terça-feira, 14 de junho de 2005
Momento Chuiff
Ela chega. Ao vê-lo acompanhado sente o ímpeto de se afastar, mas não o faz. Quando se cumprimentam, em vez dos dois beijinhos tradicionais, ela envolve-o num abracinho pouco habitual. E nem mesmo assim ele entende.
segunda-feira, 13 de junho de 2005
Eugénio
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Era importante que soubesses isto
Já que insistes em aparecer nos meus sonhos, podias ser simpático e permitir-nos um final feliz. Não percebes que os sonhos só podem ser assim?
quinta-feira, 9 de junho de 2005
Moranguinho
Em tão pouco tempo, ensinaste-me a ser mais feliz. E preciso cada vez mais de ti para isso. Sorte a minha, teres chegado para fazer parte da minha vida para sempre. Alguém tinha de vir para me resgatar do mau humor e tornar a minha vida cor-de-rosa.

Parabéns.
quarta-feira, 8 de junho de 2005
"Mrs. Robinson, you're trying to seduce me. ... Aren't you?"
She didn't try. She always made it!


Anne Bancroft (1931-2005)
And here's to you, Mrs. Robinson,
Jesus loves you more than you will know.
God bless you, please Mrs. Robinson.
Heaven holds a place for those who pray,
Hey, hey, hey
terça-feira, 7 de junho de 2005
segunda-feira, 6 de junho de 2005
O bizarro equilíbrio da balança
Amarmos sem sermos correspondidos enquanto somos amados sem correspondermos.
domingo, 5 de junho de 2005
sábado, 4 de junho de 2005
Traduttore traditore
Os momentos que antecedem o vício semanal passam-se a aguentar aquela coisa inominável chamada Alias.
Talvez estivesse particularmente atenta hoje, talvez o sotaque sul-americano me tenha ligado os radares... mas continuo a perguntar: porque é que se traduz assim na SIC? Não sei como estaria o inglês, mas não me parece complicado perceber (mesmo para quem não domine a língua) que "soy más inteligente" não se traduz para "sou mais esperta", e depois desta o choque de ver "mirada" traduzido por "cara" já nem me parecia tão forte.
Que pena desta vez não ter visto o nome da empresa, porque ando a pensar começar a escrever reclamações.
Talvez estivesse particularmente atenta hoje, talvez o sotaque sul-americano me tenha ligado os radares... mas continuo a perguntar: porque é que se traduz assim na SIC? Não sei como estaria o inglês, mas não me parece complicado perceber (mesmo para quem não domine a língua) que "soy más inteligente" não se traduz para "sou mais esperta", e depois desta o choque de ver "mirada" traduzido por "cara" já nem me parecia tão forte.
Que pena desta vez não ter visto o nome da empresa, porque ando a pensar começar a escrever reclamações.
sexta-feira, 3 de junho de 2005
Best Sellers
45 minutos à espera nos Correios levam-nos às observações mais inverosímeis. Aparentemente no Top dos Livros mais vendidos nesta estação estão em competição directa Paulo Coelho e os Livros da Anita (sendo aqueles que apresentam mais variedade), no entanto seguem-nos de perto O Poder que tem a Mente e Êxtase: o rio subterrâneo.
Será que da próxima vez encontro títulos como: O Poder que tem a Anita, Êxtase: o Paulo Coelho subterrâneo, Paulo Coelho e o pardalito, O Demónio e a senhorita Anita?
Será que da próxima vez encontro títulos como: O Poder que tem a Anita, Êxtase: o Paulo Coelho subterrâneo, Paulo Coelho e o pardalito, O Demónio e a senhorita Anita?
quinta-feira, 2 de junho de 2005
Fair trade?
Não sei desfazer-me em sorrisos como tu. Ensinas-me? Em troca posso cobrir-te de beijos.
quarta-feira, 1 de junho de 2005
terça-feira, 31 de maio de 2005
Dicionário abstracto
Não sei onde é que ele está, mas se o procuro num livro encontro palavras, se o procuro em ti encontro significado.
segunda-feira, 30 de maio de 2005
Depois de mais um episódio
de Desperate Housewives, há uma pergunta que se impõe:
Who the hell is Isabel Fajardo?
Já agora, fiz o teste que está na web e o resultado foi o aquele que eu já estava à espera: sou a Susan. Grande novidade!
Who the hell is Isabel Fajardo?
Já agora, fiz o teste que está na web e o resultado foi o aquele que eu já estava à espera: sou a Susan. Grande novidade!
sábado, 28 de maio de 2005
Reflexões tardias
Quando nos vemos pela oitava (ou centésima) vez arrastados para um triângulo amoroso e somos demasiado correctos para não nos afastarmos, será que é estupidez ou apenas tendência para o abismo?
sexta-feira, 27 de maio de 2005
quinta-feira, 26 de maio de 2005
Eu e as minhas ideias estapafúrdias
Ao rever Os Amigos de Gaspar (lembram-se disto?) na RTP Memória, pareceu-me óbvia a possibilidade de o Zé Diogo Quintela se inspirar no guarda Serôdio cada vez que tem de fazer de polícia no Gato Fedorento.
quarta-feira, 25 de maio de 2005
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