sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Coleccionismo radical
Desde que vivo no Barlavento algarvio colecciono catástrofes naturais: um sismo, inundações, vários jantares de Natal na escola e um tornado. Só não espero erupções vulcânicas pelas razões óbvias. E ainda assim, não sei...
Tu intrigas-me
Essa frase é minha, como sabes. Mas não te preocupes, não cobro direitos de autor. Se fosse cobrar tudo aquilo que devia desde que te conheço...
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Outra vez o conjuntivo
Talvez seja melhor não o fazer. Hoje sim, amanhã não, no dia seguinte quem sabe?
Vestimos o sorriso e a cara feliz (ainda que os olhos normalmente não mintam) e seguimos o caminho que já não sabemos se escolhemos algum dia ou se tomámos porque era o único que parecia possível. As dúvidas enchem-nos a alma sem deixar espaço a mais nada e os pensamentos não nos empurram para a luz.
O que fazer quando o ensino do presente do conjuntivo volta a coincidir com a incerteza fora da sala de aula?
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
More than words
As palavras que dizemos - quando não devemos, nem queremos, e sabemos que as não podemos dizer - são aquelas que menos significado têm porque são ditas desde a dor e da raiva. São essas, infelizmente, as que mais magoam o outro e mais se lhe pegam à memória.
Queria poder apagar mil palavras, as que disse sem sentir, as que gritei quando não devia, as que apenas serviram como arma de arremesso. Porque me arrependo delas, e mais do que de as ter dito, arrependo-me de as ter pensado.
domingo, 23 de setembro de 2012
Bluff
Se não nasceste para jogador de poker, por mais que conheças os segredos que pode esconder uma cara inexpressiva, por mais que a tentes emular, por muito que a jogada te saia bem alguma vez, a tensão acumulada enquanto fazes bluff passa-te uma fatura bem alta e não te permite desfrutar da vitória.
Boundaries
Queria tudo o que era de outra pessoa e também aquilo que o outro não lhe podia dar. Podia ceder-lhe os livros e as canetas, podia até mesmo permitir-lhe que levasse consigo alguma peça de roupa que nunca usara e tinha comprado sem pensar demasiado. Ainda que não entendesse o porquê dessa necessidade compulsiva de acumular os bens de outrém.
Porém, não lhe podia dar a vida inteira, nem a atenção total, nem os sentimentos que pertenciam a um outro alguém tão mais especial.
Tentava impor limites e quando se relaxava pensando que estes tinham sido compreendidos, vinha uma nova invasão do espaço vital, uma nova exigência, um novo despropósito.
E assim vivia, na constante corda bamba que mediava entre a amizade e a gratidão, e quando caía no erro de olhar para baixo não via mais do que um abismo repleto de obrigações, de faltas de tempo, de pedidos, de angústias e de um afastamento que, às vezes, lhe parecia inevitável.
Porém, não lhe podia dar a vida inteira, nem a atenção total, nem os sentimentos que pertenciam a um outro alguém tão mais especial.
Tentava impor limites e quando se relaxava pensando que estes tinham sido compreendidos, vinha uma nova invasão do espaço vital, uma nova exigência, um novo despropósito.
E assim vivia, na constante corda bamba que mediava entre a amizade e a gratidão, e quando caía no erro de olhar para baixo não via mais do que um abismo repleto de obrigações, de faltas de tempo, de pedidos, de angústias e de um afastamento que, às vezes, lhe parecia inevitável.
sábado, 22 de setembro de 2012
Regressos a um passado já longínquo
Era uma vez uma rapariga que, desde bem pequena, lia todos os livros que encontrava - os que tinha em casa, aqueles que lhe emprestavam, os que comprava de modo quase compulsivo ou os que trazia da biblioteca. Lia sôfrega e avidamente, palavras atrás de palavras, frases mais ou menos especiais e histórias nem sempre inovadoras.
Tanta leitura acarretou somente um problema: não conseguiu atingir o ponto da maturidade do leitor, aquele em que lemos o que previamente escolheramos com critério. A avalanche de vocábulos levara consigo o poder de decisão e ela era incapaz de saber se tinha mais qualidade um romance de cordel ou o Ulysses de James Joyce. Os que a amavam sentiam-se, por vezes, constrangidos quando numa discussão literária ela citava um qualquer livro menor comparando-o com os grandes sem noção do absurdo do que dizia.
I get so emotional
Continuam a aflorar lágrimas cada vez que ouço uma das canções dela.
(Ainda agora uma menina que cantava mais ou menos apareceu na tv a tentar um Run to you)
(Ainda agora uma menina que cantava mais ou menos apareceu na tv a tentar um Run to you)
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Surreal
Uma Diretora de Turma ter o facebook como única forma de comunicar com um encarregado de educação que emigrou sem avisar com o seu educando.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Sempre teremos aquele fim-de-semana
Numa noite de má memória, depois de uma interrupção (que mais tarde provou ser) definitiva.
Ele: Estamos há mais de duas horas a falar de trabalho, como é possível tendo em conta que esta não foi a primeira escolha de nenhum dos dois?
Ela: Pois...
E pensava a rapariga com os seus botões: Não quererás que falemos do porquê de ser tardíssimo e ainda não nos termos deitado ou do esquisita que é esta não-relação que mantemos desde há demasiado tempo.
A verdade é que sabiam que não podiam ceder aos instintos mas separarem-se para dormir também não se perfigurava como uma opção aceitável, assim falavam e falavam durante horas só para poderem permanecer na companhia um do outro.
Sshhhhh!
Percebeu que tinha crescido quando calar, não discutir e não se defender começaram a parecer as melhores opções.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Think more, talk less
Engraçado como a amizade, o interesse, a paixão podem resultar da aversão, da indiferença, do ódio quando nos propomos a entendê-los melhor, e como a amizade, o interesse, a paixão podem ser doces quando pensam ser cruéis e devastadores quando acreditam ser a salvação.
You can't always get what you want
Já não sabes o que fazer com todas essas lágrimas, que não sabias sequer poderem caber dentro desse pequeno abrigo escondido no teu peito. Não podes secá-las porque se elas se multiplicam quando o tentas fazer. Não podes ignorá-las porque elas dominam a razão. Não podes deixá-las correr porque elas impedem-te de agir. Já não sabes o que fazer com todas as horas dedicadas, que não sabias sequer poder investir sem esperar algo em troca. Não podes recuperá-las porque o tempo não volta atrás. Não podes esquecê-las porque o relógio revive cada momento. Não podes vivê-las porque preferes não dar conta que elas passaram. E já não sabes o que fazer com tudo o que aprendeste, que não sabias sequer poder entender. Não podes utilizá-lo porque não queres ser essa pessoa. Não podes aceitá-lo porque recusas que te transformem. Não podes apagá-lo porque já não serias a mesma. E de repente descobres que nem tudo se cura com uma gargalhada.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Go the distance
Não é o cumprimento do dever o que está em causa, é o esforço extra. Aquele pequeno nada, sem qualquer importância, que nos sussurra ao ouvido que devemos superar-nos e ter vontade de fazer sempre melhor.
My make-up may be flaking
A insegurança do futuro que não domino frustra-me mais do que nada. Não me apetecem segundas opções, porque consigo - mesmo sem bola de cristal - prever o que trarão: dúvidas, incertezas, autoencerramento na minha concha e os sorrisos treinados para funcionar.
Não é a distância o que me mata (sempre fui diferente do mundo em redor), não é o carro, nem a solidão dos quilómetros, são os lugares vazios na plateia que me obrigam a duvidar da vocação que sei não ter.
domingo, 19 de agosto de 2012
Ouriço ou bicho de conta?
Enrolada em mim mesma, espeto os espinhos para me proteger do exterior. Talvez me custe entender que a fraqueza me dói, me mói, me corrói por dentro e preciso de rabujar como mecanismo de defesa. Sou assim - por mais que me esforce por mudar - nos momentos em que a frustração se abate, mostro as unhas e assim, tentando causar não sei se medo se repulsa, escondo melhor o coração magoado.
sábado, 18 de agosto de 2012
Primaveras
Receei, primeiro, os ataques rasteiros do monstro verde; depois da pena que poderia, eventual mas provavelmente, ter tentado invadir-me o coração; as saudades bateram à porta ao de leve; porém, foi a alegria de os ver juntos, a todos (todos mesmo todos, até aqueles que não se costumavam juntar), o que me fez sentir plena e me demonstrou que as sementinhas que plantamos - ainda que o meu talento com a flora seja nulo - podem florescer na primavera mais inesperada.
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