Separava-os uma vida e muitos anos, e também uma relação guardada no fundo de uma gaveta que preferiam não abrir. Evitavam-se frequentemente, condicionando, assim, as suas próprias vidas, sem serem capazes de entender que ainda que longe da vista, uma ausência provocada só os juntava um pouco mais. Não se verem era a opção menos dolorosa, não queriam "recair" em erros passados...
Quando deixaram de se preocupar com a presença do outro, assim que a segurança se instalou e deixaram de se precaver, viram-se confinados ao mesmo espaço. Sair não era opção, todos os que os rodeavam sopunham que se haviam superado. O que fazer?
Ao fim de vários minutos de incomodidade, ela encheu o peito de ar, atravessou a sala, tocou-lhe ao de leve no ombro (sempre tinha sido a mais corajosa dos dois):
- Olá. Como estás?
E nunca ninguém soube como lhe tremiam as pernas, como se sentia a suar frio, como um só sopro a teria derrubado.