quinta-feira, 21 de junho de 2012

Alentejo interior

O sol nasce e põe-se com a mesma parcimónia do dia anterior e daquele que há de vir. Nada muda, nem na paisagem, nem no horizonte, nem no futuro que se pode observar a olho nu. A necessidade de mudança oprime o peito e fá-lo doer de desespero; voltaram as noites sem sono e o medo do nada aparente. 

Serão as origens o que me sufoca, tal como o fazia o calor estival de 40º à sombra da minha infância? Poderá o Alentejo planície que desconheço (pois o meu tem serra e verde e água) ter-se apoderado da minha alma e nela ter plantado o sobreiro solitário em fundo de cores terra? Será que esta necessidade incessante de beber água é um reflexo dessa mesma realidade interna?

Gosto de sonhar com um futuro risonho, em tons esperança, que me embala quando abro a porta de casa e entro para descansar do quotidiano. Mas ele não quer chegar por mais que eu o anseie, e vou (pouco a pouco) perdendo o ar e o chão.

1 comentário:

Anónimo disse...

Como em todos os filmes há uma altura em que o herói (neste caso a heroína)fraqueja, mas não pode desistir. E estou certo que a volta desse sobreiro, hade nascer relva e flores a serra estará em plano de fundo e o rio que estava seco, correrá desde a serra por entre o verde da relva e as flores.

Desconhecido