quinta-feira, 8 de abril de 2010

Didn’t kiss so don’t tell

Não sei o que dizes por aí, mas estou cansada de boatos.

Falam-me de ti a cada passo, eu olho para o lado e finjo que não me magoa; sei que me estão a avaliar, a ver com lupa como reajo, o que não faço a menor ideia é se foste tu quem os mandou – não duvido nem por um segundo que é a ti que são fiéis.

Terão sido as atitudes que tivemos, um dia, em público que os levou a crer que te pertenço? Se jamais fomos nada porque convencemos o mundo do contrário? Foste tu quem relatou o que não aconteceu?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Broken


O copo em causa era frágil, não já era o recipiente robusto de outrora, os anos de uso tinham-lhe tornado o vidro mais quebradiço.
Depois de se partir não houve cola que lhe recuperasse a forma primeira.

domingo, 4 de abril de 2010

É urgente ir - parte 1


I too wanna wake up in the city that doesn't sleep, want to be a part of it, and it's up to me. NY, NY.

Hooked on a feeling

Conhecer-te como a mim mesma e continuares a surpreender-me com cada atitude, com cada sorriso, com cada minuto (e maldade) que me dedicas. Preciso que pares de entrar e sair da minha vida como se fosses uma miragem, contudo não sou capaz de te deixar ir porque foste demasiado importante.

sábado, 3 de abril de 2010

The A word

É difícil lutar contra frases escorreitas. Principalmente quando sabemos qual é a palavra que nos refreia a publicação (porque dela fugimos há muito), mas ela é também a única peça do puzzle que encaixa naquele sitiozinho esquinado.

Void

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Demasiada cumplicidade...

Não será o quantificador hiperbólico quando aplicado ao substantivo em questão?

O som dos ponteiros de relógio tomava conta do quarto vazio… tic-tac… tic-tac… movendo-se numa dança repetitiva e constante… tic-tac… tic-tac… e a cada minuto que passava, com o silêncio como aliado, dizia mais alto… Tic-Tac… Tic-Tac… O cérebro aturdido não conseguia ouvir mais do que aquele som … TiC-TaC… TiC-TaC… ameaçador… TiC-TaC… TiC-TaC… Cada vez que se permitia o devaneio de pensar, a mesma frase e a mesma imagem… TiC-TAC… TiC-TAC… nada as unia no mundo, mas naquela cabeça à procura de uma âncora, “fizemos-te o favor de fingir que serves” e o corpo que perdera pegado ao seu uma última vez, eram duas faces da mesma moeda: o falhanço, a perda, o isolamento.

E ele gritava-lhe para sublinhar a solidão: TIC-TAC! TIC-TAC!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Damaged Goods III

A insegurança derruba-nos os muros, puxa-nos o tapete quando mais precisamos de sentir terreno estável debaixo dos pés. Mas se me questiono todos os dias, será que é mesmo isto o que quero?

terça-feira, 30 de março de 2010

Quem me leva os meus fantasmas? *

Há pessoas do passado que nos alegra que voltem, que nos enchem a vida de sol (mesmo em dias nublados) só por dizerem olá.
Ele decidiu voltar depois de muita distância, depois de termos perdido a cumplicidade e a confiança, depois de se ter aberto um abismo entre nós sobre o qual parecia impossível construir pontes. Depois regressou aquele que me faz sorrir e está demasiado longe mas cujo abraço tanta falta me faz. Mais tarde espreitaste tu, sorrateiro como sempre, de maneira subtil, e o coração instalou-se-me de novo na garganta para não me deixar respirar.
Deles precisava, com urgância, de ti quero distância ou tenho medo do que possa acontecer.
* Abrunhosa

segunda-feira, 29 de março de 2010

He slept a summer by my side

He filled my days with endless wonder

(…) But he was gone when autumn came *

Sei que precisava da tua presença. Sentir-te ajuda-me a meter num cofre (que enterrarei) um passado doloroso já que de qualquer comparação sais ganhador. Mas se és impossível, se não podes ficar mais do que uma estação, valerá a pena mergulhar?

* "I dreamed a dream", Les Miz

sábado, 27 de março de 2010

Hipérboles e antíteses

Tudo é diferente agora. A pressão é incomparavelmente maior. Cada segundo relembra o tempo que se perde e todos os assuntos vão dar à mesma temática. Apetece gritar, apetece pedir silêncio, apetece sair de casa para não se sentir inútil mas estar longe de todos continua a ser a única opção. Sabe-se lá o que apetece: que o tempo passe rápido e a tortura acabe; que o tempo desacelere a marcha para permitir os últimos momentos de felicidade antes do desconhecido.

Quando uma das vozes mais doces sugere a partida como solução, ainda que sabendo que a intenção é o sorriso, é como se nos espetasse um espinho na carne e nos mostrasse que não somos necessários.

Fase Minimal

Será a falta de capacidade de concentração ou a peneira da autocrítica o que me resume a frases soltas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Damaged Goods II

Não se consegue enganar toda a gente o tempo todo. Talvez as saídas por que um dia lutámos não tenham sido as mais acertadas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Iced Me

Não é sim nem é não, ainda que saiba que o meio-termo não existe. Continuas a paralisar-me sempre que estás próximo; o teu cheiro, o teu sorriso e o teu toque são um veneno gelado que não me deixa responder.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Damaged Goods

A impotência de nos sentirmos humilhados e atacados onde mais magoa, a vergonha de não nos defendermos por não querer entrar em polémicas, e a cabeça a fugir sempre para a mesma frase por mais que a queiramos esquecer. É o que nos faz acreditar que não valemos a pena.

sábado, 20 de março de 2010

Mi silencio a tu mentira

Me asemeja más a ti* ?

Jamais saberei se disseste a verdade naquele dia – a pressão, os nervos, o meio, o momento, tudo foi errado. Há algo que me diz que foste sincero, que sou absurda na espera, que cada situação especial não passou de imaginação. No entanto, continuo a sentir-te vivo nas veias mesmo quando juro que só me apetece que desapareças.

* Idiota, Vega

Variações em desilusão menor

A dificuldade em usar possessivos acomodou-se há muito e apenas os pronuncio quando algo (ou alguém) me toca o coração.

Eram “os meus” desde o início, afastando outros três colectivos – que ainda que compostos por partes especiais não me faziam sentir tão em casa –, claramente, de forma injusta. Porque são doces, divertidos, têm uma união como grupo muito difícil de atingir e me mimam com a presença, a atenção e o bom humor.

Magoou descobrir que “os meus” a preferem. Chamem-lhe ciúmes, não me importo nem o nego, o monstro dos olhos verdes sempre gostou de me tentar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Parabéns Pedro!

Fizeste ontem um ano.

Já?

A maldita da distância, o cansaço, a crónica falta de tempo, são tudo desculpas que me dou a mim mesma quando penso que não estive presente neste teu primeiro ano de vida. Tinha planos para te ver crescer, para brincar contigo, para estar sempre que precisasses e todos esses bem-intencionados planos ficaram em nada. Soube pela tua mãe que já gatinhas, já comes bolachas, já te pões de pé e até já dizes adeus. E eu não te vi fazer nada disso.


Achas que me poderás desculpar, pequenino? Ainda me permites fazer parte da tua vida, mesmo sabendo (pelo que pudeste ver ao longo deste ano) que vou ser uma tia negligente que muitas vezes vai desaparecer porque não tem forças para fazer a viagem?

Ai se ela cai

Dava por si a pensar, com algum medo, se a necessidade que tinha de reler cada palavra não significaria muito mais do que lhe apetecia admitir. O crónico défice de confiança de que sofria tinha-a em estado de alerta a cada encontro - não se podia deixar arrastar pelas areias movediças que ele pressupunha.