desaparecido.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Barbravention
O verão é uma época particularmente complicada. É o calor a fazer-nos perder a vontade de agir, as janelas meio fechadas que impelem ao ócio, a (maldita) distância a que custa habituar-se, a falta de horários, normas, deveres. Mas é principalmente o tempo extra, de não bulício, o que nos faz parar e pensar naquilo que um ano inteiro de correrias não nos permitiu. Fazemos balanços, procuramos saídas, porém notícias de crise, (nova) redução de salários, reestruturação, incerteza e insegurança, não ajudam a procurar vontade para lutar.
É nestes momentos escuros que o nome da diva surge de novo. Faz burbulhar a motivação, impele ao esforço e ao empenho, proporciona sorrisos e decisões mais acertadas, porque aqueles que admiramos Streisand, sabemos onde encontrar a faísca para não desistir.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Aprender - com a devida vénia *
Agora tornada professora - aquela profissão que passei toda a infância e adolescência a dizer que jamais abraçaria - relembro aqueles que me influenciaram de tal maneira que me "fizeram" enveredar por um caminho que me parecia impossível.
Relembro a primeira educadora infantil (a Isabel) que eu adorava como só uma criança pode, a primeira professora primária (a D. Francisca, que tinha sido, por sua vez, aluna da minha avó), a primeira professora de inglês (a prof. Teresa) e a sexta (a prof. Elsinha, como ainda hoje gosto de me referir a ela), a professora de Ciências de 6º ano, a maravilhosa e inesquecível professora Guadalupe que despertou em mim a paixão pela minha própria língua, língua essa que hoje (muito orgulhosamente) ensino. Junto também à lista duas professoras da faculdade: a Professora Rita e a Professora Joana - porque me apoiaram, talvez sem saber, e me ensinaram a importância do método e a cultura do esforço. Me ralharam e me ofereceram uma mão, cada coisa a seu tempo.
Talvez estas duas últimas e outra a quem ainda não me referi (por merecer o maior destaque da minha vida académica) tenham sido as três pessoas que mais me influenciaram. Talvez por culpa delas queira ser cada dia melhor.
Sei que o meu trabalho não é tão importante como o delas. Eu não influencio ninguém, ensino adultos maravilhosos que já têm uma vida formada e organizada e que aprendem português como língua estrangeira por hobby. Tenho somente um ou dois adolescentes perdidos numa selva de gente crescida. Contudo, gosto de ser melhor para e por eles, gosto dos gestos de atenção e carinho, gosto de uma sala de aula cheia, e gosto de pensar que se me vissem por um buraquinho todos os docentes referidos aqui (e aqueles que não tenho a capacidade nem o talento de referir, ou tornaria este post numa lista interminável de nomes) teriam um pouquinho de orgulho por terem semeado algo na menina tímida, calada e reivindicativa ao mesmo tempo.
A todos o meu mais sincero obrigado. Contudo, principalmente tenho de agradecer à professora Adélia, pelo carinho, a paciência, o sentido de humor, o talento, a inspiração, por saber sempre estar presente mesmo quando não temos tempo para dizer um olá rapidinho. Obrigada, professora, por ter estado ao meu lado, nos momentos bons e maus (e até mesmo nos piores), por ter sido e continuar a ser o meu modelo, e por me ter ensinado tanto, na escola e fora dela.
* Post inspirado por uma lindíssima atitude da Fátima para com a nossa professora de Geografia que leio atentamente ainda que ela não saiba (o meu obrigado também a essa senhora fantástica que conseguiu que a disciplina de que eu menos gostava na escola se tornasse numa área interessante e estimulante).
domingo, 1 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Tenho saudades tuas Jess!
Quando me apetece chorar, assim à noite, já tarde. É em ti que penso, amiga de todas as horas, e tenho pena, tenho pena que esta saudade não passe com as lágrimas.
Alentejo interior
O sol nasce e põe-se com a mesma parcimónia do dia anterior e daquele que há de vir. Nada muda, nem na paisagem, nem no horizonte, nem no futuro que se pode observar a olho nu. A necessidade de mudança oprime o peito e fá-lo doer de desespero; voltaram as noites sem sono e o medo do nada aparente.
Serão as origens o que me sufoca, tal como o fazia o calor estival de 40º à sombra da minha infância? Poderá o Alentejo planície que desconheço (pois o meu tem serra e verde e água) ter-se apoderado da minha alma e nela ter plantado o sobreiro solitário em fundo de cores terra? Será que esta necessidade incessante de beber água é um reflexo dessa mesma realidade interna?
Gosto de sonhar com um futuro risonho, em tons esperança, que me embala quando abro a porta de casa e entro para descansar do quotidiano. Mas ele não quer chegar por mais que eu o anseie, e vou (pouco a pouco) perdendo o ar e o chão.
Gritos mudos
O que é que se pode fazer quando já não se aguenta mais?
Gritar para quê?
Fugir parece impossível neste labirinto sufocante que me leva sempre ao mesmo lugar.
Chorar não vale a pena, principalmente por a alma ser demasiado grande.
Já não há criatividade que sirva de bóia de salvação, talvez por isso o silêncio seja o muro das lamentações em que me prefiro esconder.
Gritar para quê?
Fugir parece impossível neste labirinto sufocante que me leva sempre ao mesmo lugar.
Chorar não vale a pena, principalmente por a alma ser demasiado grande.
Já não há criatividade que sirva de bóia de salvação, talvez por isso o silêncio seja o muro das lamentações em que me prefiro esconder.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Eu hei-de comer caracóis...
Surpreende-me esse teu ritmo suave e doce, que é tão meu. Ninguém é assim tão gentil quando tenta ser arrojado.
Wake up slow
Soubesses tu como me conquistas todos os dias um bocadinho mais cada vez que pedes desculpa por não teres conseguido ler-me nas entrelinhas e já não dirias que sou misteriosa. O meu único mistério é querer-te mais do que imaginas.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
No more slow motion
Não sei se é tempo que me falta, se vontade de colocar em palavras o coração. Já não sei definir-te em segundos, já não sei entender-te em poucas palavras. Será porque não fomos capazes de acompanhar o resto do mundo? Enquanto ele vivia depressa, nós ficámos suspensos entre definições de um qualquer dicionário abstracto, pensando que a calma e o sossego nos protegeriam de cair em excesso. Sem darmos conta, cedemos a esta dormência e agora arriscamos tudo para entrar no ritmo. Diz-me que vou saber escutar-te, que vou saber cuidar de ti como mereces. Diz-me que vais saber dar o melhor de ti, que vais saber entender o que preciso. Não te feches em ti mesmo, não te finjas indiferente, não desistas. Eu prometo não te deixar cair, não te fazer chorar, não te consentir adormecer novamente. Toma balanço e corre atrás. Quando aceitares a velocidade do mundo, vais seguramente perceber a vida a recomeçar.
sábado, 24 de março de 2012
Calamidades em crise
As festas de final de período na escola estão cada vez menos desastrosas. Estamos a perder qualidades.
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Ray of hope
Até o céu que acorda mais nublado tem guardado, algures, escondido, a espreitar, um raio de sol. E é este que ilumina o mar da vida, esteja ele tranquilo ou em turbilhão.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Partes do queijo
Tento fazer o que me dizes, dividir a vida no seu todo em segmentos mais pequenos para entender o que vai bem, o que vai mal e aquilo que se pode mudar. No meio da confusão só tenho uma certeza: tu!
Para quê?
Há dias em que é a única pergunta que me ronda a cabeça: Para quê?
Para quê o esforço? Para quê o cansaço? Para quê a dedicação? Para quê querer ser e fazer sempre melhor? Se a mediocridade nos circunda e triunfa, para quê insistir em tentar crescer no caminho que nos parece certo, quando dele não vem nada, nem sequer vem luz?
Afonia (?)
Podemos ficar sem voz por questões físicas ou simplesmente porque falar nos traria pressões desnecessárias. Então preferimos calar-nos e deixar passar o tempo, esperando que tudo se resolva por si só e não entendendo que quanto menos nos impomos, menos nos poderemos impor.
In memoriam
Não é da voz que sentirei a falta, para isso há cds e vídeos em casa e na internet, é do sonho. Enquanto ela estava neste mundo podia acreditar que a voltaria a ver e a experienciar a perfeição de uma voz irrepetível.
Os a que admirámos e amámos verdadeiramente continuávamos a manter viva uma réstia de esperança, e acreditávamos com profunda fé que chegaria o dia em que a diva (a nossa diva) recuperaria o fôlego e nos encheria de emoção outra e outra vez. E com cada tentativa o sonho renascia, e sempre que não resultava dizíamos ao mundo "não pôde ser" e a nós próprios "não era o momento adequado, mas o momento vai chegar".
E agora? Onde guardamos os pedaços do sonho não cumprido?
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Factum
Prefiro de longe a designação lusa para um emprego fixo na área em que trabalho. Para uma portuguesa -com toda a carga que tal nacionalidade acarreta - dizer-lhe que o seu "destino" é a 120 kms de casa é um peso psicológico quase impossível de aguentar. Afirmar que a minha colocação definitiva é no lugar X, permite-me acreditar que vai haver um momento em que os 240 kms diários se reduzirão. Chamar-lhe "destino" provoca-me um arrepio na espinha porque esta palavra para uma mente nascida e criada no lindíssimo "jardim à beira-mar plantado" está povoada de uma sensação de inevitabilidade que não quero na minha vida.
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