sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O óbvio (2)

A meio do filme.

- Jessie, tenho sede.
- Vou lá fora comprar uma garrafa de água.
- Não, não podes sair a meio do filme. Tens de esperar pelo intervalo.

Finalmente tenho alguém que sabe tomar conta de mim.

O óbvio (1)

Primeira ida ao cinema com a tia. Fila da bilheteira. Algumas pessoas almoçam numa conhecida cadeia de fast food ali ao lado.

- Jessie, o que é que aquelas pessoas estão ali a fazer?
- Então não vês? Estão a almoçar.
- Ah, não têm comida em casa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A Estrada

Um condutor pouco cuidadoso, que salta semáforos vermelhos, que não cumpre as regras básicas de convivência social sobre o alcatrão, atira para o coma meninos de 15 anos com uma vida pela frente. E ainda há quem acredite no ser humano.

Tenho problemas com a minha antena

Tive a certeza quando uma canção da "mãe do rock português" me soou a Buraka Som Sistema.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Segredo

As promessas que nos fazemos a nós mesmos são as mais difíceis de cumprir.

Adeus(es)

As lágrimas de impotência não voltaram a tentar espreitar desde aquele dia em que não te pude levar ao destino. No mesmo cenário, anos depois, as despedidas já não magoam como antes.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Até quando?

Tudo me leva a ti. Mas quando chego, tu nunca estás.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A maldição do sr. arquitecto

Desconhecia que os famosos vídeos que mostram as loucuras do sr. arquitecto nos anos 80 estavam amaldiçoados. Fosse porque alguns pensaram em comercializar a relíquia, ou porque constantemente descíamos o sr. arquitecto à divisão dos engenheiros, a verdade é que depois de longos minutos discutindo a qualidade das imagens e a beleza dos diálogos, algumas pessoas do grupo começaram a sentir-se mal. Primeiro um, depois outra, também a mafaldinha e até mesmo eu, que nunca vi os ditos filmes. Poderosa, a maldição. Ou isso ou a coca-cola na discoteca não era coca-cola.

O mundo voltou a fazer sentido

O meu computador ressuscitou (o milagre agradeço-o aos senhores da Toshiba).
Recuperando o tempo perdido fora do mundo, agradecemos a nomeação da Sophia, que honra imaginar-nos uma maravilha para alguém (ainda que posteriormente esta escolha venha a ser paga em brigadeiros).
E respondendo ao teu desafio da página 161 (para os destraídos como eu, é preciso pegar no livro mais próximo, abri-lo na página 161 e procurar a 5ª frase completa), peguei sem pensar num dos meus livros preferidos (não fiz batota, ele estava mesmo ali ao lado, na estante da cama). Contei as frases, reli para ver se não estaria enganada e, curiosamente, a Jess (personagem preferida, confesso) diz:
This is I; this is my voice, this is my body, this is my life.*
Não sei se a intenção era mostrar que estas frases se nos podem aplicar, de qualquer forma, acho que aleatoriamente, nenhuma outra se adequaria melhor.
*A Long Way Down, Nick Hornby

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Descerrar a lápide



Até faria o sacrifício de estar presente na inauguração - eu que nem gosto de festas - se pedisses com jeitinho. Agora vais ter que me voltar a convencer.

"It was nice bumping into you again, for the first time" *

Durante anos desenhei-te os olhos. Quando, por fim, te conheci até com a localização dos sinais tinha acertado... tantas vezes.
* Chapter Two, Neil Simon

Concorrência

Assustas-me; mais o que representas do que tu propriamente. Mas pela primeira vez o meu medo tem rival. Parece que o meu cadastro como fugitiva tem por fim quem o supere.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Uma ilha

O ano acabou finalmente. Despedi-me das minhas 120 pestinhas com lágrimas escondidas de saudades antecipadas e alívio. No último mês a cabeça já não acompanhava o corpo e por muito que este ainda tivesse toda a energia que precisamos quando estamos com crianças, o cérebro preguiçoso dizia que não. Antes que ele entre em curto-circuito, vou procurar por aí uma ilha deserta onde me possa tornar invisível. Como acabei de gastar as últimas duas horas de bateria do computador, só preciso de um livro e do meu ipod. E se daqui a uma semana tu ou outra pessoa qualquer quiser aparecer na minha ilha, podemos ficar invisíveis por mais uns dias e voltar para casa quando nos vierem buscar.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Split second

Coisa estranha, a coragem. Num segundo somos capazes de tudo, de mostrar o que pensamos, gritar o que sentimos, ser o centro das atenções, dizer que não queremos, assumir que gostamos, expor-nos, não ter vergonha, correr o risco, não ter medo de ouvir não. E no segundo seguinte ela desapareceu.

domingo, 17 de junho de 2007

Engano profissional

Foto daqui

O que eu devia ter sido era realizadora de cinema, com a quantidade de filmes que acabo sempre por fazer.

terça-feira, 12 de junho de 2007

"No te encuentro en mis sueños de noche" *

Levei tanto tempo a esforçar-me por te esquecer e quando menos esperava noto que passaste. É tão doloroso assumir que me falta o teu pedaço, como foi - à época - admitir que fazias parte de mim. Procuro-te em todos os recantos e não estás; preciso de ti aqui, se não em corpo pelo menos em memória para me ajudares a não cair em erros fáceis.
E, apesar de tudo és coerente (até em mim) - sempre que te necessitei, nunca te consegui encontrar.
* Donde Estés, Chenoa

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Arca

Estou desejosa de te encher dos meus pequenos tesouros...

(Maus) hábitos

Sei que não me queres magoar com os teus comentários, tens medo de exercer influências, de te exceder e com o teu excesso dar-me esperanças vãs. Escolhi-te para amiga (porque os amigos se escolhem) por te pareceres comigo e pela sinceridade que te caracteriza. Não te preocupes com as minhas escolhas, não sou fácil de guiar por outros - a casmurrice não o permite -, o que não quero é ter mais segredos para ti, não estou habituada a tê-los.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Salsa, tu já mereces um post

Tanto que falam do Marlon, eu cá por mim volto a ver Os Azeitonas pelo Salsa.
Esta canção é dedicada à ruiva cá do blog, porque é sobre nós (ainda que não nos mencione directamente), e porque é das poucas que ainda acredita que o príncipe encantado volta sempre para nós, qual tesouro no fim do arco-íris.

Finalmente

Parada, olhava para a estante prometida. Sentiu umas mãos nos ombros que pouco a pouco desciam pelas costas para lhe repousar na curva da cintura. Sabia que queria que assim fosse. Ao ouvido, um sussurro:
- Já chega.
- De quê?
- De olhar para aí. Está na hora do nosso filme.