quarta-feira, 14 de novembro de 2012

S.O.S.

O que fazer quando o chão nos foge... outra vez?

Outra vez o conjuntivo

Talvez seja melhor não o fazer. Hoje sim, amanhã não, no dia seguinte quem sabe? 
Vestimos o sorriso e a cara feliz (ainda que os olhos normalmente não mintam) e seguimos o caminho que já não sabemos se escolhemos algum dia ou se tomámos porque era o único que parecia possível.  As dúvidas enchem-nos a alma sem deixar espaço a mais nada e os pensamentos não nos empurram para a luz. 
O que fazer quando o ensino do presente do conjuntivo volta a coincidir com a incerteza fora da sala de aula?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

17

Só eu e tu é que sabemos a importância que este número tem hoje.

More than words

As palavras que dizemos - quando não devemos, nem queremos, e sabemos que as não podemos dizer - são aquelas que menos significado têm porque são ditas desde a dor e da raiva. São essas, infelizmente, as que mais magoam o outro e mais se lhe pegam à memória. 
Queria poder apagar mil palavras, as que disse sem sentir, as que gritei quando não devia, as que apenas serviram como arma de arremesso. Porque me arrependo delas, e mais do que de as ter dito, arrependo-me de as ter pensado.

À tua procura


domingo, 23 de setembro de 2012

Bluff

Se não nasceste para jogador de poker, por mais que conheças os segredos que pode esconder uma cara inexpressiva, por mais que a tentes emular, por muito que a jogada te saia bem alguma vez, a tensão acumulada enquanto fazes bluff passa-te uma fatura bem alta e não te permite desfrutar da vitória.

Boundaries

Queria tudo o que era de outra pessoa e também aquilo que o outro não lhe podia dar. Podia ceder-lhe os livros e as canetas, podia até mesmo permitir-lhe que levasse consigo alguma peça de roupa que nunca usara e tinha comprado sem pensar demasiado. Ainda que não entendesse o porquê dessa necessidade compulsiva de acumular os bens de outrém.
Porém, não lhe podia dar a vida inteira, nem a atenção total, nem os sentimentos que pertenciam a um outro alguém tão mais especial.

Tentava impor limites e quando se relaxava pensando que estes tinham sido compreendidos, vinha uma nova invasão do espaço vital, uma nova exigência, um novo despropósito.
E assim vivia, na constante corda bamba que mediava entre a amizade e a gratidão, e quando caía no erro de olhar para baixo não via mais do que um abismo repleto de obrigações, de faltas de tempo, de pedidos, de angústias e de um afastamento que, às vezes, lhe parecia inevitável.

sábado, 22 de setembro de 2012

Regressos a um passado já longínquo

Era uma vez uma rapariga que, desde bem pequena, lia todos os livros que encontrava - os que tinha em casa, aqueles que lhe emprestavam, os que comprava de modo quase compulsivo ou os que trazia da biblioteca. Lia sôfrega e avidamente, palavras atrás de palavras, frases mais ou menos especiais e histórias nem sempre inovadoras. 
Tanta leitura acarretou somente um problema: não conseguiu atingir o ponto da maturidade do leitor, aquele em que lemos o que previamente escolheramos com critério. A avalanche de vocábulos levara consigo o poder de decisão e ela era incapaz de saber se tinha mais qualidade um romance de cordel ou o Ulysses de James Joyce. Os que a amavam sentiam-se, por vezes, constrangidos quando numa discussão literária ela citava um qualquer livro menor comparando-o com os grandes sem noção do absurdo do que dizia.

I get so emotional

Continuam a aflorar lágrimas cada vez que ouço uma das canções dela.

(Ainda agora uma menina que cantava mais ou menos apareceu na tv a tentar um Run to you)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Surreal

Uma Diretora de Turma ter o facebook como única forma de comunicar com um encarregado de educação que emigrou sem avisar com o seu educando.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sempre teremos aquele fim-de-semana

Numa noite de má memória, depois de uma interrupção (que mais tarde provou ser) definitiva.
Ele: Estamos há mais de duas horas a falar de trabalho, como é possível tendo em conta que esta não foi a primeira escolha de nenhum dos dois?
Ela: Pois...
E pensava a rapariga com os seus botões: Não quererás que falemos do porquê de ser tardíssimo e ainda não nos termos deitado ou do esquisita que é esta não-relação que mantemos desde há demasiado tempo.
A verdade é que sabiam que não podiam ceder aos instintos mas separarem-se para dormir também não se perfigurava como uma opção aceitável, assim falavam e falavam durante horas só para poderem permanecer na companhia um do outro.

Sshhhhh!

Percebeu que tinha crescido quando calar, não discutir e não se defender começaram a parecer as melhores opções.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Think more, talk less

Engraçado como a amizade, o interesse, a paixão podem resultar da aversão, da indiferença, do ódio quando nos propomos a entendê-los melhor, e como a amizade, o interesse, a paixão podem ser doces quando pensam ser cruéis e devastadores quando acreditam ser a salvação.

You can't always get what you want

Já não sabes o que fazer com todas essas lágrimas, que não sabias sequer poderem caber dentro desse pequeno abrigo escondido no teu peito. Não podes secá-las porque se elas se multiplicam quando o tentas fazer. Não podes ignorá-las porque elas dominam a razão. Não podes deixá-las correr porque elas impedem-te de agir. Já não sabes o que fazer com todas as horas dedicadas, que não sabias sequer poder investir sem esperar algo em troca. Não podes recuperá-las porque o tempo não volta atrás. Não podes esquecê-las porque o relógio revive cada momento. Não podes vivê-las porque preferes não dar conta que elas passaram. E já não sabes o que fazer com tudo o que aprendeste, que não sabias sequer poder entender. Não podes utilizá-lo porque não queres ser essa pessoa. Não podes aceitá-lo porque recusas que te transformem. Não podes apagá-lo porque já não serias a mesma. E de repente descobres que nem tudo se cura com uma gargalhada.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Go the distance

Não é o cumprimento do dever o que está em causa, é o esforço extra. Aquele pequeno nada, sem qualquer importância, que nos sussurra ao ouvido que devemos superar-nos e ter vontade de fazer sempre melhor.

My make-up may be flaking

A insegurança do futuro que não domino frustra-me mais do que nada. Não me apetecem segundas opções, porque consigo - mesmo sem bola de cristal - prever o que trarão: dúvidas, incertezas, autoencerramento na minha concha e os sorrisos treinados para funcionar. 
Não é a distância o que me mata (sempre fui diferente do mundo em redor), não é o carro, nem a solidão dos quilómetros, são os lugares vazios na plateia que me obrigam a duvidar da vocação que sei não ter.

domingo, 19 de agosto de 2012

Ouriço ou bicho de conta?



Enrolada em mim mesma, espeto os espinhos para me proteger do exterior. Talvez me custe entender que a fraqueza me dói, me mói, me corrói por dentro e preciso de rabujar como mecanismo de defesa. Sou assim - por mais que me esforce por mudar - nos momentos em que a frustração se abate, mostro as unhas e assim, tentando causar não sei se medo se repulsa, escondo melhor o coração magoado.

sábado, 18 de agosto de 2012

Primaveras



Comoveram-me as imagens da que não foi a minha viagem.
Receei, primeiro, os ataques rasteiros do monstro verde; depois da pena que poderia, eventual mas provavelmente, ter tentado invadir-me o coração; as saudades bateram à porta ao de leve; porém, foi a alegria de os ver juntos, a todos (todos mesmo todos, até aqueles que não se costumavam juntar), o que me fez sentir plena e me demonstrou que as sementinhas que plantamos - ainda que o meu talento com a flora seja nulo - podem florescer na primavera mais inesperada.

Beco sem saída

Aquilo que se diz, de maneira calculada ou não, provoca reações nos demais. Agrado, demonstrado por um sorriso; desagrado, que se nota num franzir do sobrolho; entusiasmo, fascínio, ... , toda uma imensa gama de possibilidades. 
E quando provoca o silêncio e a impavidez de expressão? O que significará a aparente ausência de tudo o que acompanha a linguagem não verbal? 
Talvez o outro estivesse distraído, talvez ficasse verdadeiramente indiferente, ou talvez (a mais dura das opções) tenha ficado a matutar em quantos sonhos aquelas palavras ceifaram.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

If you (just) smile...

Hoje em dia, o sorriso era a única arma que possuía. Enquanto sorrisse, o inimigo desconhecia se estava a conseguir ganhar ou não.

Want for proximity

Relembro, sozinha, sentada no meu sofá de toda a vida, aquela frase que disseste um dia e que repetimos para nos rirmos com alguma frequência. Aquela frase que nos motiva e nos faz sentir mais fortes, aquela frase que nos demonstra que sabemos e sempre soubemos o que queríamos, e que o resto chegou com a naturalidade com que um dia se sucede ao outro. Foi uma necessidade de proximidade o que nos uniu, a Natureza apenas contribuiu para que os sonhos convergissem.

Old Hollywood

Eu sou o bom e velho Hollywood. Aquele que nos fascinava com grandes planos, com lágrimas de felicidade a correr por rostos que falavam sem voz, onde havia enormes romances em que o coração batia mais forte e que nos faziam sonhar. 
Não quero pipocas nem tremendíssimos efeitos especiais na minha vida, quero um bom filme com final feliz a preto e branco, e todas as sensações e emoções a que (acho que) tenho direito.

domingo, 29 de julho de 2012

Viagens

É quando temos o fim à vista, e parece que algo dentro de nós nos impele, quando fomos nós quem proferiu as estúpidas palavras que nos fizeram avistar o precipício, que temos ainda mais a certeza de que não o queremos. 

As vertigens que me assolam não me puxam para o abismo desta vez, empurram-me no sentido contrário, no caminho do bem, do futuro que quero, daquilo que não sei se mereço mas que me faz profundamente feliz.


(Foto do Gabriel)

Mulheres, bah!!!

Por vezes, quando refiro o fim é porque preciso que me recordes o início.

quinta-feira, 26 de julho de 2012


São as ondas do mar que te levam; são elas que te afastam de mim.

Poeta

Foste poeta um dia, falando-me de circulos perfeitos que se cerram no mesmo ponto em que se abriram, e, justamente nesse dia, descobri que a tua poesia tinha o dom de me fazer chorar.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A sonhar com...

Astúrias e Cantábria

Promessa que te fiz

Pediste-me para escrever, para não abandonar o cantinho e o prazer da escrita. Estou a tentar cumprir à letra o teu pedido (como costumo fazer sempre que posso) ainda que a falta de hábito se esteja a notar a olhos vistos e a fluidez tenha desaparecido.

Barbravention

O verão é uma época particularmente complicada. É o calor a fazer-nos perder a vontade de agir, as janelas meio fechadas que impelem ao ócio, a (maldita) distância a que custa habituar-se, a falta de horários, normas, deveres. Mas é principalmente o tempo extra, de não bulício, o que nos faz parar e pensar naquilo que um ano inteiro de correrias não nos permitiu. Fazemos balanços, procuramos saídas, porém notícias de crise, (nova) redução de salários, reestruturação, incerteza e insegurança, não ajudam a procurar vontade para lutar.

É nestes momentos escuros que o nome da diva surge de novo. Faz burbulhar a motivação, impele ao esforço e ao empenho, proporciona sorrisos e decisões mais acertadas, porque aqueles que admiramos Streisand, sabemos onde encontrar a faísca para não desistir.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Penso continuar a ser



Aprender - com a devida vénia *

Agora tornada professora - aquela profissão que passei toda a infância e adolescência a dizer que jamais abraçaria - relembro aqueles que me influenciaram de tal maneira que me "fizeram" enveredar por um caminho que me parecia impossível.

Relembro a primeira educadora infantil (a Isabel) que eu adorava como só uma criança pode, a primeira professora primária (a D. Francisca, que tinha sido, por sua vez, aluna da minha avó), a primeira professora de inglês (a prof. Teresa) e a sexta (a prof. Elsinha, como ainda hoje gosto de me referir a ela), a professora de Ciências de 6º ano, a maravilhosa e inesquecível professora Guadalupe que despertou em mim a paixão pela minha própria língua, língua essa que hoje (muito orgulhosamente) ensino. Junto também à lista duas professoras da faculdade: a Professora Rita e a Professora Joana - porque me apoiaram, talvez sem saber, e me ensinaram a importância do método e a cultura do esforço. Me ralharam e me ofereceram uma mão, cada coisa a seu tempo.
Talvez estas duas últimas e outra a quem ainda não me referi (por merecer o maior destaque da minha vida académica) tenham sido as três pessoas que mais me influenciaram. Talvez por culpa delas queira ser cada dia melhor.

Sei que o meu trabalho não é tão importante como o delas. Eu não influencio ninguém, ensino adultos maravilhosos que já têm uma vida formada e organizada e que aprendem português como língua estrangeira por hobby. Tenho somente um ou dois adolescentes perdidos numa selva de gente crescida. Contudo, gosto de ser melhor para e por eles, gosto dos gestos de atenção e carinho, gosto de uma sala de aula cheia, e gosto de pensar que se me vissem por um buraquinho todos os docentes referidos aqui (e aqueles que não tenho a capacidade nem o talento de referir, ou tornaria este post numa lista interminável de nomes) teriam um pouquinho de orgulho por terem semeado algo na menina tímida, calada e reivindicativa ao mesmo tempo.

A todos o meu mais sincero obrigado. Contudo, principalmente tenho de agradecer à professora Adélia, pelo carinho, a paciência, o sentido de humor, o talento, a inspiração, por saber sempre estar presente mesmo quando não temos tempo para dizer um olá rapidinho. Obrigada, professora, por ter estado ao meu lado, nos momentos bons e maus (e até mesmo nos piores), por ter sido e continuar a ser o meu modelo, e por me ter ensinado tanto, na escola e fora dela. 

* Post inspirado por uma lindíssima atitude da Fátima para com a nossa professora de Geografia que leio atentamente ainda que ela não saiba (o meu obrigado também a essa senhora fantástica que conseguiu que a disciplina de que eu menos gostava na escola se tornasse numa área interessante e estimulante).

domingo, 1 de julho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tenho saudades tuas Jess!

Quando me apetece chorar, assim à noite, já tarde. É em ti que penso, amiga de todas as horas, e tenho pena, tenho pena que esta saudade não passe com as lágrimas.

Alentejo interior

O sol nasce e põe-se com a mesma parcimónia do dia anterior e daquele que há de vir. Nada muda, nem na paisagem, nem no horizonte, nem no futuro que se pode observar a olho nu. A necessidade de mudança oprime o peito e fá-lo doer de desespero; voltaram as noites sem sono e o medo do nada aparente. 

Serão as origens o que me sufoca, tal como o fazia o calor estival de 40º à sombra da minha infância? Poderá o Alentejo planície que desconheço (pois o meu tem serra e verde e água) ter-se apoderado da minha alma e nela ter plantado o sobreiro solitário em fundo de cores terra? Será que esta necessidade incessante de beber água é um reflexo dessa mesma realidade interna?

Gosto de sonhar com um futuro risonho, em tons esperança, que me embala quando abro a porta de casa e entro para descansar do quotidiano. Mas ele não quer chegar por mais que eu o anseie, e vou (pouco a pouco) perdendo o ar e o chão.

Gritos mudos

O que é que se pode fazer quando já não se aguenta mais?
Gritar para quê?
Fugir parece impossível neste labirinto sufocante que me leva sempre ao mesmo lugar.
Chorar não vale a pena, principalmente por a alma ser demasiado grande.
Já não há criatividade que sirva de bóia de salvação, talvez por isso o silêncio seja o muro das lamentações em que me prefiro esconder.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Eu hei-de comer caracóis...

Surpreende-me esse teu ritmo suave e doce, que é tão meu. Ninguém é assim tão gentil quando tenta ser arrojado.

Wake up slow

Soubesses tu como me conquistas todos os dias um bocadinho mais cada vez que pedes desculpa por não teres conseguido ler-me nas entrelinhas e já não dirias que sou misteriosa. O meu único mistério é querer-te mais do que imaginas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

No more slow motion

Não sei se é tempo que me falta, se vontade de colocar em palavras o coração. Já não sei definir-te em segundos, já não sei entender-te em poucas palavras. Será porque não fomos capazes de acompanhar o resto do mundo? Enquanto ele vivia depressa, nós ficámos suspensos entre definições de um qualquer dicionário abstracto, pensando que a calma e o sossego nos protegeriam de cair em excesso. Sem darmos conta, cedemos a esta dormência e agora arriscamos tudo para entrar no ritmo. Diz-me que vou saber escutar-te, que vou saber cuidar de ti como mereces. Diz-me que vais saber dar o melhor de ti, que vais saber entender o que preciso. Não te feches em ti mesmo, não te finjas indiferente, não desistas. Eu prometo não te deixar cair, não te fazer chorar, não te consentir adormecer novamente. Toma balanço e corre atrás. Quando aceitares a velocidade do mundo, vais seguramente perceber a vida a recomeçar.

sábado, 24 de março de 2012

Calamidades em crise

As festas de final de período na escola estão cada vez menos desastrosas. Estamos a perder qualidades.

terça-feira, 20 de março de 2012

Irresistible urge

Mr Darren Criss, em repeat no meu iPod.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ray of hope


Até o céu que acorda mais nublado tem guardado, algures, escondido, a espreitar, um raio de sol. E é este que ilumina o mar da vida, esteja ele tranquilo ou em turbilhão.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Partes do queijo

Tento fazer o que me dizes, dividir a vida no seu todo em segmentos mais pequenos para entender o que vai bem, o que vai mal e aquilo que se pode mudar. No meio da confusão só tenho uma certeza: tu!

Para quê?

Há dias em que é a única pergunta que me ronda a cabeça: Para quê? 
Para quê o esforço? Para quê o cansaço? Para quê a dedicação? Para quê querer ser e fazer sempre melhor? Se a mediocridade nos circunda e triunfa, para quê insistir em tentar crescer no caminho que nos parece certo, quando dele não vem nada, nem sequer vem luz? 

Afonia (?)

Podemos ficar sem voz por questões físicas ou simplesmente porque falar nos traria pressões desnecessárias. Então preferimos calar-nos e deixar passar o tempo, esperando que tudo se resolva por si só e não entendendo que quanto menos nos impomos, menos nos poderemos impor.

In memoriam

Não é da voz que sentirei a falta, para isso há cds e vídeos em casa e na internet, é do sonho. Enquanto ela estava neste mundo podia acreditar que a voltaria a ver e a experienciar a perfeição de uma voz irrepetível. 



Os a que admirámos e amámos verdadeiramente continuávamos a manter viva uma réstia de esperança, e acreditávamos com profunda fé que chegaria o dia em que a diva (a nossa diva) recuperaria o fôlego e nos encheria de emoção outra e outra vez. E com cada tentativa o sonho renascia, e sempre que não resultava dizíamos ao mundo "não pôde ser" e a nós próprios "não era o momento adequado, mas o momento vai chegar".
E agora? Onde guardamos os pedaços do sonho não cumprido?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Futuro


Contigo.

Factum

Prefiro de longe a designação lusa para um emprego fixo na área em que trabalho. Para uma portuguesa -com toda a carga que tal nacionalidade acarreta - dizer-lhe que o seu "destino" é a 120 kms de casa é um peso psicológico quase impossível de aguentar. Afirmar que a minha colocação definitiva é no lugar X, permite-me acreditar que vai haver um momento em que os 240 kms diários se reduzirão. Chamar-lhe "destino" provoca-me um arrepio na espinha porque esta palavra para uma mente nascida e criada no lindíssimo "jardim à beira-mar plantado" está povoada de uma sensação de inevitabilidade que não quero na minha vida.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Esforços vários

Costumamos fazer esforços porque nos vale a pena a recompensa que acarretam. Puxamos barcos, viajamos diariamente até ao infinito, corremos atrás do tempo, enfim, empurramos as barreiras impostas pelos nossos próprios limites e percebemos que estas cedem se tivermos força suficiente. 

Mas qual é o limite dos nossos próprios limites? Onde é que está a linha que não podemos passar? Será que só nos apercebemos que o esforço foi demasiado quando o corpo ou a mente colapsam? Seremos assim tão injustos connosco mesmos que não entendemos que, às vezes, o esforço que parece meritório não é mais do que outro peso para arrastar ao longo dos dias?

It's a kinda magic

A combinação mais inesperada, feita por rede social ou aplicação nova no telemóvel, já não recordo bem, traz as melhores surpresas. Duas pessoas tão diferentes, com aparentemente nada em comum, mas que procuram o tempo possível para partilhar um bocado juntas e comigo. 
Quando decidi - por conselho sábio - abrir-me um pouco mais ao exterior, esta não era uma situação que eu tivesse imaginado e ainda me parece magia o bom e o agradável que é ter ex-alunos que passaram a ser amigos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dos amigos

Segundo o dicionário, um amigo é uma pessoa ligada a outra por sentimentos de afeição e consideração pessoal.

Sei bem quem são aqueles que considero amigos. Perdi alguns ao longo dos anos, é verdade. Porque me dececionei, porque se dececionaram comigo, porque a distância ou o corre-corre diário se interpuseram, porque houve mal entendidos ou simplesmente porque crescemos em direções diferentes. Ainda assim, sei quem são os que estão perto do coração, os que me cuidam e a quem cuido, os que me dão ombro, ouvido, sorrisos, com quem partilho alegrias e tristezas; a quem conto os meus pensamentos e emoções mais pessoais. E os que não passam de conhecidos ou colegas e que jamais chegarão a outro patamar na minha vida. 
Os meus amigos, os de A maiúsculo, apoiam-me em qualquer situação, ajudam-me a curar as feridas, dão opiniões sinceras mas não julgam, dão conselhos quando lhos peço porém sabem calar se necessário e aceitar as minhas opções (sejam elas corretas ou não). Chegaram à minha vida há anos ou há meses, é indiferente, mas têm todos em comum a minha admiração, o meu respeito, a minha atenção e o meu apoio.

Se aqueles a quem chamamos amigos não fazem mais do que empurrar-nos para o fundo do poço e fazer-nos chorar, se calhar deveríamos repensar o conceito e tratar de escolher melhor a quem querer.

É por isso que dedico este post a todos eles (sem nomes porque sabem quem são) mas principalmente - se me permitem os restantes - à menina com quem partilho este cantinho da blogosfera, única entre vários, e que hoje cumpriu um aninho mais. Parabéns Jess!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Grito vermelho num campo qualquer

Ao sentir a invasão, ao ver que nos devassaram a vida (não apenas a privada, mas também a íntima, a que deve ser apenas de dois), não nos fazem somente sentir mal pela exposição "pública" de sentimentos e emoções vividos, cortam-nos as asas, tolhem-nos a imaginação, fazem-nos sentir menos livres. 

Não quero mais! Não admito mais! 

Preciso de continuar a sentir-me cómoda e confortável neste cantinho da blogosfera portuguesa, onde há já sete anos e meio comecei a superar medos, a desbravar novos territórios, a conseguir fazer catarse e relativizar distâncias. 

Acabou-se o silêncio a que me submeti para parar com os abusos, decidi voltar a casa e voltei para ficar

(Permitam-me um pedido, já que decidiram ler-me neste pedido/exigência de respeito pela minha liberdade individual como autora de pequenos posts desinteressantes: se o comentário que estão a pensar fazer é desagradável ou de algum modo insultuoso não o façam porque penso apagá-lo uma, duas, três, quantas vezes forem necessárias. As rédeas da minha vida real e ficcional sempre foram e continuarão a ser usadas por mim, por ninguém mais.)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Far from perfect

Sou de lágrima fácil e de temperamento difícil. Sonho acordada mas não me lembro dos meus sonhos quando acordo. Adoro letras, detesto números e, no entanto, faltam-me palavras para te explicar o quanto te quero e dou por mim a contar as horas para te voltar a ver. Não tenho meio termo, ou branco ou preto, ou muito ou nada, mas não me importo que me mostres que posso ser flexível e aceitar outras cores. Gosto de ensinar, quase tanto quanto gosto de provar e recolher o que posso das experiências e conhecimentos dos outros. Tenho defeitos, como tu, mas só eu sei os pedaços que se partiram e que fui incapaz de colar de todas as vezes que me magoaram. Prometo abraçar as tuas imperfeições se prometeres encontrar e devolver-me todos os bocadinhos que me faltam. Sou inconstante, impaciente, hesitante e tenho medo de compromissos. Gosto de estar sozinha, prezo muito o meu espaço e a minha liberdade, mas asseguro-te que não penso em fugir quando me prendes no teu olhar. Tenho a mania da perfeição, estamos tão longe dela, mas ainda assim, tenho-te a ti e tu tens, pelo menos, a paciência perfeita. Sabes que uma boa gargalhada pode curar (quase) tudo?

domingo, 20 de novembro de 2011

11

És tu o culpado por estes olhos distraídos quererem escapar aos teus. Não quero desfazer-me em sorrisos quando o meu olhar encontra o teu por engano. És tu o culpado por estes lábios receosos quererem esconder-se de ti. Não quero que, inadvertidamente, te contem o que, seguramente, quero calar. És tu o culpado por este coração apertado querer saltar-me do peito e fugir. Não quero correr o risco de esperar que venhas roubá-lo à revelia. E se estas ideias desordenadas pudessem encontrar um sentido?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sobre quadros e anjos II















foto daqui

Sobre quadros e anjos

O cor de rosa desbota em sentido ascendente recuperando o vigor num azul que se aprofunda. Há um castelo iluminado no alto de um morro. Há também um rio atravessado por uma ponte de onde vejo tudo enquanto circulo pelos caminhos até há pouco desconhecidos. Há uma outra ponte, também ela iluminada (como o castelo), que pede que a percorra um dia destes, ao final do dia, pois é o lusco-fusco o que me atrai nesta pintura com várias perspectivas segundo o andamento. 
Há também alguém que me faz querer voltar no tempos livres ao percurso que faço contrariada nos dias de trabalho.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011




Desenho corações desde sempre. Enamorei-me, há muito, de forma redonda, das linhas que se precipitam e se unem num ponto comum. Pinto-os em cadernos, em folhas em branco, em livros de leitura e na areia da praia.
Porém há uma diferença. O coração - o meu -, que motiva o rabiscar de todos os outros, agora é rubro de paixão e está cheio de ti.

domingo, 25 de setembro de 2011

Winning hearts and losing minds

Às vezes parece-me que me estudaste ao pormenor, como quem avalia o inimigo e escolhe as suas melhores armas para preparar a batalha. Às vezes parece-me que te subestimei  e devia ter investido mais tempo na minha estratégia de defesa. Às vezes apetece-me unir forças contigo e derrotar-me, vencer o inimigo no seu próprio território. Às vezes apetece-me lutar contra mim e, com as tuas armas, obrigar-me a render-me a ti. Às vezes sinto que me deixas mais fraca sem usares sequer as tuas forças. Estarás apenas à espera que eu amoleça para não teres que me quebrar?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

São 5

Arrepia-me a tua mão a acariciar-me a pele, a tua respiração descompassada à espera da minha reacção. Sinto-te os lábios próximos e sorrio, sabendo perfeitamente que o inevitável vai acontecer. Beijamo-nos, por fim, ora com calma, ora descontroladamente porque à visão do ser amado o mundo esvai-se e só os sentidos importam.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

João

Seguramente será um lugar-comum dizer que se gostava de voltar aos bons velhos tempos. Mas ontem, entre papéis, reencontrei uma das pessoas mais fantásticas que conheci na Faculdade. Não era aquela aparência séria e distante que escondia um sentido de humor inteligente e corrosivo que me surpreendia. Era a aura de mistério: nunca sabia em que detalhe brilhante ele estava a pensar e tentar acompanhar qualquer conversa, mais ou menos séria, era tentar ser tão mordaz ou engraçada como uma pastilha elástica. O João intrigava-me, o que no meu absurdo dicionário abstracto era sinónimo de admiração, de fascínio. Ontem, no meio da organização obrigatória depois de obras em casa, encontrei algumas das conversas silenciosas que tínhamos nas aulas. E depois de as ler, não fui capaz de as deitar fora e guardei aqueles papéis como algo precioso. Alguém que criou o DJ António Vinil na Tasca da Seabra só pode ser genial. Só pode intrigar-me.

Need this really bad

Ou Lisboa já não é a mesma ou fui eu que mudei. Será que tudo continua no mesmo lugar ou será que a minha bússola interior está a apagar-se e este coração já só sabe orientar-se mais a sul, longe da capital?  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Privilégios ou como eu entendo Jean-Baptiste Grenouille

Consigo deslindar cada uma das essências que se unem para formar o teu cheiro. O perfume que usas, o creme que pões de manhã, a pasta de dentes, o amaciador da roupa, o champô, o sabonete e o meu favorito (aquele que me mantém a sonhar, acordada e enquanto durmo): o cheiro intrínseco da tua pele. 
Todos em um são tu, porque mais uma vez repito o que um dia disse aqui: a beleza das partes em nada se compara à perfeição do todo.

sábado, 23 de julho de 2011

2

Os assuntos profundos que discutimos a sós ficam a dançar-me na mente enquanto não estás. Muito provavelmente falei demais em algum momento, com a ânsia (absurda?) que tenho de partilhar contigo tudo aquilo que não sabes e não viveste comigo, e isso deve ter-te confundido. 
Depois da última conversa - aquela que tivemos antes da tua partida - e após dizer o que te disse (com mais ou menos certeza no momento) assegurei-me nas minhas instrospecções que tudo era verdade. Os objectivos que tenho traçados são os que conheces, as prioridades as de que te falei, os sonhos não vão muito mais longe do que o presente. 
Não ambiciono muito mais do que aquilo que tenho, pois há dois meses tinha muito menos a que me agarrar.

Âncora

Ouvir-te dá-me a paz que necessito para continuar a acreditar. 
Abraça-me esta noite, embala-me no teu colo, adormece-me com a tua pele na minha, deixa-me que te acorde (como tantas vezes) só para me certificar que estás quando os pesadelos não me abandonam. Tranquiliza-me as inquietações com os teus beijos e acaricia-me o cabelo (como tantas outras vezes) para que possa descansar. 
Esta fragilidade inesperada, e de que não me livro, talvez seja apenas passageira (até conseguir voltar a ganhar confiança no mundo e em mim própria), talvez delate uma mudança muito mais profunda a que não sei como me vou adaptar.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quando o inesperado toma conta do dia

Ao longo dos dias, a cabeça prega-nos partidas desagradáveis e são os murros no estômago que nos fazem voltar à realidade. 
Através de um sms, esta tarde, chegou-me a notícia do desaparecimento de um ex-aluno. Um senhor risonho, simpático, doce e bem-disposto, que sentado na primeira fila, bem pegado à janela da sala 4 na primeira escola em que trabalhei, me fez rir e sorrir muito. Foi também uma das pessoas que, ainda que à distância, me apoiou num momento complicado sem sequer saber que o fazia. Sinto-lhe a falta como se tivesse sido de novo transportada para aquele lugar particular e ali lidasse com a sua não-presença. 
Peço, aos que lêem este blogue, que me desculpem a nota triste, mas é impossível não falar naqueles que nos tocam a alma. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Clear Blue

Vivo a tua ausência entre o azul da piscina e o do céu. Ao calor do dia sucede-se a brisa nocturna. Alterno o descanso com a organização mais que necessária do espaço que escolhi. Desfruto da tua cidade como se minha fosse porque isso nos aproxima e faz-me sentir-te comigo ainda que não estejas por perto.
Orgulho-me deste mundo que construí enquanto te foste, pois agora, com uma base sólida e a certeza de um chão debaixo dos pés, tudo voltou a brilhar porque voltaste.

domingo, 17 de julho de 2011

"Que bom estar de férias!!"



Repetia mil vezes uma antiga colega ontem à noite enquanto numa esplanada púnhamos a conversa em dia depois do sempre esgotante mês de Junho. E este ano lectivo foi Junho e Junho e Junho. Cansaço, não dormir, não comer, arrastar às costas uma tonelada e no peito um vazio tremendo que quanto mais crescia mais fazia querer desistir. E o peso crescia e o tempo que costuma correr não passava; como diz a Mafaldinha (companheira de tantas horas): 

Não percas tempo, 
O tempo corre, 
Só quando dói é devagar...

Mas com Junho veio também a mudança. Juntou-se ao cansaço um novo sorriso, uma nova esperança, aquela ténue luzinha verde a aproximar-se quando eu já tinha medo até mesmo de me mexer.



Obrigada Verão, por me estares a ajudar a esquecer a Primavera. E Julho voltou a fazer sentido!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Back to the start

De repente, deparei-me sem querer com a tua foto na internet. É certo que o tema sempre te interessou, mas não esperava encontrar-te na minha pesquisa superficial. E ainda que não te veja há alguns anos, consegui reconhecer-te, no meio dos outros e ver na tua cara os anos que (não) passaram. Tentei lembrar-me da última conversa e já não nem sei se essa foi, de facto, a última ou se ela foi sequer sincera. Se fosse possível voltarmos ao início, como dois desconhecidos, será que as coisas tomariam o mesmo rumo?

Um pouco mais de Sul ou The beautiful B

 
Na próxima semana, o céu vai estar mais azul, a areia mais branca, o mar mais calmo.
A próxima semana vai ser só nossa. Vamos estar por aqui e ser felizes.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Top 10 Non-Fiction

Relatório de auto-avaliação
Relatório de recurso
Relatório PCT
Acta da reunião de CT
Acta da reunião de Departamento
Acta da reunião de articulação
Projecto TIC
Planificação
Documentos no moodle
Matrizes

(A precisar de ler boa ficção, sem preferência pela língua...)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Self-preservation

É tão difícil falar de ti. Há pouco para dizer e o tanto que existe não poderia nunca traduzir-te por inteiro. Podia contar-te que preenches o vazio, confidenciar-te que não preciso de mais ninguém se tu estás, ou simplesmente explicar-te que a tua proximidade já fez estragos suficientes. Prefiro anunciar-te que pendurei um STOP junto ao coração. Se eu não consigo impedir-te de entrar, sempre posso confiar que vais obedecer ao sinal.

Whirl

Para onde foge o mundo quando estás comigo? São eles que se escondem ou somos nós que os engolimos nesta ânsia de podermos encaixar os nossos abraços?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lista "a fazer" (ou "em processo de")

Amenizar a tempestade,
trazer paz e confiança,
acalmar ânimos,
controlar o pânico,
perceber e racionalizar o caos,
beber lágrimas,
oferecer e receber sorrisos,
dar carinho,
compreender,

procurar (e encontrar) a felicidade.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sleep

Tu és o único comprimido para dormir de que preciso.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

De volta à menina dos sapatos vermelhos (post demasiado pessoal)


Tinha saudades da harmonia e da tranquilidade que a voz da Rita me traz. 
A esperança de que os fantasmas desapareçam, de que o futuro seja mais bonito do que o presente, de que as escolhas (acertadas ou não) sejam as que eu quiser e não as que me impõem. Quero ver pores do sol, quero sonhar, quero abrir as asas e voar sobre a distância que me afasta da felicidade para que esta chegue antes. Quero poder chegar a ti, sem barreiras nem quilómetros e saber que não há nada que nos possa separar. 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Marathon Woman

Depois de tanto desencontro, depois de anos de sofrimento, depois de tempos infindos, chegaste num fim-de-semana inesperado (não sabia sequer se iria a casa e, afinal, estavas lá). 
Repetir-te-ei sempre a mesma frase: Não tenho pressas, sou uma corredora de fundo. Prefiro fazer 42 kms a um ritmo constante e coerente, do que lançar-me em corridas de obstáculos, nas que posso cair e magoar-me a qualquer momento. Ainda assim, sabendo que a meta me traz os teus braços fortes e ternos, prometo tentar um record olímpico.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A glimpse

Vir a casa votar acarreta as suas surpresas. Se os resultados das eleições deixaram a Jess muito mais feliz do que a mim, outras surpresas houve (essas totalmente inesperadas) que me puseram um sorriso a dançar na cara. 
Foi bom reencontrar-te, saber que ainda estás aí, notar que continuamos a ser nós um com o outro, e ouvir-te as palavras mágicas de há anos encheu-me o corpo e a alma: como só tu conseguiste e consegues fazer. Eu também te sentia a falta, eu também tropecei pelo caminho por não te ter ao lado, eu também queria e acho que quero... tens apenas que me dar uns minutinhos para organizar as ideias e o coração.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dream(ed) on

Tão inevitável como as estações e não poder haver temperaturas moderadas todo o ano, o meu futuro vai-se revelando cada vez mais claramente. As esperanças de estabilidade desvanecem-se, os sonhos enterram-se em caixas num qualquer quintal para se desenterrarem anos mais tarde e recordar como tinha sido bom sonhar todas aquelas coisas. 
Tenho saudades da menina sonhadora que era há dois dias, tenho saudades de acreditar, odeio a céptica em que me voltei a tornar. Vejo tudo com clareza agora, não há volta atrás nem vale a pena lutar: abraçarei o meu destino com força e esquecer-me-ei que um dia sonhei algo diferente para mim e acreditei que isso fosse possível.

sábado, 28 de maio de 2011

Perspectiva

A linha onde todas as linhas confluem, aquela que nunca nos abandona e nos vigia desde longe, parecia um pouco menos esbatida no dia anterior. Parecia querer definir um horizonte de tranquilidade e cordialidade; horizonte esse que, naquele momento, era a maior aspiração dela. Porém, quando a nitidez se começava a tentar instalar, uma nova bátega de temporal abateu-se sobre o mundo e fez com que as bases lhe voltassem a tremer. A realidade que a envolvia e que tinha passado a tons cinza, voltou a parecer negra.

Pensava consigo mesma - coisa que não parara de fazer nos últimos tempos - que se o traço de fundo se definisse, talvez tivesse uma oportunidade de encontrar a saída.

Fairy Tales



Na altura em que a céptica se apaixonou por uma ficção infantil, esta canção era uma constante nos seus dias. Hoje apeteceu-me voltar a ouvir a Marta e o Miguel e a ver a Lili / Madalena e o Lucas. Afinal de contas, é tão bom voltar aos amigos de longa data.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Camponeses e Lobisomens 2

Com só um olhar podemos dizer o mundo.
Os diferentes lados da mesma história revelam predadores e inocentes díspares, e há que defender-se contra os possíveis ataques que estão por chegar.

Camponeses e Lobisomens

Enquanto não se apanha(m) o(s) culpado(s) continuarão a desaparecer aldeões. 
Aquele que mais vê, normalmente é o mais ignorado.
As suspeitas pululam na vila, todos desconfiam de todos, todos têm de chegar a acordos para conseguirem sobreviver. 

Estas são as premissas de um dos meus jogos de oralidade favoritos (Thanks, northern boy!) e que mais diverte o público que assiste às minhas aulas diariamente. Repeti-lo-ei hoje e amanhã, para que eles levem deste ano (e de mim) uma boa recordação. Espero poder voltar um dia, mais leve e com o coração mais limpo, porque eu sei que apesar de tudo, aqueles que verdadeiramente importam, vão sentir um pouquinho a minha falta.

domingo, 22 de maio de 2011

Party!


Há sete anos, depois de uma conversa telefónica e com todas as ilusões do mundo, duas amigas separadas por cerca de 200 kms decidiram criar um blogue. Não que tivessem aspirações literárias, nem sequer era questão de querem ter uma voz para falarem ao mundo, era uma brincadeira, uma maneira de se manterem em contacto, uma forma de entrarem num mundo do qual, até aí, apenas eram espectadoras.
Vieram os artigos (mais de 1800), os visitantes, as pequenas (e grandes) vitórias, as alegrias, as desilusões e algumas lágrimas. Veio um mundo novo, uma vida a evoluir com duas únicas constantes: o espacinho virtual e a amizade que as une. Agora são bem mais os quilómetros que as separam, as vidas mudaram muito, as rotinas são outras, o contacto deixou de ser diário.

Num dia em que pensava não ter muito para festejar, olho para trás 7 anos e ouço a Jess a gritar "Party!!!"  como outrora, e o misto de emoção e felicidade molha-me o rosto. É tão bom saber que continuas aí, amiga, é tão bom ver que apesar de tudo o nosso recanto na blogosfera continua a ser o que sempre foi e ainda há quem queira ler-nos.
Parabéns para ti, amiguinha, pelo Figuras: pelo esforço, pela qualidade, pelo empenho e principalmente pela amizade.

Lux

Apesar da cor ser a mesma, a luz de antes era de outro cariz. Era uma dúvida, uma incerteza, sim, mas de se actuar ou ficar quieta, de se abrir a alma ao exterior ou encerrar-me na minha ostra particular. Fui contra mim mesma, aceitei voltar ao mundo de todos, não me arrependo porque o bom foi muito bom, mas os ensinamentos que daí retirei foram e são dolorosos.

A de agora também tem a cor da esperança, mas já não espera nada. Fica sentada, a contemplar o outro lado de uma baía de águas serenas e deseja que esse seja o futuro: o da inércia, o do não sentir, o do não excesso. Sem abundâncias desnecessárias e com a tranquilidade que o mar contido pela terra oferece. Nem sequer nadar, seria movimento a mais.

Talvez encontre algures no horizonte os olhos de Jay Gatsby e num momento de lucidez finalmente lhe entenda a resignação de esperar sem esperar, de ficar prostrado perante um futuro que não lhe serve mas a que está condenado.

sábado, 21 de maio de 2011

Roubos da alma

Disseram-me ontem que era fotogénica e natural depois de me tirarem um retrato. Lembrei-me, invariavelmente, de ti. De como fotografar era uma coisa só nossa, de como jamais saí tão bem numa foto até te conhecer. Não sei se era a plenitude dos sentimentos que aparecia através da lente ou se era a frase mágica que me dizias antes de carregar no botão, o que fazia que a minha aura se iluminasse e eu até parecesse mais ou menos em fotografias tiradas por ti.

O fim do mundo

Diz um movimento cristão americano que hoje é o dia do julgamento final. Ainda não senti nada. Porém, se fosse verdade, não tenho a mais pequena dúvida de como gostaria de passar as minhas últimas horas.

Um grande filme, boa companhia, um jantar agradável e a certeza de que me iria, amada, desejada e querida. Tenho vontade de voltar a ver este filme, porque há anos que não o vejo e a beleza a que nos transporta é inigualável.

Para além disso, há algo naquela tecedora de imagens e histórias que me faz sentir identificada.

Nas malhas de ficção

Escrevo, e escrevo, e escrevo. Lentamente. Não como antes em que a escrita compulsiva tomava conta de mim e me fazia redigir páginas e páginas seguidas sem parar para respirar. Agora é uma coisa mais serena, talvez por ter crescido, muito provavelmente porque agora já não há público e o faço para mim mesma.
Enquanto escrevo, vou escondendo, detrás de cada palavra uma história por contar. Por trás de cada momento um segredo bem guardado. Tapando com mil frases, disfarçando com outros nomes, outras caras e outros acontecimento, a catarse que preciso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

SMBN

Dançámos. Num abraço relativamente apertado. Com cabeças encostadas e queixos encaixados em ombros. Porque tu quiseste, já que eu me sinto ridícula nessa actividade para a qual não tenho qualquer aptidão.

Hoje, sentada no meu sofá, enquanto corrijo uma pilha de redacções e ouço música nova, olho em frente e vejo-nos, desde fora, a iniciar algo que não pôde ser mas que foi "close to perfection". E sorrio. Esse (o sorriso) é impossível roubá-lo do meu rosto quando recordo momentos especiais.

domingo, 15 de maio de 2011

Era uma casa muito engraçada...


Recobrar forças para conseguir avançar é uma rota dolorosa, porque nos agarramos à felicidade passada, não entendendo que se já falamos no passado é porque há que tentar encontrar outros aliciantes na vida.
A minha casa nova (ainda que não saiba se a conseguirei manter tal e como a imaginei num futuro próximo) é o meu empurrão para deixar a tristeza. Primeiro foi a escolha, a compra, as obras que quis fazer. Depois os móveis, brincar aos legos, ver como tudo encaixava numa síntese perfeita da imagem na minha cabeça. Os momentos partilhados com aqueles a quem mais quero, a fazer planos e a ser feliz. E ainda que cada recanto me traga memórias... e ainda que cada memória me provoque um nó... sou feliz neste espacinho só meu: o meu jardim secreto.
Tenho paredes turquesa e paredes vermelhas. Tenho paredes que ainda esperam que eu lhes dê uma de mão. Tenho uma semana de carpintaria pela frente, que me trará remates e ordem.
Contudo, e como prémio pessoal para aguentar melhor este Verão que aí vem, ofereci-me um terraço, é grande, vê-se um castelo e agora já tem mesa e cadeiras para poder receber quem eu quiser.

There is a castle on a cloud


I know a place where no one's lost,
I know a place where no one cries,
Crying, at all, is not allowed,
Not in my castle on a cloud.

Where is it, Cosette?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Começar de novo (outra vez)



Quando do amor se passa ao ódio, quando o carinho e a ternura se transformam em despeito e rancor, quando do bom se faz mau. Quando alguém quer tanto que passa os dias a duvidar acerca do seu próprio destino para facilitar outra vida, leva pontapés definitivos a cada passo do caminho. Enerva-se, desespera, chora de raiva e de tristeza e depois percebe que talvez o que hoje parece mau, amanhã seja o melhor (ou disso tenta convencer-se).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Guilt

Haverá um momento em que a felicidade dos outros deixe de doer como se de um murro no estômago se tratasse? E não é porque não nos alegremos por eles, se os amamos, se são importantes, claro que nos alegra o coração vê-los bem. Contudo, a dor que provoca a nossa própria tristeza parece tão mais insuportável por comparação.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Window 2.9

Siempre los cariñitos...

Aprender a deixar-nos amar é difícil. Permitir que nos ajudem, mais ainda. Descobrir em nós a necessidade de pedir ajuda, um suplício.
A independência, a liberdade, a segurança, a auto-confiança, não são mais do que máscaras, muitas vezes, escondem tristeza, melancolia, solidão, um deserto interior. Podem, obviamente, não esconder nada, e não passar de características pessoais. Mas isso, só o sabe quem sente e nunca quem está de fora.
Abandonou-me a força mas não a vontade de lutar. E estar a descobrir um mundo de braços abertos é o mais positivo que me podia acontecer neste momento.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sergio

Diz o apelido que escolheu que é dele a alma. E é assim que o descreveria, todo alma, com uma voz impressionantemente rouca mas com uma amplitude de registo surpreendente, um carisma único, uma presença marcante e humilde ao mesmo tempo.
Foram muitas as que subiram ao palco com a emoção, sem controlar os movimentos e recebeu-as todas como se fosse normal. Com o mesmo sorriso, com a mesma simplicidade com que nos cantou durante 1h30m.
A mim, encantou-me há 20 anos num Festival da Eurovisão, quando piscou o olho para a câmara e falava em dançar agarradinhos. Fez-me sonhar durante anos: foi a minha primeira paixão espanhola. Vi-o há quase uma semana e superou todas as expectativas.
Obrigada Sergio, por uma maravilhosa noite na melhor das companhias: a tua!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Realidade ou ficção?

Encolhia-se-lhe o estômago com uma necessidade compulsiva e inexplicável de voltar a escrever. Mas escrever em extensão, como fizera anos antes. Pensava que já não ia conseguir, que já não sairia nada, pensava também que o seu público já se fora e que agora este seria também (como o canto) um prazer solitário e umbiguista.
Numa folha em branco delineou a história que levava dentro, a apertar-lhe o coração. Ficcionalizou tudo. Deu caras e corpos às personagens. Mudou-lhes os nomes mil vezes. Inventou espaços, actividades e diálogos inteligentes. Contou um relato em tudo diferente do seu, que, contudo, catarticamente falando, não era mais do que um palimpsesto de tudo o que a estava a avassalar desde havia meses.

domingo, 1 de maio de 2011

Algarve



Não é são as praias, nem a promessa de sol. Não são as saídas à noite, nem nada do que se possa pensar. São as pessoas que me esperam que me fazem mergulhar numa viagem de quase 4 horas que se repetirá amanhã e que sei que me vai compensar como nunca.
Adoro-vos aos dois!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Correr a Maratona

No próximo dia 7 de Maio, terá lugar na Plaza de San Francisco, em Badajoz, com início às 11h30 (espanholas) a edição de 2011 da Maratona de Leitura de Poesia, organizada pelo Departamento de Português da EOI Badajoz.

Venham partilhar este evento connosco: cultura, literatura e música, num sábado de manhã, que mais podemos querer?

terça-feira, 26 de abril de 2011

A nova peça do António

O meu amigo António escreve como ninguém. Escreve numa língua que não é a dele, peças de teatro - coisa fácil cof cof -, e o amor pelas artes cénicas é tal que enfrenta todo e qualquer obstáculo para continuar a perseguir o sonho. Os que muito lutam são recompensados, ou pelo menos assim quero acreditar, porque o meu amigo merece todos os êxitos que virão e eu não duvido que virão.
Vai ter uma nova peça em cena, no Estrela Hall, casa dos Lisbon Players, chama-se Birthday. De 28 de Abril a 14 de Maio. Deixo-vos o cartaz e espero encontrar-vos por lá, porque como ele me disse (por ser meu amigo) que me ter na plateia faz toda a diferença e é parte da emoção para ele: Como poderia eu não ir?

domingo, 24 de abril de 2011

1800

Na minha cabeça há momentos em que a minha voz se confunde com a dela. É bom tê-la presente sempre, como uma estrela-guia, que canta aquilo que eu não consigo exprimir.

Não há nada como os nossos beijos

Fecho os olhos e ainda te sinto, como da primeira vez: a medo, sem saber muito bem como, com o desejo tão reprimido que não acredita no que tem na frente. Os teus lábios na minha mão, a beijarem-na, suavemente, e os olhos a espreitar-me para se assegurarem de que não se ultrapassavam limites. Os teus dedos a passear na pele dos meus braços, sem saberes o porquê de me escolheres o pulso ou o efeito que tal toque tem em mim. Fechei os olhos de prazer e senti um sorriso na tua respiração acelerada, viste a luz verde e prosseguiste. Aos tímidos beijinhos seguiram-se uns mais sensuais, mais explícitos, e uma vez mais não te rejeitei. Vieram depois os abraços, cada vez mais apertados, cada vez como mais necessidade, e em dois minutos as mãos passaram para debaixo do tecido à procura da pele que se esconde com a roupa. Beijámos pescoço, ombros, colo, cara, testa, olhos, evitando (por muito pouco) os lábios. Conhecíamos perfeitamente as fronteiras que estávamos a empurrar. Foi quando me suspiraste ao ouvido que me assustei, pois já não sabia se aquele suspiro que ouvira era teu ou um dos tantos que eu estava a calar.
Beijámos lábios por primeira vez. E essa primeira vez durou horas, horas de abraços, horas de pele, horas de desejo escondido e apenas materializado naquele beijo. As nossas bocas encaixavam como se fossem as duas únicas peças de um puzzle perfeito. Da inocente necessidade passámos à volúpia, à sofreguidão, ao precisar de conhecer mais da outra boca, já que o outro corpo ainda era proibido. Talvez, se os primeiros beijos não tivessem sido tão perfeitos não tivéssemos jamais continuado.
Contudo, enquanto os dias passavam por nós e o sentimento crescia, se solidificava e ganhava confiança, eram os beijos que não conseguíamos evitar. Aquela entrega sem travões ao carinho eterno de um momento. Qualquer lugar era bom, qualquer situação apropriada, qualquer segundo propício.
Sinto a falta dos teus beijos molhados na minha pele, mas principalmente sinto-lhes a falta nos meus lábios. A tua língua ladina mostrou-me novos mundos, deu-me segurança, fez-me sentir mulher e feminina. Entrego-me agora às memórias do que vivi contigo e se foi a partilha, a cumplicidade, o apoio, o carinho, que me fizeram apaixonar, os teus beijos foram o cimento que uniu os tijolos da nossa relação. Por serem tão intensos, tão sólidos, tão desejados, tão perfeitos. Por me fazerem sentir que o desejo é algo tão forte que há vezes em que por mais cabeça que sejamos, não podemos parar o que o corpo nos pede.
E na hora do adeus, é dos beijos que sinto mais falta. A minha boca é incompleta quando não está a beijar a tua.